
Em entrevista à reportagem, o secretário Rogério Oliveira detalhou as medidas adotadas pela gestão para reorganizar a rede municipal, ampliar a capacidade de atendimento e equilibrar o orçamento da pasta.
Um dos principais movimentos da secretaria está na revisão da parceria com o Hospital da Comunidade Annes Dias. O município já mantém repasses regulares à instituição, considerada estratégica para o atendimento de urgência e emergência, mas trabalha agora em um novo modelo de subvenção que pretende consolidar diferentes contratos e serviços em um único plano de trabalho.
Segundo Rogério, a proposta busca dar maior transparência, previsibilidade financeira e agilidade nos atendimentos.
“Hoje existem vários contratos separados. A ideia é organizar tudo dentro de um plano único, com responsabilidades claras e mais eficiência no atendimento”, afirmou.
O projeto já avançou tecnicamente dentro da administração municipal e deverá passar por análise do Conselho Municipal de Saúde e debate com o Legislativo.
A avaliação da secretaria é de que fortalecer o hospital representa um investimento estratégico para o município. Sem a estrutura local de pronto atendimento, pacientes precisariam ser deslocados para cidades da região em situações de urgência, elevando custos e aumentando o tempo de resposta.
Além da reorganização financeira, a administração também atua em articulações para novos investimentos estruturais no hospital. Entre as demandas está a ampliação da capacidade de atendimento e melhorias em infraestrutura que permitam qualificar serviços.
Consórcios e regulação
Outro eixo da gestão está no controle dos encaminhamentos especializados e no uso mais racional dos recursos públicos.
Rogério destacou que parte dos atendimentos ocorre via Comaja. O secretário ressaltou, porém, que o modelo representa investimento direto do caixa municipal.
“O Comaja não é um serviço extra sem custo. É dinheiro do município sendo aplicado para atender a população”, observou.
Ao mesmo tempo, a secretaria tem buscado ampliar o uso do Gercon, sistema de regulação que permite encaminhamentos dentro da rede pública estadual, reduzindo a necessidade de custeio exclusivamente municipal.
A estratégia, segundo o secretário, é equilibrar o uso das duas ferramentas para evitar sobrecarga financeira.
“Precisamos usar aquilo que é responsabilidade do sistema público e, quando necessário, complementar com recursos próprios.”
A reorganização também busca corrigir gargalos administrativos e melhorar o fluxo entre atendimento básico, hospital e serviços especializados.
Orçamento sob pressão
O secretário afirmou que a principal diretriz da gestão é organizar os recursos disponíveis com critérios técnicos e responsabilidade fiscal.
“Nós estamos cuidando de dinheiro público. Precisamos ser assertivos para que os recursos cheguem onde realmente são necessários.”
A crescente demanda por exames, procedimentos especializados, atendimentos hospitalares e encaminhamentos regionais tem pressionado o orçamento municipal.
Segundo Rogério, o desafio é manter a capacidade de resposta da rede sem comprometer o equilíbrio financeiro da secretaria.
A estratégia passa por revisão de contratos, melhor organização dos fluxos e fortalecimento de parcerias. A entrevista completa está no canal do Youtube do OAJ.
Saúde Mental amplia demanda e exige nova estrutura
Os números refletem esse cenário. Conforme a Secretaria de Saúde, o município já destinou quase R$ 1 milhão em 2026 apenas para internações relacionadas a situações envolvendo saúde mental e dependência química, um custo que pressiona diretamente o orçamento da pasta.
Além do impacto financeiro, o desafio está na estrutura de atendimento. Ibirubá não conta hoje com leitos especializados para desintoxicação ou acolhimento psiquiátrico hospitalar, o que obriga o encaminhamento de pacientes para outras cidades por meio da regulação estadual.
A secretaria tem buscado ampliar o uso do Gercon para garantir que esses atendimentos sejam absorvidos dentro da rede pública, reduzindo o peso direto sobre o caixa municipal. Ainda assim, há casos em que o município precisa complementar o atendimento com recursos próprios, inclusive com suporte logístico às famílias.
Como resposta ao aumento da demanda, a administração investe na ampliação da estrutura do CAPS. A nova sede, em fase final de obras, deverá oferecer melhores condições de acolhimento, atendimento multiprofissional e privacidade para pacientes e equipes.
A gestão também defende a ampliação da oferta regional de leitos especializados, diante da avaliação de que a saúde mental se tornou um dos principais desafios da saúde pública contemporânea.






















