Rádio Cidade Ibirubá
Catadores de Ibirubá transformam recomeço em esperança e dignidade
Diretoria quer melhorar a estrutura da entidade e necessita doação de equipamenots de informática para emissão de notas e gestão do trabalho.

Entre toneladas de materiais descartados, histórias de superação e o esforço coletivo de quem encontra valor naquilo que muitos consideram lixo, a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis José Aldino Soares constrói uma nova trajetória em Ibirubá. Há dois meses reorganizada, a entidade reúne dez mulheres e quatro homens, sob a liderança da presidente Marina Lopes e do vice-presidente Douglas Graminha.
Para Marina, retornar à atividade representa mais que assumir uma responsabilidade administrativa. “Há nove anos trabalhei como catadora, num momento em que estava depressiva. Foi ali que criei uma paixão por essa profissão. A gente encontra histórias, vidas diferentes da nossa realidade.”
Douglas compartilha desse sentimento. Integrante da antiga associação durante cinco anos, reconhece nos colegas vínculos que ultrapassam o ambiente profissional. “A gente ganha uma paixão pelo trabalho. É praticamente uma segunda família, onde estamos juntos nos momentos bons e ruins.”
Atualmente, aproximadamente dez toneladas mensais passam pelas mãos dos associados. O papelão lidera o volume comercializado, seguido por diferentes materiais cuidadosamente classificados. A remuneração depende das cargas vendidas, realidade que impõe dificuldades às famílias.
“Muitos têm somente aquela renda. Pagam aluguel, água, luz, comida, têm filhos. Nós mesmos fazemos nosso salário”, explica Marina, reconhecendo que os primeiros resultados ainda ficaram abaixo de um salário mínimo.
O apoio municipal garante estrutura e transporte, enquanto equipamentos emprestados e iniciativas solidárias ajudam a manter as atividades. A recuperação do caminhão da associação deverá permitir novas coletas e parcerias comerciais.
A separação inadequada dos resíduos permanece entre os maiores obstáculos. Seringas, materiais cortantes e lixo orgânico misturados aos recicláveis comprometem a segurança e a produtividade.
“O que é lixo para muitas pessoas, para nós é ganho. É um trabalho digno. Estamos mantendo a cidade limpa, cuidando do meio ambiente”, ressalta Marina.
A associação precisa da doação de um computador ou notebook, e uma impressora para organizar a rotina de trabalho, fazer planilhas e emitir notas fiscais.






