Ibirubá, 20 de Outubro de 2026
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Cotribá descarta venda de participação na CCGL e aposta na retomada das operações comerciais

Em entrevista à Rádio Cidade, presidente Sérgio Strentzke afirmou que a participação na central de cooperativas não representa uma saída patrimonial para a crise, mas poderá contribuir para a recuperação dos negócios da Cotribá.

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Jornalista Cristiano Lopes

Cotribá descarta venda de participação na CCGL e aposta na retomada das operações comerciais

A participação da Cotribá na Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), uma das estruturas mais importantes do cooperativismo agroindustrial do Rio Grande do Sul, não deverá ser utilizada como alternativa para levantar recursos por meio da venda de patrimônio. A informação foi apresentada pelo presidente Sérgio Strentzke durante entrevista ao Jornal da Cidade, da Rádio Cidade FM 104.9, na sexta-feira (16), ao explicar os caminhos que a direção pretende seguir caso os associados aprovem a liquidação extrajudicial continuada na assembleia desta terça-feira, 20 de outubro.

A possibilidade de utilizar a participação societária na CCGL ganhou relevância diante das dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão e da necessidade de identificar ativos capazes de contribuir para o pagamento dos credores. A central reúne importantes operações na cadeia do leite, além de estruturas de pesquisa e de logística portuária, incluindo os terminais Termasa e Tergrasa, em Rio Grande.

Questionado sobre o valor econômico dessa participação e a possibilidade de negociá-la com outras cooperativas, Sérgio explicou que as regras estatutárias não permitem transformar a fatia da Cotribá em recursos equivalentes ao valor patrimonial dos empreendimentos da central.

“Estatutariamente isso seria um desastre financeiro”, afirmou, ao explicar que o valor previsto para uma eventual saída seria muito inferior ao potencial econômico da estrutura. Segundo o presidente, a quantia não chegaria a R$ 500 mil.

A dimensão exata da participação da Cotribá também não foi confirmada. Sérgio mencionou percentuais entre 11% e 13%, mas esclareceu que não havia consultado a CCGL para estabelecer o índice atualizado. A participação, segundo ele, sofre variações relacionadas às operações realizadas pelas cooperativas integrantes.

Negócios, não venda de patrimônio

Embora tenha afastado a possibilidade de obter recursos expressivos com a negociação da participação societária, o presidente apontou a CCGL como uma parceira estratégica para a retomada das atividades comerciais da Cotribá.

Sérgio relatou que conversou com o presidente da central, Caio Vianna, e recebeu manifestação de apoio à cooperativa. A perspectiva é ampliar a utilização das estruturas da CCGL, especialmente nas operações relacionadas ao leite e à comercialização de grãos.

“A operação disso via CCGL é muito importante para nós”, destacou.

A proposta está diretamente relacionada à estratégia defendida pela atual direção para enfrentar a crise. Em vez de depender exclusivamente da venda de imóveis, unidades e outros ativos, a administração pretende recuperar a capacidade de faturamento e reconstruir o relacionamento comercial com os associados.

patrimônio, o valuation, não vão pagar conta. O que vai pagar conta são operações comerciais do seu associado com a Cotribá”, afirmou Sérgio em outro momento da entrevista.

O desafio será transformar essa possibilidade em negócios efetivos, num cenário em que a cooperativa enfrenta restrições financeiras, dificuldades de crédito e perda de confiança de parte dos produtores e fornecedores.

Participação sem influência proporcional

A entrevista também revelou uma dificuldade na representação institucional da Cotribá dentro da CCGL. Segundo Sérgio, a cooperativa perdeu espaço nas decisões da central em razão de uma indicação inadequada feita pela administração anterior para sua representação.

O presidente classificou a participação atual nas decisões como deficitária, mas não detalhou os efeitos dessa situação nem apresentou um plano específico para recuperar a influência institucional da Cotribá.

A questão ganha importância porque a CCGL poderá desempenhar um papel relevante na reorganização comercial da cooperativa, especialmente se a assembleia aprovar a continuidade das atividades durante a liquidação.

A direção, entretanto, não apresentou valores projetados de faturamento, contratos de novas operações ou estimativas de quanto essa parceria poderá contribuir para reduzir o endividamento.

Assembleia definirá o próximo passo

A discussão sobre a CCGL integra um problema maior: identificar de onde virão os recursos necessários para sustentar as operações e pagar as dívidas da Cotribá.

Na terça-feira, os associados decidirão sobre a dissolução voluntária, a abertura da liquidação com continuidade das atividades e a indicação dos responsáveis pela nova administração. A direção defende que a aprovação permitirá reorganizar os negócios e negociar em condições mais favoráveis com parceiros comerciais e instituições financeiras.

No caso da CCGL, a entrevista deixou uma distinção importante: a participação da Cotribá em uma estrutura cooperativista de grande valor econômico não significa que esse patrimônio esteja disponível para venda ou possa ser convertido diretamente em dinheiro para pagar credores.

A alternativa defendida por Sérgio está na utilização dessa estrutura para voltar a produzir resultados. Resta saber quanto a Cotribá conseguirá operar por meio da CCGL, em que condições e com qual capacidade de transformar o faturamento em recursos efetivos para enfrentar a dívida bilionária.

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