Ibirubá, 31 de Agosto de 2026

Sequência de mortes de cães e gatos em Selbach levanta suspeita de envenenamento

Casos ocorreram ao longo de uma semana, concentram-se em uma mesma região do município e seguem sob investigação

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Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Sequência de mortes de cães e gatos em Selbach levanta suspeita de envenenamento

Uma sequência de mortes de cães registrada ao longo de uma semana em Selbach, no Noroeste do Rio Grande do Sul, gerou apreensão entre moradores e mobilizou protetores de animais e forças de segurança. Ao menos 10 cães morreram em circunstâncias que apresentam sinais compatíveis com possível intoxicação. Os casos ocorreram em áreas próximas entre si, o que reforçou o alerta na comunidade. Também houve registros de gatos mortos e de outros animais desaparecidos na mesma região.
A situação começou a ganhar visibilidade na quarta-feira da semana passada, quando moradores passaram a divulgar nas redes sociais o desaparecimento da cadela Mila, um animal comunitário bastante conhecido. A partir dessa mobilização inicial, outros relatos começaram a surgir, indicando que o caso não era isolado. “Quando fomos atrás da Mila, percebemos que havia outros cães desaparecidos na mesma área. As informações começaram a chegar praticamente ao mesmo tempo”, relata Mirian Maldaner, da ONG Cão Viver Selbach.
Entre os animais citados estava Fofo, que tinha tutor, mas costumava circular livremente pelo bairro e também recebia cuidados de moradores. Conforme o levantamento feito pela ONG, pelo menos três cães desapareceram em um curto intervalo de tempo, todos na mesma localidade, o que acendeu o alerta entre os protetores.
No dia seguinte, a situação se agravou com a informação de que a Secretaria de Obras do município havia recolhido três cães já em óbito. Segundo Mirian, os animais apresentavam sinais clínicos sugestivos de intoxicação, como salivação excessiva, e foram encontrados em pontos próximos entre si. “Esses animais foram recolhidos já sem vida e tiveram o destino adequado. Depois, uma das cadelas foi reconhecida como sendo a Maria, que constava entre as desaparecidas”, explica.
Com o avanço dos dias, novos casos passaram a ser relatados. Um gato foi encontrado morto em outra área próxima, enquanto moradores informaram o desaparecimento de gatos comunitários que costumavam circular pela mesma região. Na sequência, a ONG recebeu uma denúncia sobre a desova de um cão no interior do município. O animal foi localizado enterrado dentro de um saco plástico e reconhecido pela própria tutora. “A decomposição já estava bastante avançada, o que impossibilitou qualquer confirmação sobre a causa da morte”, afirma Mirian.
Ainda durante o mesmo período, outro cão foi encontrado com vida, apresentando sinais graves de intoxicação. Ele foi encaminhado para atendimento veterinário, mas não resistiu. Esse é, conforme a ONG, o único caso que possui laudo veterinário, apontando sinais clínicos compatíveis com intoxicação, embora sem identificação laboratorial da substância envolvida.
Ao final do levantamento, 10 mortes de cães foram oficialmente registradas e comunicadas à Polícia Civil, que instaurou investigação para apurar os fatos. A Brigada Militar também foi acionada e acompanha o caso. Mirian reforça que, apesar dos fortes indícios, é necessário cautela. “A gente precisa ser muito responsável. São possíveis casos de envenenamento. O que existe são sinais clínicos e uma grande concentração de ocorrências em um curto espaço de tempo”, pondera.
Enquanto as investigações seguem, o clima entre moradores e protetores de animais é de insegurança e angústia. “É muito triste não conseguir dar uma resposta e não saber se isso vai parar. A gente acorda todos os dias com medo de receber mais uma notícia dessas”, desabafa Mirian.
A ONG Cão Viver Selbach segue monitorando a situação e reforça o pedido para que qualquer informação seja repassada às autoridades. “Qualquer informação pode ser fundamental. Pedimos que as pessoas entrem em contato conosco ou façam denúncia anônima diretamente à Brigada Militar ou à Polícia Civil”, finaliza.

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