Rádio Cidade Ibirubá
Cotribá inicia liquidação com patrimônio comprometido e futuro incerto
Com prejuízo projetado de R$ 164 milhões, cooperativa terá de negociar dívidas, recuperar operações e prestar contas aos associados

Eleito liquidante, Sérgio Strentzke conduzirá o processo com fiscalização dos conselheiros titulares Paulo Rogério Prediger, Márcio Ribamar Garmatz e Ingo Ahlert. Os suplentes são Soraia Farias dos Santos Rebelato, Nedson Luiz Floss e Marcos Leandro Kogler.
Na entrevista coletiva realizada na quarta-feira (21), a administração apresentou números que dimensionam as dificuldades. Segundo a assessoria jurídica, a Cotribá possui patrimônio estimado em R$ 800 milhões, mas aproximadamente 90% estão comprometidos com garantias financeiras ou medidas judiciais. Isso limita a utilização dos bens para reduzir o endividamento e exige negociações com os credores.
A cooperativa também informou faturamento de R$ 313 milhões no período apresentado e projeção de prejuízo de R$ 164 milhões para 2026. A direção pretende reduzir o resultado negativo até dezembro, diante dos possíveis reflexos sobre os associados.
O prejuízo deste exercício exige esclarecimentos específicos. Parte da crise decorre de compromissos anteriores, mas 2026 também esteve sob responsabilidade da administração que antecedeu a liquidação. A coletiva não apresentou uma discriminação das perdas herdadas, dos resultados operacionais e dos efeitos das decisões mais recentes.
Sérgio criticou antigas gestões e afirmou que uma consultoria realizada em 2020 teria recomendado mudanças administrativas que não foram implementadas. “Essa sugestão de mudança de gestão foi literalmente rasgada pela antiga gestão”, declarou. O relatório não foi apresentado à imprensa. O liquidante anunciou a intenção de aprofundar investigações sobre possíveis irregularidades, cujas responsabilidades ainda dependem de apuração documental.
Outra questão permanece sem resposta: quando os credores começarão a receber? Sérgio reconheceu que ainda não existe um cronograma de pagamentos.
“Nós só podemos pagar aquilo que a gente consegue movimentar”, afirmou.
A prioridade será recuperar valores devidos à cooperativa, negociar obrigações e ampliar receitas. A administração pretende fortalecer a comercialização de grãos e insumos, reaproximar fornecedores e buscar alternativas para a fábrica de rações. A participação na CCGL também é considerada estratégica.
A continuidade das operações, entretanto, dependerá de sua viabilidade econômica. Sérgio admitiu a possibilidade de rever unidades e despesas, sem apresentar garantias de manutenção integral dos empregos. A cooperativa precisará gerar recursos para funcionar enquanto enfrenta
o passivo acumulado.
A transparência será outro teste para a nova administração. O liquidante defendeu decisões compartilhadas com a equipe técnica e o Conselho Fiscal.
“Não me deram um cheque em branco para eu fazer o que eu quiser”, afirmou.
Entre as medidas anunciadas estão a contratação de auditoria externa independente, prestações de contas semestrais e a criação de um portal de transparência. A experiência da Languiru foi mencionada como referência para a reorganização, mas Sérgio reconheceu que não há prazo definido nem garantia de encerramento da liquidação. A possibilidade de superar esse regime dependerá da recuperação financeira e de futuras deliberações dos associados.
Aos 115 anos, a Cotribá permanece ligada à economia e à história de milhares de
famílias da região. Sua importância reforça a necessidade de acompanhar cada etapa do processo.
Nas próximas edições, o Jornal O Alto Jacuí aprofundará a origem do endividamento, o comprometimento do patrimônio, as condições de pagamento aos credores, a situação dos trabalhadores e as responsabilidades administrativas pela crise.
A assembleia definiu o caminho. Agora, a recuperação dependerá da capacidade de transformar essa decisão em resultados concretos, com fiscalização, transparência e participação dos associados.enfrenta dívidas antigas, restrições patrimoniais e os custos de manter sua estrutura funcionando. O objetivo é superar a crise e, futuramente, submeter aos associados a possibilidade de encerrar o regime de liquidação. A continuidade das atividades oferece essa perspectiva, mas não assegura que ela será alcançada.
O futuro da Cotribá será acompanhado além da assembleia
A decisão de terça-feira abriu uma possibilidade de reorganização, não uma garantia de sobrevivência. A partir de agora, o trabalho do liquidante precisará ser medido menos pelas expectativas anunciadas e mais pelos resultados que conseguir apresentar.
Também será necessário compreender quais operações ainda são economicamente viáveis, quanto a cooperativa precisa movimentar para sustentar suas atividades e quais critérios orientarão eventuais negociações ou alienações patrimoniais. São questões que exigem documentos, informações contábeis, manifestações dos envolvidos e acompanhamento contínuo. Preservar essa história, porém, não significa deixar de questionar as decisões que a colocaram em risco. Ao contrário: é justamente pela importância da Cotribá que seu futuro precisa ser acompanhado com transparência, responsabilidade e rigor.






