
Ainda antes das primeiras horas da manhã, o movimento já começava a tomar forma. Caixas, redes, tanques improvisados e a expectativa de mais uma edição da Feira do Peixe Vivo davam o tom de um costume que resiste ao tempo em Quinze de Novembro. Em meio à rotina acelerada dos dias atuais, o município voltou a provar que tradição não se perde — se cultiva.
Realizada na semana que antecedeu a Páscoa, a feira reuniu produtores e consumidores em dois pontos estratégicos. Na quarta-feira, a comercialização aconteceu junto à Agropecuária Canaju, em Santa Clara do Ingaí. Já na quinta-feira, foi a vez da Praça Municipal se transformar em um espaço de encontro, onde a Turma da Despesca conduziu a venda dos peixes frescos, criando um cenário que misturou trabalho, conversa e proximidade.
Mais do que garantir produto de qualidade à mesa, a feira carregou um significado maior. Em um momento em que essa prática já não é comum em muitos municípios, Quinze de Novembro se mantém como uma das poucas cidades da região que ainda preserva a venda direta do peixe vivo, fortalecendo não apenas a economia local, mas também uma herança cultural ligada à alimentação e ao modo de vida do interior.
Integrada à Feira do Produtor e do Artesão, a iniciativa ampliou ainda mais esse vínculo entre campo e cidade, reunindo alimentos, histórias e pessoas em um mesmo espaço. A participação da comunidade foi decisiva para o sucesso da edição, evidenciando que a tradição segue viva porque é valorizada por quem faz parte dela.
Ao final, o prefeito Marcos Petri trouxe um olhar direto sobre o que sustenta a continuidade da feira. “Isso aqui não acontece por acaso. Tem gente que acorda cedo, que trabalha pra produzir, que organiza tudo e que acredita que vale a pena manter. E tem a comunidade que vem, compra e faz isso continuar existindo”, afirmou. Em tom de reconhecimento, ele destacou o papel coletivo do evento. “Se hoje Quinze de Novembro ainda mantém a Feira do Peixe Vivo, é porque existe esse conjunto. E enquanto tiver esse envolvimento, a gente vai seguir preservando essa tradição que é nossa.”






















