Rádio Cidade Ibirubá
Saúde de Ibirubá reorganiza atendimentos para reduzir custos e ampliar acesso pelo SUS
Procurar atendimento médico em Ibirubá deverá exigir dos moradores maior atenção à unidade de saúde correspondente ao bairro onde residem

A pressão sobre os serviços públicos de saúde aumentou em Ibirubá, impulsionada pelas dificuldades econômicas que levaram famílias a abandonar planos particulares e buscar atendimento pelo SUS. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou uma reorganização dos atendimentos, ampliou a utilização da regulação estadual para consultas e cirurgias e procura reduzir a dependência de serviços contratados pelo Comaja. As medidas foram detalhadas pelo secretário Rogério Mauri de Oliveira, que também reconheceu dificuldades na estrutura de transporte e na saúde mental.
Com aproximadamente 22 mil habitantes, Ibirubá possui quase toda a população cadastrada no SUS. Para enfrentar a demanda, a Secretaria está reforçando a orientação para que cada morador procure inicialmente a unidade de saúde correspondente ao seu território.
“Nós vamos precisar ainda mais do apoio da comunidade, porque cada vez mais as pessoas vão ter que procurar os seus postinhos de referência. É através desses critérios, dessa regulação e da produção que vamos ter recursos”, explicou Rogério.
O secretário destacou que a reorganização envolve médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários, com encaminhamentos entre unidades quando necessários. O objetivo é evitar a concentração de pacientes no Postão e fortalecer o acompanhamento pelas equipes dos bairros.
Outra mudança envolve o encaminhamento de consultas e cirurgias pelo GERCOM, sistema estadual de regulação. Segundo Rogério, a ferramenta permitiu avanços especialmente na traumatologia, área que acumulava dificuldades de acesso.
“Nós não podemos fazer tudo particular, o município não comporta. Precisamos ter produção e utilizar o GERCOM, que é a ferramenta do SUS. Se não tivéssemos feito esse trabalho, estaríamos hoje com mais de R$ 2 milhões por mês em despesas com o Comaja, o que poderia colapsar o sistema”, afirmou.
O crescimento dessas despesas preocupa a administração. Conforme o secretário, os gastos anuais com o consórcio passaram de aproximadamente R$ 6 milhões em 2023 para R$ 9 milhões em 2024, chegando a R$ 10 milhões em 2025. Atualmente, o desembolso mensal gira em torno de R$ 700 mil a R$ 750 mil.
A ampliação dos atendimentos também exige uma estrutura de transporte que movimenta diariamente entre 80 e 100 pacientes para municípios como Cruz Alta, Ijuí, Passo Fundo e Porto Alegre, aumentando despesas com veículos, motoristas e diárias.
Na saúde mental, Rogério reconheceu a reivindicação dos profissionais do CAPS por um veículo exclusivo, especialmente para situações emergenciais e transferências de pacientes.
“Nós já conversamos com a equipe e sabemos dessa necessidade. Na saúde mental, muitas vezes surge uma situação que não pode esperar. Assim que acontecer a mudança para a nova estrutura, vamos trabalhar no planejamento de 2027 para deixar um carro à disposição do CAPS”, comprometeu-se.
Para o secretário, reorganizar os serviços e controlar despesas tornou-se fundamental para manter os atendimentos diante de um orçamento municipal pressionado pela redução da arrecadação.






