Ibirubá, 31 de Outubro de 2026
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Entre embalagens e afeto: a história de uma mãe que empreende com amor em Ibirubá

Luiza e Ana Laura: a história de uma mãe que não mediu esforços para ver a filha sorrir

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Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Entre embalagens e afeto: a história de uma mãe que empreende com amor em Ibirubá

Não são os produtos nas prateleiras que definem a história de Luiza Wescenfelder Nodari. O que realmente importa não pode ser exposto na vitrine, nem carregado em sacolas: é o amor imenso de uma mãe por sua filha, o orgulho de quem batalhou sozinha, e a certeza de que cada escolha — por mais difícil que tenha sido — foi feita pensando nela: Ana Laura.
Luiza nasceu na comunidade de Linha São Pascoal, interior de Selbach, e foi ainda menina quando decidiu escrever seu próprio destino. Aos 13 anos saiu de casa, foi morar sozinha e começou a trabalhar. “Queria ter meu dinheiro, fazer minhas coisas, ser independente. Nunca tive medo de lutar”, conta. E desde então, não parou mais.
Aos 18, veio a maternidade. Ana Laura chegou mudando tudo: os planos, o ritmo, a forma de ver o mundo. Aos quatro meses, a filha já frequentava escolinha, enquanto Luiza enfrentava jornadas duplas, às vezes triplas, para garantir uma vida melhor para as duas. “Foram anos difíceis. Teve época que a gente só tinha empanado e miojo pra comer. Mas mesmo assim, eu nunca deixei de acreditar que dias melhores viriam.”
Por cinco anos, trabalhou vendendo internet, viajando por 72 municípios. Saía cedo, voltava tarde — ou nem voltava. Dormia em hotéis, rodava quilômetros, mas tudo com um propósito: oferecer à filha as oportunidades que ela mesma não teve. “Era dolorido ficar longe. Mas eu precisava garantir o nosso futuro.”
Ana Laura cresceu com essa mãe forte como exemplo. Hoje, com 12 anos, fala sobre tudo isso com maturidade: “Eu admiro muito a mãe. Por tudo que ela passou, pelo que ainda enfrenta, por tudo que ela fez por mim. Ela sempre se sacrificou para me ver feliz, e eu vejo isso. Ela me criou com esforço, com carinho, com verdade. Ela é minha referência.”
A menina já ajuda em datas especiais, acompanha a mãe na loja, mas também sonha com o futuro: “Quero ser advogada. Gosto de estar ao lado dela, mas também quero seguir meus próprios caminhos. E sei que ela vai apoiar, como sempre apoiou.”
Foi justamente pensando em estar mais presente na vida da filha que Luiza decidiu mudar. Durante uma visita despretensiosa a uma loja em Ibirubá, onde morava há alguns anos, conheceu a Tudo Mais. A loja já existia desde 2016, mas quando ela entrou pela primeira vez, sentiu um chamado. “Na hora eu soube: é aqui. Me apaixonei. Mesmo sem entender nada do ramo de embalagens e confeitaria, eu senti que era ali que eu iria recomeçar.”
Assumiu a loja há três anos e aprendeu tudo na prática. “A primeira caixinha que tive que montar, procurei um vídeo no YouTube. Fui atrás de cursos, pedi ajuda às marcas, fui me virando como pude.” Com o tempo, além de vender produtos, passou a oferecer cursos de culinária, principalmente em datas comemorativas, como o Dia dos Namorados. A loja virou espaço de acolhimento, um lugar onde ela coloca amor em cada detalhe — o mesmo amor que sempre dedicou à filha.
Hoje, Luiza é reconhecida em Ibirubá como uma mulher de coragem, presença e fé. E deixa uma mensagem para outras mães que vivem jornadas parecidas:
“A gente passa por muita coisa calada. Passa fome, medo, noites mal dormidas. Mas se eu pudesse dizer algo para cada mãe que luta sozinha, eu diria: não desiste. Chora se precisar, ora, respira fundo. Mas não para. Porque um dia, teu filho vai olhar pra ti com orgulho — e vai te agradecer. E aí, tudo vale. Tudo.”
Ana Laura já olha assim. E Luiza já sabe que valeu.

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