
Prestes a encerrar seu ciclo como presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ibirubá (SISPI), José Roberto de Souza Silva, mais conhecido como Bombeiro José, concedeu entrevista fazendo um balanço dos últimos anos e abordando temas como plano de carreira, IPÊ Saúde e o vale-refeição.
Natural de Cruz Alta e servidor público desde 2002, José iniciou sua trajetória em Ibirubá como agente de trânsito e bombeiro civil. Em 2015, assumiu a presidência do SISPI, onde permaneceu ao longo de quase uma década. ''A luta sindical não é fácil. A gente tenta fazer o melhor pelo servidor, mas nem sempre é compreendido", avaliou.
Um dos principais desafios citados durante a conversa foi a falta de renovação nas lideranças sindicais.
"Tá difícil formar novas lideranças. E a ideia de sindicato tem sido cada vez mais desrespeitada. Muita gente pensa que é só para tirar dinheiro do servidor, mas esquece que todas as conquistas vêm da luta sindical", afirmou.
Plano de carreira e defasagem salarial
A ausência de um plano de carreira consistente para o quadro geral da prefeitura é uma das grandes frustrações do atual presidente. “Quando entrei, meu salário base era 2,7 vezes o salário mínimo. Hoje, 24 anos depois, esse valor está abaixo do que deveria ser. Não evoluímos”, lamentou José. Ele defende um modelo de progressão automática, semelhante ao de outras cidades, com reajustes periódicos escalonados. “Fizemos uma projeção com nosso contador, o Éder. Com 5% de avanço a cada três anos, em 20 anos a folha estaria equilibrada e o servidor com salário justo”, completou.
Vale-refeição e judicialização
Sobre o vale-refeição, José destacou a importância do benefício, mas criticou o uso indevido como substituto de reajustes reais. “É a última carta que o sindicato joga nas negociações. Não é salário e não conta para aposentadoria. O servidor se ilude com aumento no vale, mas quando se aposenta sente o baque”, alertou.
Ele também revelou que o sindicato vai ingressar com ações judiciais para garantir o pagamento retroativo do benefício a servidores afastados por doença ou em licença maternidade. “Já temos decisões favoráveis nesse sentido. Vamos mobilizar a assessoria jurídica de Cruz Alta para atuar aqui”, anunciou.
IPÊ Saúde: um peso para os que ganham menos
Um dos temas mais sensíveis da gestão é o IPÊ Saúde. Segundo José, o atual modelo penaliza os servidores de menor renda. “Antes, o valor era proporcional ao salário. Hoje, todo mundo paga igual, o que é injusto. Quem ganha menos sofre mais”, criticou. Ele citou seu próprio caso como exemplo: “Pagava R$ 640, agora são quase R$ 800 com desconto da prefeitura. Sem subsídio, passa dos R$ 1.000”.
O sindicato já estuda, junto ao Executivo, formas de compensação para os servidores de menor renda, a partir do próximo orçamento. "Tudo depende de previsão orçamentária. Mas queremos criar um escalonamento para aliviar esse impacto", explicou.
Futuro do sindicato em xeque
Com a previsão de iniciar oficialmente um escritório de advocacia em março de 2026, José admite que sua permanência no sindicato está com prazo contado. “Acredito que até dezembro realizaremos a eleição. Se não houver chapa, infelizmente teremos que encerrar as atividades do SISPI. Não é o que queremos, mas não posso conciliar as duas funções”, explicou.
Apesar dos obstáculos, José destacou as conquistas ao longo dos anos. “Muita coisa foi feita: avanços salariais, reestruturações, apoio jurídico gratuito. Mas como eu sempre digo, a caneta é do prefeito. O sindicato propõe, mas quem decide é o Executivo”, concluiu.





















