Ibirubá, 30 de Outubro de 2026
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Rádio Cidade Ibirubá

Quando o futebol acontecia fora das quatro linhas

Bares, cafés e lancherias transformavam cada partida em um momento de convivência

J

JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Quando o futebol acontecia  fora das quatro linhas

Muito antes dos celulares dominarem as transmissões esportivas, os jogos de futebol levavam moradores da cidade e do interior aos tradicionais pontos de encontro de Ibirubá


Muito antes dos aplicativos de streaming, das transmissões em celulares e das televisões espalhadas por praticamente todas as residências, assistir a uma partida de futebol era um acontecimento coletivo em Ibirubá. Em dias de jogos decisivos, bares, lancherias, hotéis e pontos comerciais se transformavam em verdadeiras arquibancadas improvisadas, reunindo moradores da cidade e do interior em torno de uma mesma paixão.
As lembranças desse período permanecem vivas na memória de duas figuras que ajudaram a construir parte da história social do município: Marino da Silva, que administrou por mais de 25 anos o tradicional Café Central, e Valdomiro Ciprandi, um dos pioneiros do comércio de bebidas em Ibirubá.
Para ambos, os estabelecimentos não eram apenas locais para consumir bebidas ou refeições. Eram espaços de convivência, onde amizades eram construídas, negócios eram fechados e as notícias circulavam antes mesmo da popularização dos meios digitais.

“O Café Central era ponto de encontro. Quem marcava alguma coisa dizia: ‘me espera no Café Central’. Negócio de gado, de lavoura, de comércio, tudo passava por ali”, recorda Valdomiro.

Localizado na esquina das ruas General Osório e Diniz Dias, o Café Central ocupava um dos prédios mais antigos de Ibirubá. Construído em 1926 pela família Kamphorst, o imóvel antecede a própria emancipação do município e se tornou um símbolo da cidade ao longo de quase um século.
Marino assumiu a administração do local em 1993 e permaneceu à frente do estabelecimento até o período posterior à pandemia. Segundo ele, o movimento começava cedo e seguia até a noite.

“A gente abria antes das seis da manhã para atender viajantes que ficavam nos hotéis próximos. Depois vinham agricultores, comerciantes, trabalhadores e estudantes. Sempre tinha gente entrando e saindo do café”, relembra.

Nas décadas passadas, acompanhar partidas de futebol fazia parte dessa rotina. Em muitos casos, os bares eram os únicos locais onde a população conseguia assistir aos jogos transmitidos pela televisão. Quando havia decisões importantes, os estabelecimentos lotavam.
Além do futebol, o Café Central também reunia frequentadores para partidas de dominó, canastra, general e outras atividades que ajudavam a fortalecer os vínculos entre os moradores.
Valdomiro lembra que o cenário era semelhante em diversos pontos da cidade. Segundo ele, praticamente todos os bairros possuíam bares ou lancherias que funcionavam como centros de convivência.

“A cidade tinha muitos pontos de encontro. O povo trabalhava o dia inteiro e depois se reunia para conversar, jogar cartas, assistir futebol e encontrar os amigos”, conta.

Com o passar dos anos, os hábitos mudaram. A televisão chegou às residências, a internet transformou a forma de consumir informação e os encontros presenciais perderam espaço para as telas individuais.
Mesmo assim, as recordações permanecem. Para Marino e Valdomiro, os antigos bares de Ibirubá representam uma época em que o futebol era apenas uma das razões para reunir as pessoas. O verdadeiro espetáculo acontecia ao redor das mesas, nas conversas que atravessavam a noite e nos laços de amizade que ajudaram a construir a identidade da comunidade ibirubense.

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