Ibirubá, 19 de Outubro de 2026
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Cotribá chega à assembleia com Sérgio indicado para liquidante, mas sem plano definitivo para pagar dívidas

Em entrevista à Rádio Cidade, presidente e vice defenderam a liquidação extrajudicial continuada como alternativa para manter as operações. Associados decidirão nesta terça-feira (20) sobre a dissolução voluntária da cooperativa e a nova estrutura de

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Jornalista Cristiano Lopes

Cotribá chega à assembleia com Sérgio indicado para liquidante, mas sem plano definitivo para pagar dívidas

A Cotribá chega à Assembleia Geral Extraordinária desta terça-feira, 20 de outubro, diante de uma das decisões mais importantes de seus 115 anos de história. Com dívidas estimadas em R$ 1,4 bilhão, a cooperativa submeterá aos associados a proposta de dissolução voluntária, com abertura de um processo de liquidação extrajudicial continuada. A direção defende a medida como caminho para preservar as atividades e reorganizar as obrigações financeiras, mas reconhece que ainda não dispõe de um plano definitivo de pagamento aos credores.

Em entrevista concedida ao Jornal da Cidade, da Rádio Cidade FM 104.9, na sexta-feira (16), o presidente Sérgio Strentzke e o vice-presidente Paulo Prediger detalharam os encaminhamentos previstos para a assembleia. Uma das principais revelações foi a indicação do próprio Sérgio para assumir a função de liquidante, caso a proposta seja aprovada. O nome será submetido à votação dos associados, juntamente com a composição de um novo Conselho Fiscal.

Para o Conselho Fiscal, segundo Prediger, serão indicados Paulo Prediger, Marcio Ribamar Garmatz e Ingo Ahlert. A mudança representará a substituição da atual administração ordinária por uma estrutura conduzida pelo liquidante, responsável pela gestão dos bens, das dívidas e das operações mantidas durante o procedimento.

A direção sustenta que a aprovação da proposta permitirá negociar em condições mais favoráveis com credores e parceiros comerciais. Sérgio afirmou que a dívida permanece elevada e sofre atualizações financeiras constantes. Também reconheceu que a cooperativa ainda não dispõe de uma avaliação patrimonial consolidada.

O presidente explicou que a definição de como serão organizados os pagamentos, os recebimentos e o fluxo de caixa dependerá de um trabalho posterior. Segundo ele, essas informações deverão ser apresentadas aos associados em uma nova assembleia.

“É muito complexo”, afirmou Sérgio, ao explicar que a reorganização exigirá negociações com instituições financeiras, fornecedores e produtores. A direção trabalha inicialmente com um projeto de aproximadamente quatro anos, embora ainda não tenha apresentado metas financeiras ou projeções públicas de recuperação.

Continuidade dependerá das operações

Ao defender a proposta, Sérgio destacou que a recuperação não poderá depender exclusivamente da venda de patrimônio.

patrimônio, o valuation, não vão pagar conta. O que vai pagar conta são operações comerciais do seu associado com a Cotribá”, declarou.

A direção pretende preservar o maior número possível de unidades e atividades, mas admite que a reorganização poderá exigir a venda de bens e a redução da estrutura. A situação dos supermercados, a retomada da fábrica de rações e a continuidade das operações de recebimento de grãos estão entre as questões que dependerão de novas negociações.

A participação da Cotribá na CCGL também foi discutida. Sérgio afastou a possibilidade de transformar essa participação em uma fonte expressiva de recursos por meio de venda, apontando que o potencial da relação está na ampliação das operações comerciais.

Outro tema abordado foi a investigação sobre possíveis irregularidades em administrações anteriores. Sérgio revelou que o trabalho contratado pela cooperativa foi interrompido por falta de pagamento, embora tenha produzido levantamentos preliminares. A direção pretende apresentar os resultados disponíveis na assembleia e avaliar o encaminhamento das informações ao Ministério Público ou a outros órgãos competentes. Não foram anunciadas conclusões definitivas sobre responsabilidades.

Uma decisão antes do plano completo

A assembleia deverá deliberar sobre a proposta de dissolução, a continuidade das atividades durante a liquidação e a escolha dos responsáveis pela nova administração. Para a aprovação da dissolução voluntária, será necessário o voto favorável de dois terços dos associados presentes.

O ponto central é que os associados serão chamados a decidir sobre uma profunda mudança jurídica e administrativa antes da apresentação de um plano completo de pagamentos, recuperação operacional e destinação do patrimônio.

A direção argumenta que a aprovação é justamente a condição necessária para construir esse planejamento, negociar com credores e recuperar a confiança dos parceiros comerciais. Sem a medida, segundo Sérgio e Paulo, a cooperativa continuará exposta a dificuldades que comprometem sua capacidade de operar.

A proposta, entretanto, não elimina as dívidas nem assegura que todos os credores receberão integralmente seus valores. Também não significa a preservação definitiva da atual pessoa jurídica, uma vez que a dissolução voluntária inaugura um procedimento que pode resultar na extinção da cooperativa ao final da liquidação.

A decisão de terça-feira, portanto, ultrapassa a escolha de uma alternativa administrativa para enfrentar a crise. Os associados terão de decidir se confiam à nova estrutura de liquidação a tarefa de preservar as operações, administrar o patrimônio e buscar condições para honrar as obrigações acumuladas.

A Cotribá pede tempo para construir uma saída. A assembleia decidirá se concede esse tempo e a quem entregará a responsabilidade de conduzir o processo.

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