Ibirubá, 05 de Setembro de 2026

Novo convênio com Hospital Annes Dias supera em 12,5% a média dos últimos três anos

Proposta prevê R$ 3,777 milhões em 12 meses e pretende unificar pagamentos hoje realizados por diferentes contratos, credenciamentos e transferências

J

JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Novo convênio com Hospital Annes Dias supera em 12,5% a média dos últimos três anos

Pagamentos realizados pelo Município de Ibirubá ao Hospital Annes Dias somaram R$ 10,068 milhões entre 2023 e 2025, média anual de R$ 3,356 milhões. O novo convênio encaminhado à Câmara prevê R$ 3,777 milhões durante 12 meses, valor R$ 420,7 mil superior à média histórica. A diferença representa crescimento de 12,5%. A parcela proposta, de R$ 314.750, também supera a média mensal de R$ 279.686 registrada nos três anos anteriores.

Os dados são resultado de levantamento realizado pelo Jornal O Alto Jacuí com base no Projeto de Lei Municipal nº 028/2026, nas informações apuradas com representantes do Município, do Legislativo e do hospital e na análise dos pagamentos efetuados pela Prefeitura à instituição nos últimos anos. Foram examinados valores destinados a plantões médicos, serviços hospitalares, credenciamentos e transferências assistenciais.

Em 2023, o Município pagou R$ 3,044 milhões ao hospital. O montante subiu para R$ 3,675 milhões em 2024, maior resultado do período, e fechou 2025 em R$ 3,348 milhões. Os registros demonstram que o financiamento municipal já reunia diferentes modalidades, combinando pagamentos por serviços e plantões com transferências voltadas à manutenção da instituição.

O Projeto de Lei nº 028/2026 foi lido em plenário e encaminhado às comissões da Câmara. A proposta autoriza o Poder Executivo a celebrar um convênio para auxiliar no custeio operacional do hospital, assegurando atendimento ininterrupto, consultas, procedimentos, internações e exames complementares.

A justificativa apresentada pela Prefeitura sustenta que o valor foi definido a partir da média dos recursos que vinham sendo repassados de forma fracionada. O levantamento da reportagem mostra, contudo, que a nova previsão ficará R$ 420,7 mil acima da média dos três exercícios completos analisados. O secretário municipal da Saúde, Rogério Mauri de Oliveira, afirmou que a diferença também envolve a ampliação de serviços. “Praticamente é a mesma coisa. Aumentaram alguns serviços”, declarou.

Segundo Rogério, a principal mudança será a concentração dos pagamentos em um único instrumento. “Eram vários contratos, vários convênios. Agora vai se unificar isso”, resumiu. A intenção apresentada pelo Executivo é proporcionar uma receita mensal previsível ao hospital e facilitar o planejamento da assistência oferecida à população.

Para 2026, o projeto abre crédito suplementar de R$ 1,259 milhão, montante equivalente a quatro parcelas de R$ 314.750. O valor será retirado da modalidade de aplicações diretas e transferido para a categoria destinada a instituições privadas sem fins lucrativos. A movimentação não representa ingresso de recurso novo no orçamento, mas altera a forma como o dinheiro será destinado ao hospital. As oito parcelas restantes somam R$ 2,518 milhões e deverão ser contempladas no exercício de 2027.

Contratos vigentes e transição para o novo modelo

Atualmente, o Município paga separadamente pelo plantão médico presencial, por procedimentos hospitalares credenciados, pelo sobreaviso e pela complementação da tabela SUS. O contrato dos plantões possui vigência até dezembro de 2026, enquanto o credenciamento relacionado ao sobreaviso apresenta aditivo válido até julho de 2027.

O secretário assegurou que esses serviços serão reunidos na nova parceria, mas a forma de encerramento ou substituição dos instrumentos atuais ainda deverá ser detalhada durante a tramitação. A definição é necessária para estabelecer quando terminam os pagamentos separados e quando começa a parcela fixa.

Uma reunião entre Rogério e os vereadores está marcada para o próximo dia 10. O encontro deverá esclarecer o funcionamento da transição, a composição do valor mensal e as dúvidas levantadas pelas comissões antes de a proposta seguir para votação.

O presidente do Legislativo, Cristiano André da Silva, confirmou à reportagem que o projeto chegou à Câmara sem o Plano de Trabalho citado no próprio texto. Também informou que foram identificadas questões jurídicas que precisam ser analisadas, sem especificar quais são. Provocado pela reportagem a se manifestar sobre a nova parceria, o diretor do Hospital Annes Dias, Odair Funck, informou que a instituição pretende realizar uma entrevista coletiva após a aprovação do projeto. Até lá, a discussão permanece concentrada nas comissões e na reunião marcada entre o secretário e os vereadores.

A proposta representa uma mudança importante na relação entre o Município e o Hospital Annes Dias. Mais do que atualizar valores, ela substitui uma estrutura composta por diferentes pagamentos por uma transferência mensal fixa. A importância do hospital para a assistência à população é reconhecida, mas a dimensão financeira e a alteração do modelo exigem análise criteriosa do Legislativo antes da votação.

Compartilha esta notícia:

Notícias relacionadas