
Há 35 anos, moradora de Ibirubá enfrenta cirurgias e desafios diários ao lado do filho Patrick, em uma trajetória marcada por fé, coragem e amor .
Existem histórias que não cabem apenas em uma entrevista. Histórias que atravessam décadas, desafiam diagnósticos e fazem qualquer pessoa repensar o verdadeiro significado da palavra amor. A trajetória de Naidi Swaroswky Camargo é uma delas.
Por trás da voz calma e do sorriso tímido de uma manicure conhecida em Ibirubá, existe uma mulher que passou grande parte da vida dentro de hospitais, viajando de ônibus com o filho nos braços, enfrentando noites sem dormir e aprendendo, dia após dia, a sobreviver ao medo de perder aquilo que tinha de mais precioso.
Há 35 anos, a rotina de Naidi passou a ser guiada pelo cuidado com Patrick, o filho caçula, diagnosticado ainda bebê com hidrocefalia severa e, anos mais tarde, também com autismo. Uma caminhada marcada por cirurgias, incertezas e pela insistência de uma mãe que se recusou a aceitar respostas fáceis quando sentia que algo estava errado.
“Até os cinco meses ele era um bebê normal, lindo, gordinho, respondia aos estímulos, sorria, fazia tudo certinho. Mas depois daquela internação eu comecei a perceber que ele estava diferente. Ele foi parando os reflexos, começou a regredir e eu sentia dentro de mim que tinha alguma coisa acontecendo.”
A desconfiança de Naidi acabou salvando a vida do filho. Depois de ouvir que deveria apenas voltar para casa porque Patrick “não tinha nada”, ela decidiu continuar procurando ajuda.
“Eu sentei naquela escadaria em um hospital em Passo Fundo e pensei: não vou embora daqui sem descobrir o que meu filho tem.”
Pouco depois veio o diagnóstico: hidrocefalia grave. A família, sem condições financeiras, enfrentou uma rotina de viagens, hospitais e cirurgias. Foram 11 procedimentos na cabeça ao longo da vida de Patrick.
“Teve dias que a gente não tinha dinheiro nem pra passagem. Muitas vezes voltamos de carona pra casa. Eu passava 20, 30 dias dentro de hospital com ele e depois voltava pra casa só o bagaço. E ainda tinha que seguir trabalhando, cuidando da casa, da família e dele.”
Mesmo diante das dificuldades, Naidi nunca permitiu que o filho fosse tratado como incapaz. Lutou para que ele estudasse em escola regular, convivesse com outras crianças e tivesse uma vida o mais próxima possível da normalidade.
“Antigamente tinha muito preconceito, muita gente escondia os filhos especiais dentro de casa. Eu nunca fiz isso. Sempre levei ele junto, sempre incentivei ele a viver, estudar, conviver, porque eu queria que ele tivesse dignidade.”
Hoje, Patrick trabalha há 14 anos na Indutar, concluiu os estudos, fez curso técnico e construiu sua rotina, mesmo convivendo com limitações motoras e o autismo diagnosticado já na fase adulta.
Mas um dos momentos mais marcantes da vida de Naidi aconteceu em 2012, quando Patrick entrou em coma após uma cirurgia.
“Eu olhava pra ele e dizia pras enfermeiras: ele não está bem. E elas falavam que ele estava dormindo. Mas mãe conhece o filho. Quando o médico chegou, examinou ele e olhou pra mim, só disse uma coisa: ‘Mãe, reza’. Eu nunca vou esquecer daquele momento.”
Patrick voltou para o centro cirúrgico, reagiu e sobreviveu. Desde então, Naidi carrega uma fé ainda maior.
“Eu acho que Deus segurou ele pelas mãos muitas vezes. Porque ele é um milagre na nossa vida.”
Ao falar do filho, a voz dela muda. Fica mais leve, mais doce.“Ele me chama de ‘Naidinha’. Não me chama de mãe. E eu agradeço todos os dias por ter ele comigo. Porque, apesar de tudo que nós passamos, ele sempre foi a nossa maior bênção.”
Hoje, ao olhar para Patrick trabalhando, convivendo com a família e seguindo sua rotina, ela enxerga muito mais do que diagnósticos ou limitações





















