
Fotógrafo de Ibirubá, Jonatan Diego é hoje referência nacional na fotografia de casamento e criador do Ative, projeto que já formou mais de 100 profissionais. Ao lado da esposa Bianca Pezzini, comanda o estúdio O Jo e a Bi, marcado por emoção e excelência.
Aos 34 anos, Jonatan Diego carrega no olhar o que muitos não enxergam: o valor do instante. Nascido e criado na Vila Bode, o Bairro Santa Helena, periferia de Ibirubá, ele moldou sua sensibilidade primeiro nos palcos, atuando como palhaço ao lado do tio, o ator e palhaço Teté. No entanto, o peso da realidade chegou cedo. Aos 18 anos, com o nascimento da filha, Jonatan trocou o figurino pela farda de metalúrgico. Era a sobrevivência sobrepondo-se ao sonho. “Eu precisava pagar fralda. Larguei o desejo, mas não o enterrei”, recorda.
Anos depois, o reencontro com a arte aconteceu por acaso, através de uma câmera simples e do convite para filmar futebol amador. Ali, ele percebeu que o olhar próprio permanecia intacto. Foi a esposa, Bianca, quem identificou o talento bruto e o impulsionou: “Conhecimento transforma”, ela disse. Jonatan aceitou o desafio, buscou formação e nunca mais parou.
Hoje, o casal comanda o estúdio O Jo & a Bi, referência em fotografia de casamento no Brasil. Com um estilo autoral e documental, seus ensaios cruzaram fronteiras, levando o nome de Ibirubá para estados como Mato Grosso, Minas Gerais e Espírito Santo. O diferencial está na busca pela entrega emocional. “Eu não clico o beijo. Clico o que vem depois: o riso, o alívio, o choro. A verdade está ali”, explica o fotógrafo que, em um único evento, chega a captar 25 mil imagens com o rigor técnico de quem protege cada memória: “Já escondi cartão de memória na meia, no tênis. Podem levar a câmera, mas não a história”.
Essa busca pela imagem com propósito reflete-se também em seu trabalho institucional na Coprel. Jonatan defende um modelo real, sem filtros de bancos de dados. “Fotografo o funcionário verdadeiro. Isso gera pertencimento e verdade”, afirma.
Contudo, a trajetória de sucesso não o blindou de perdas profundas. Em 2025, a família despediu-se de Cláudia, sogra de Jonatan e pilar central da casa. No espaço onde ela atendia como terapeuta e cabeleireira, agora floresce o novo estúdio da família. Mais do que uma reforma, o local simboliza um recomeço carregado de sentido.
O desejo de compartilhar o aprendizado deu origem ao Ative, projeto de formação que já capacitou mais de 100 profissionais. O curso mescla técnica e vivência em um processo que ele define como “cura pela imagem”. Em março, Jonatan dará mais um passo rumo ao topo, participando de uma imersão com o fotógrafo número um do mundo.
Apesar dos voos altos, o chão continua sendo Ibirubá. “Quero mostrar que é possível viver da arte aqui, sem virar personagem do sucesso dos outros”, pontua. Na rotina, a meta agora é a qualidade sobre a quantidade, priorizando o tempo com a família. Enquanto Bianca foca na fotografia materna, Jonatan dedica-se à técnica e à edição.
Para ele, a imagem impressa é a última barreira contra o esquecimento. “Foto é memória física. É como jornal impresso: pode passar o tempo, mas está lá, com data e contexto. Ninguém apaga”, reflete. Jonatan Diego evita os holofotes, mas domina as lentes, ciente de que cada clique é um pedaço de alguém que se torna eterno. “Se eu errar, não tem replay.”






















