Rádio Cidade Ibirubá
1º Encontro de Quimbandeiros de Ibirubá já reúne mais de 1,2 mil participantes confirmados
Evento será realizado no dia 7 de novembro, no ginásio do Bangu, com entrada gratuita. Organizado por Mãe Tati de Oyá, encontro busca valorizar a religiosidade de matriz africana e combater o preconceito.

Ibirubá receberá, no dia 7 de novembro, o 1º Encontro de Quimbandeiros, uma celebração religiosa que já conta com 1.280 participantes confirmados, provenientes de diferentes municípios do Rio Grande do Sul e de outros estados. A programação terá início às 21h, no ginásio do Bangu, com entrada gratuita e participação aberta a toda a comunidade. A iniciativa é organizada por Tatiane Kromenauer, conhecida como Mãe Tati de Oyá, e pretende ampliar o conhecimento sobre a Quimbanda, valorizar suas tradições e promover o respeito à diversidade religiosa.
A realização do encontro representa a concretização de um projeto iniciado ainda em 2019. Segundo Mãe Tati, foram anos de planejamento para organizar uma celebração capaz de receber participantes de diferentes regiões. Atualmente, 89 casas religiosas já confirmaram presença, incluindo grupos do Paraná, Santa Catarina e de municípios como Porto Alegre, Caxias do Sul, Passo Fundo, Santa Maria, Cruz Alta e Soledade.
“Esse evento surgiu nessa vontade de principalmente mostrar, porque a nossa religião tem uma coisa assim que, se olhar para o povo de macumbeiro, vão dizer que estão idolatrando o demônio. E a gente quer desmistificar isso tudo. A gente quer mostrar que não, que a nossa fé é tão bonita quanto a deles”, afirmou Tatiane.
A programação começará com uma abertura dedicada a Exu Bará, seguida de uma solenidade com os padrinhos do encontro e das celebrações religiosas. A organização também disponibilizará uma estrutura de alimentação para atender os participantes que chegarão de outras cidades. Como ação solidária, haverá arrecadação de um quilo de alimento para doação.
Além da celebração, o encontro terá como propósito aproximar a população das práticas religiosas de matriz africana. Tatiane observa que, nos últimos anos, houve uma mudança na maneira como parte da comunidade se relaciona com essas manifestações.
“Antes as mensagens eram em um tom agressivo, hoje já é num tom de curiosidade. Eles já vêm querendo saber, perguntando se podem frequentar, se podem conhecer”, relatou.
A dirigente religiosa considera que a realização de atividades públicas contribui para enfrentar interpretações equivocadas sobre a Quimbanda e outras tradições. Para ela, o diálogo e o conhecimento são fundamentais nesse processo.
“Eu acho que está sendo muito bom esses movimentos, porque a nossa religião está sendo vista de uma outra maneira. Quando a gente começa a mostrar as coisas reais, não é o que o povo imagina na cabeça, a gente vai levando, mostrando certinho como é que funciona”, destacou.
O respeito à liberdade religiosa também integra as preocupações da organização. Tatiane relatou um episódio recente envolvendo comentários sobre sua fé nas redes sociais. Em vez de ampliar a discussão publicamente, decidiu procurar a pessoa responsável e convidá-la a conhecer a religião.
“Eu acho que educação é a base de tudo. Chamei ele, conversei, expliquei, convidei a conhecer a nossa fé antes de sair falando”, contou. A publicação acabou sendo retirada.
Para o encontro de novembro, a organização informou que contratou segurança privada e prepara medidas de acompanhamento do evento, diante da quantidade de participantes esperados.
“Eu não preciso da aprovação de ninguém para praticar minha fé, mas eu quero e eu exijo que respeitem a minha fé”, declarou Mãe Tati.
Durante a entrevista, acompanhada por Diana, integrante de sua casa religiosa, Tatiane também abordou a importância da transmissão dos conhecimentos entre as gerações. Ela explicou que mantém encontros de formação com seus filhos de santo, nos quais são trabalhados os fundamentos, os rituais e os significados das práticas religiosas.
“Eu acho que o aprendizado nunca é demais. Então eu sempre digo para eles, hoje vamos fazer uma aulinha. Eles aprendem de tudo. Porque hoje as pessoas mais novas acham que a religião é incorporação, é a roupa do Exu, é a roupa da Pombagira. E eu discordo, porque eu acho que Exu é o pé no chão, é a simplicidade”, explicou.
O encontro se soma a outras manifestações religiosas realizadas em Ibirubá ao longo de 2026, como a Procissão de Ogum, em abril, e o Quimbandaço. Para Tatiane, essas iniciativas ajudam a tornar mais conhecida a presença das religiões de matriz africana no município.
Ao reforçar o convite, a dirigente destacou que não é necessário pertencer a uma casa religiosa para participar da programação. A comunidade poderá acompanhar as celebrações, conversar com os praticantes e conhecer aspectos da Quimbanda.
“A gente quer deixar o convite para a comunidade. Se quiser ir conhecer, vai lá no nosso evento, dá uma passadinha por lá. Não precisa ficar até o final do evento, mas vai lá para conhecer, para ter uma ideia do que é realmente”, concluiu Mãe Tati de Oyá.






