Oito dias que abrem uma nova fase na crise da Cotribá
Associado desde 1986, Carlos Diehl renuncia a presidência. Sergio Strentske e Paulo Prediger assumem
Em oito dias, a Cotribá passou da convocação de uma assembleia que poderia definir parte importante de seu futuro ao cancelamento da reunião e, menos de 24 horas depois, à renúncia de seu presidente. A sequência não permite afirmar que os acontecimentos estejam diretamente relacionados, mas coloca uma nova pergunta no centro da maior crise da história da cooperativa: qual caminho será seguido daqui para frente?
Carlos Waldemar Wilke Diehl apresentou nesta quinta-feira, 24 de setembro, sua renúncia à presidência do Conselho de Administração. O documento foi assinado digitalmente às 11h25, poucas horas antes do fechamento desta edição, e divulgado pelo próprio dirigente. Até então, a Cotribá não havia se manifestado publicamente sobre a saída.
Eleito em março para mandato previsto até dezembro de 2028, Diehl afirma na carta que concentrou esforços na busca de alternativas para garantir a continuidade da cooperativa, especialmente na aproximação de investidores e parceiros estratégicos capazes de aportar recursos, conhecimento e gestão. O objetivo, segundo ele, era preservar a atividade econômica, os ativos, empregos e os interesses dos associados.
É na sequência que aparece o elemento central da renúncia. Diehl afirma ter se tornado evidente um “desalinhamento” entre a proposta e a visão que vinha defendendo para o futuro da Cotribá e o entendimento predominante no Conselho de Administração sobre os caminhos a serem adotados. Diante da divergência, avaliou que sua permanência na presidência não seria mais adequada.
Em 16 de setembro, a Cotribá havia convocado Assembleia Geral Extraordinária para o dia 28. A pauta ia além de procedimentos administrativos: previa prestação de contas da gestão, deliberação sobre contrato envolvendo investidor, autorização para criação de empresas, SPE e holding em conjunto com sócios e venda de imóveis. Eram decisões com potencial para interferir diretamente na estrutura patrimonial e societária da cooperativa.
Na quarta-feira (23), cinco dias antes da data marcada, a assembleia foi cancelada. Na manhã seguinte, Diehl assinou a renúncia.
A proximidade entre os acontecimentos não comprova relação entre eles. Até o fechamento desta edição, não havia informação pública que permitisse afirmar que o cancelamento da AGE tenha ocorrido em razão das divergências mencionadas pelo então presidente. Há, porém, uma questão que passa a exigir resposta: o que aconteceu entre a convocação da assembleia e a saída de Diehl?
A pergunta ganha relevância porque os assuntos se encontram. A AGE discutiria justamente investidor, reorganização societária e patrimônio. Diehl, por sua vez, afirma que dedicou seu período na presidência à procura de investidores e revela, ao deixar o cargo, que surgiu um desacordo sobre os caminhos para a recuperação.
A renúncia também coloca em aberto o destino desse trabalho. Diehl relata que foram realizadas “inúmeras conversas, análises, reuniões e avaliações de alternativas” com potenciais parceiros. Não informa, entretanto, quem são os interessados, em que estágio estavam as tratativas ou se continuarão após sua saída.
Associado desde 1986, Diehl afirma que permanecerá ligado à Cotribá nessa condição e que sua história com a instituição não termina com a renúncia.
Em comunicado compartilhado as 16h30, a cooperativa agropecuária mais antiga do Brasil informou que o vice-presidente Sérgio Strentske assume a presidência. Para o cargo de vice-presidente, o Conselho de Administração indicou Paulo Prediger. A alteração, conforme a nota, não altera o funcionamento das operações e o atendimento aos associados, clientes e parceiros. ''O foco será a recuperação e continuidade das operações'', conclui a Cotribá.






