Rádio Cidade Ibirubá
Associados aprovam dissolução da Cotribá e elegem Sérgio Strentzke como liquidante
Decisão tomada nesta terça-feira (20) abre processo de liquidação extrajudicial com continuidade das atividades. Cooperativa enfrenta dívida bilionária e terá de reorganizar operações, patrimônio e pagamentos aos credores.

Os associados da Cotribá aprovaram, nesta terça-feira, 20 de outubro, a dissolução voluntária da cooperativa e a abertura de um processo de liquidação extrajudicial com continuidade das atividades. A decisão marca uma mudança profunda na estrutura administrativa da instituição, que acumula 115 anos de história e enfrenta uma crise financeira com dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão. O então presidente, Sérgio Strentzke, foi escolhido para assumir a função de liquidante e conduzir a nova etapa.
A aprovação não significa o encerramento imediato das operações. A proposta defendida pela direção prevê a manutenção das atividades comerciais enquanto são reorganizadas as obrigações financeiras, avaliados os bens e negociados os compromissos com os credores. A dissolução, entretanto, representa o início formal de um processo de liquidação, cujo desfecho dependerá dos resultados alcançados e das deliberações futuras dos associados.
Na sexta-feira (16), durante entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio Cidade FM 104.9, Sérgio Strentzke e o então vice-presidente Paulo Prediger já haviam antecipado a proposta que seria submetida à assembleia. Os dirigentes reconheceram que a cooperativa ainda não dispõe de um plano definitivo de pagamento das dívidas nem de uma avaliação patrimonial consolidada. Segundo eles, essas informações deverão ser organizadas durante a nova fase administrativa e apresentadas posteriormente aos associados.
A estratégia anunciada pela direção é recuperar a capacidade operacional da Cotribá, reconstruir a confiança dos produtores e negociar condições que permitam reduzir o endividamento ao longo dos próximos anos. Entre as alternativas discutidas estão a retomada da fábrica de rações, a ampliação das operações comerciais por meio da CCGL, a reorganização de unidades de negócio e a eventual venda de ativos.
A escolha de Sérgio Strentzke como liquidante também altera a estrutura de comando. Caberá a ele conduzir os procedimentos administrativos e financeiros da liquidação, sob fiscalização e acompanhamento dos órgãos previstos na legislação cooperativista. A decisão dos associados, porém, não elimina as dívidas nem representa garantia de pagamento integral aos produtores, trabalhadores, fornecedores e instituições financeiras.
A partir de agora, o principal desafio será transformar a proposta de continuidade em um planejamento econômico verificável, com identificação do patrimônio disponível, definição de prioridades legais, apresentação de prazos e transparência sobre a negociação dos créditos.
A assembleia desta terça-feira encerra uma etapa de indefinições administrativas, mas abre outra, igualmente decisiva. Os associados autorizaram um novo caminho para enfrentar a crise. Resta à administração demonstrar como a manutenção das operações poderá gerar recursos suficientes para sustentar a cooperativa e responder às obrigações acumuladas.






