
Acordo comercial permite que produtores utilizem a estrutura da cooperativa para comercializar grãos diretamente com a Olfar, mantendo a logística atual.
No centro de um amplo processo de reestruturação administrativa e financeira, a Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá) anunciou uma parceria estratégica com o Grupo Olfar que amplia as alternativas de comercialização para seus associados. O contrato de prestação de serviço, anunciado na quinta-feira (05) nas redes sociais do Grupo, permite que os produtores escolham entre entregar sua safra para a cooperativa ou comercializá-la diretamente com a Olfar, utilizando a rede de 31 unidades de recebimento da própria Cotribá.
O movimento ocorre simultaneamente à venda de duas unidades (Cachoeira do Sul e Arroio Grande) para a Olfar. Mesmo com a troca de propriedade nessas estruturas e o acordo de originação nas demais, a Cotribá segue responsável pelas operações de recebimento, classificação, padronização e armazenagem dos grãos, garantindo a continuidade do serviço ao produtor e o pleno funcionamento das unidades. O contrato vale por 15 anos.
Novas opções ao associado
Para o quadro social, a parceria representa uma flexibilização no mercado regional. Segundo o Grupo Olfar, que possui sede em Erechim e forte atuação no setor de biodiesel, a estratégia fortalece a rede de recebimento e oferece mais agilidade. O produtor rural passa a ter o benefício da logística já conhecida na Cotribá, mas com a liberdade de optar pela Olfar no momento da comercialização do grão.
Grandes desafios e pouco tempo para solução definitiva
Em nota, a Cotribá destacou que as recentes decisões estão alinhadas à estratégia da administração para conferir "maior agilidade e eficiência às tratativas". A cooperativa ressaltou que a reestruturação foca na sustentabilidade de longo prazo e no aprimoramento da gestão financeira e compliance, assegurando que todos os passos seguem rigorosamente a legislação vigente e os princípios cooperativistas.
A mudança de modelo ocorre em um momento de transição institucional. Com a saída do Sistema Ocergs e da Fecoagro/RS do acompanhamento direto do plano de crise — devido à adoção de um novo formato de consultoria e busca por investidores —, a Cotribá busca alternativas para sair da crise. A gestão agora busca acelerar mecanismos de recuperação para preservar a confiança de credores e associados antes do início da colheita da safra de verão 2025/2026.
Entidades do cooperativismo se afastam da reestruturação da Cotribá
A reestruturação financeira da Cooperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), com sede em Ibirubá, ganhou contornos mais delicados nesta semana com a saída oficial do Sistema Ocergs e da Fecoagro/RS do processo de reorganização administrativa e econômica da entidade. As instituições, que vinham apoiando ativamente a cooperativa desde o início da tentativa de superação da crise, alegam incompatibilidade do novo modelo adotado com a legislação cooperativista brasileira.
Em nota pública, as duas entidades afirmaram ter atuado de maneira estratégica e estruturada na fase inicial do processo, viabilizando a contratação de consultorias especializadas que apontaram caminhos técnicos para o enfrentamento de um passivo que ultrapassa R$ 1 bilhão.
“Apoiamos tecnicamente a Cotribá com diagnósticos e com a formulação de um plano de ação, sempre com base nas boas práticas do cooperativismo e da governança”, destaca o comunicado. Uma das recomendações foi a contratação de um CEO com perfil adequado ao momento, resultando na nomeação de Luís Felipe Maldaner, que deixou a função no último dia 20 de janeiro, após pouco mais de dois meses no cargo.
A decisão que culminou com o rompimento institucional teria sido a contratação, pela Cotribá, de uma empresa ligada ao mercado financeiro, cuja atuação envolve a figura de investidores externos. Segundo o Sistema Ocergs e a Fecoagro/RS, o modelo é incompatível com os princípios legais que regem as cooperativas no país, o que inviabilizou a continuidade do apoio institucional.
As entidades, no entanto, ressaltaram que seguem comprometidas com o fortalecimento do cooperativismo gaúcho e abertas a futuras interlocuções, desde que haja convergência com o marco legal e os valores do setor.
“As organizações reafirmam seu compromisso com o cooperativismo e com a boa governança”, reiteraram no texto.
Maldaner critica modelo adotado
A saída do então CEO Luís Felipe Maldaner também está diretamente ligada às mudanças estratégicas adotadas pela cooperativa. Em entrevista, ele afirmou que se desligou do cargo por não concordar com a condução do processo e por não ter participado das negociações com o fundo PHL Vision Hedge Fund and Trust.
“Nunca vi no mercado financeiro um fundo interessado em solucionar o problema de uma empresa colocando R$ 1,9 bilhão sem ter retorno financeiro”, declarou.
Maldaner também alertou para o histórico do presidente do fundo, Oderli Feriani, que, segundo ele, foi proibido de atuar no mercado de capitais brasileiro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2016. A informação, conforme o ex-CEO, pesou na decisão de não seguir à frente do projeto.
“O modelo proposto, além de pouco transparente, contraria os princípios que deveriam nortear uma cooperativa”, acrescentou.
A sucessão de rupturas institucionais e estratégicas amplia as incertezas sobre o futuro da Cotribá, que ainda busca na Justiça mecanismos de recuperação financeira formal. O momento é considerado delicado, com necessidade urgente de preservar a confiança de associados, fornecedores, credores e da própria comunidade cooperativista da região





















