
A rotina de Janaína Krammes Moisés, 35 anos, é marcada pela dor, pela solidão e pela resistência. Moradora do bairro Floresta, em Ibirubá, ela é mãe solo de duas crianças — Victor, de 8 anos, e Lavínia, de 10. Ela enfrenta desde 2021 uma doença rara chamada acromegalia, causada por um tumor na hipófise, a glândula localizada na base do cérebro.
“Eu sempre me alimentei bem, sempre fui magrinha. De repente comecei a inchar, a engordar. Meus sapatos não serviam mais, os anéis apertavam, comecei a sentir que tinha algo errado”, relembra. A busca por ajuda começou em uma consulta médica. “A médica me ouviu e disse: ‘Acho que já sei o que tu tem’. Foi tudo muito rápido, e ali começou o meu novo desafio.”
O diagnóstico veio com a confirmação de um tumor que provoca a produção excessiva do hormônio do crescimento. “Quando ela disse que era acromegalia, eu não entendi nada. Depois, vendo as imagens, ela me explicou o que era. Era um tumor, e meu corpo estava mudando por causa disso.”
A acromegalia provoca aumento desproporcional de partes do corpo, como mãos, pés e rosto. Também pode afetar órgãos internos, gerar apneia do sono, alterações na visão, dores articulares e insuficiência cardíaca — condição que Janaína também desenvolveu.
Até o diagnóstico, ela trabalhava normalmente com faxinas. Hoje, faz apenas uma por semana. “Não tenho mais força. Me canso muito. Meu corpo não é o mesmo”, desabafa. A renda mensal, somando Bolsa Família, pensão de um dos filhos, vendas esporádicas e a faxina, chega a cerca de R$ 1.200. “Pago aluguel, luz, água... A gente sobrevive, mas é bem difícil.”
O tratamento exige uso de medicamentos de alto custo, que inicialmente chegaram por meio de decisão judicial. “A medicação custa R$ 12 mil. Consegui pelo Estado, mas não estava fazendo efeito. Então tentei a cirurgia.” A primeira tentativa aconteceu em fevereiro de 2023, no Hospital Santa Casa, em Porto Alegre. “Eu achei que ia sair de lá curada. Mas na hora da cirurgia, começou a vazar o líquor e eles tiveram que parar. Fecharam e não conseguiram retirar o tumor.”
O trauma da cirurgia malsucedida ainda está presente, mas a esperança de uma nova tentativa não foi abandonada. “Eu quero tentar de novo. Quero ter uma chance de ficar bem. Eu sei que pode dar certo.”
Sem conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC), Janaína também deixou de receber apoio da assistência social do município. “Antes vinham aqui, acompanhavam, mas agora não. Só a Liga Feminina do Combate ao Câncer que me ajuda com uma cesta básica por mês. Se não fosse isso, ia ser ainda mais difícil.”
Apesar de tudo, ela mantém a fé e a gratidão à comunidade que a ajudou em campanhas e rifas. “No começo, recebi muita ajuda. O pessoal me abraçou mesmo. Hoje, é mais silencioso, mas eu sigo agradecendo.”
Questionada sobre o que mais precisa, Janaína não hesita: “Qualquer ajuda faz diferença. Roupa, alimento, material escolar pras crianças. Às vezes, só um olhar atento já vale”.
A realidade de Janaína é também um retrato de muitas mulheres brasileiras que enfrentam sozinhas a responsabilidade da maternidade e o peso das desigualdades sociais e de saúde. “Não é que eu não queira trabalhar. Eu não consigo. E meus filhos precisam de mim.”
Janaína deixou seu Pix para doações: (54) 99175-1849, em seu nome. “Quem quiser ajudar, fico muito grata. Toda contribuição, por menor que seja, ajuda muito a gente.”





















