
A rotina intensa enfrentada pelos trabalhadores do comércio, especialmente em supermercados, farmácias e lojas, tem colocado em evidência a discussão sobre a escala 6x1.
Sindicato dos Comerciários de Ibirubá, que também abrange Boa Vista do Incra e Quinze de Novembro, o tema ganha força em meio às discussões nacionais sobre a possível redução da jornada de trabalho.
Presidente da entidade, Diulia Geschunder destaca que a proposta de mudança para a escala 5x2 não se limita à diminuição de horas trabalhadas, mas representa uma transformação na qualidade de vida dos trabalhadores. Com 17 anos de experiência no setor, ela afirma que a sobrecarga atinge principalmente mulheres. “Tem trabalhadoras que acordam às 6h, organizam filhos, trabalham o dia inteiro e à noite ainda têm casa e família. O tempo para autocuidado simplesmente não existe”, relata.
Segundo ela, os relatos recebidos pelo sindicato evidenciam impactos profundos. “Já ouvimos de comerciárias com mais de 20 anos de carteira assinada que não viram os filhos crescer. Isso mostra o quanto essa escala compromete a vida pessoal”, afirma. Diulia acrescenta que a redução da jornada pode trazer benefícios também para as empresas. “Onde já foi adotada, houve menos afastamentos, menos acidentes e aumento de produtividade”, pontua.
A diretora do sindicato, Iara da Rosa, reforça que a realidade se reflete diretamente dentro de casa. Trabalhadora do setor e mãe, ela relata as dificuldades de conciliar trabalho e família. “Quando a rotina é puxada, a gente quase não convive. No único dia de folga, é tudo acumulado: lavar roupa, organizar a casa. Não sobra tempo nem para descansar direito”, diz.
Para ela, a possibilidade de um segundo dia de descanso, mesmo que durante a semana, já representaria avanço significativo. “A gente precisa de tempo para levar filho ao médico, cuidar da saúde e resolver coisas básicas. Um dia só não dá conta”, explica. Iara também destaca que a medida pode impactar positivamente o bem-estar. “Vai melhorar o psicológico e até a produtividade, porque o trabalhador volta mais descansado”, completa.
Em relação à preocupação de parte dos empresários sobre possíveis perdas financeiras, especialmente em setores com comissões, Diulia afirma que a experiência prática tem mostrado equilíbrio. “O salário base está garantido e, em muitos casos, a comissão não sofreu queda significativa. O trabalhador descansado rende mais”, argumenta.
O sindicato segue promovendo ações de conscientização junto à categoria, com visitas às empresas e diálogo direto com trabalhadores e empregadores. A entidade reúne cerca de 120 associados e representa aproximadamente 800 comerciários na região. “São os trabalhadores que mantêm o comércio funcionando. Valorizar essa força é essencial”, conclui a presidente.





















