Ibirubá, 16 de Outubro de 2026
Ao vivo

Rádio Cidade Ibirubá

Casal de Ibirubá percorre 54 quilômetros pela fé

Da Maratona de Berlim à Romaria de Fátima em Cruz Alta

A

ADEMIR CAMARGO

Casal de Ibirubá percorre  54 quilômetros pela fé

O rosário pendurado no pescoço de Maurício Cela anunciava que aquela não seria uma caminhada qualquer. Ao lado da esposa, Karina Tonieto, ele havia deixado Ibirubá por volta das 18h de sábado, 10 de outubro, com um destino e uma promessa: percorrer a pé os 54 quilômetros até Cruz Alta para participar da Romaria de Nossa Senhora de Fátima. Pela frente, uma noite inteira de caminhada, o silêncio da estrada e a força de uma fé que os dois decidiram transformar em movimento.

Foi às margens da ERS-223 que o repórter Ademir Camargo, da Rádio Cidade de Ibirubá, encontrou o casal. A cena chamou sua atenção. Enquanto muitos peregrinos seguiam em direção a Cruz Alta, Maurício e Karina carregavam uma história especial. Apenas oito dias antes, haviam retornado da Alemanha, onde participaram da Maratona de Berlim, uma das mais prestigiadas competições de corrida do mundo.

Acostumados aos 42 quilômetros de uma maratona, os dois agora enfrentavam uma distância ainda maior. Mas, desta vez, não havia cronômetro, disputa por posições ou medalha esperando na chegada. O que os movia era a gratidão.

“É um misto de fé com promessa. A gente pratica bastante esporte e faz isso também para se fortalecer”, explicou Maurício, enquanto conversava com a reportagem, sem perder de vista o longo caminho que ainda precisava percorrer.

A decisão de participar da romaria havia sido tomada antes mesmo da viagem à Europa. Completar a Maratona de Berlim era um sonho e, se tudo transcorresse bem, o casal faria a caminhada até Cruz Alta como forma de agradecimento.

“Faz oito dias que voltamos da Alemanha. Fizemos a Maratona de Berlim. Nosso objetivo era fazer a maratona e, se ocorresse tudo bem, como ocorreu, nós faríamos a caminhada. Um ato de fé, de agradecimento e também para nos fortalecer enquanto esportistas”, contou Karina.

Maurício trabalha na área de engenharia da Vence Tudo, enquanto Karina é professora do Instituto Federal. Na rotina dos dois, o esporte representa disciplina, preparação e superação. Mas a caminhada religiosa acrescentou outro sentido a essa experiência: o de reconhecer as conquistas e agradecer por elas.

Questionados sobre o desafio de atravessar a noite caminhando, responderam com a tranquilidade de quem conhece os próprios limites. A previsão era chegar a Cruz Alta entre 5h e 6h da manhã de domingo, depois de aproximadamente 12 horas de percurso.

A experiência também despertou lembranças no repórter Ademir Camargo, que contou ao casal já ter realizado aquela mesma caminhada, igualmente concluída em cerca de 12 horas. O encontro, breve e espontâneo, revelou uma daquelas histórias que surgem inesperadamente no caminho de quem faz jornalismo.

“Olha isso aí, que dedicação! Olha a fé, que bacana!”, comentou Ademir, admirado com a disposição dos peregrinos.

Antes de se despedir, o repórter desejou uma boa jornada. “Vamos com Deus, que Deus acompanhe”, disse, enquanto Maurício e Karina retomavam o caminho em direção a Cruz Alta.

Naquele instante, a estrada ainda era longa. O rosário seguia no peito de Maurício, os passos continuavam firmes e a noite começava a envolver a paisagem. A cada quilômetro, a promessa se aproximava de seu cumprimento.

Há algo de profundamente simbólico nessa história. Em Berlim, Maurício e Karina correram para alcançar uma conquista pessoal. Poucos dias depois, nas estradas do Alto Jacuí, caminharam para agradecer por ela. Em uma experiência, a superação do corpo. Na outra, a manifestação da fé. Em ambas, a determinação de seguir em frente.

Porque nem toda chegada precisa de uma medalha. Algumas têm como recompensa a paz de uma promessa cumprida e a certeza de que há conquistas que só fazem sentido quando encontram a gratidão.

Compartilha esta notícia:

Notícias relacionadas