
A 14ª Procissão de Ogum reuniu centenas de fiéis em Cruz Alta, em caminhada pela Avenida Venâncio Aires, e marcou o anúncio de um censo religioso inédito para mapear as casas de matriz africana no município. A iniciativa do Conselho Estadual dos Povos de Terreira, apresentada durante a celebração, busca dimensionar a presença dos terreiros e orientar políticas públicas voltadas à inclusão e ao combate à intolerância religiosa.
O cortejo teve início em frente à Catedral, de onde lideranças religiosas e devotos seguiram em procissão até a Prefeitura Municipal. Imagens de São Jorge e Ogum conduziram o trajeto, acompanhado pelo toque dos tambores e pelos alabês, que entoaram pontos rituais ao longo da caminhada.
No encerramento, manifestações religiosas e culturais reforçaram o caráter simbólico do evento. Orações da Umbanda e apresentações artísticas marcaram a conclusão da procissão, em uma demonstração pública de sincretismo e afirmação cultural.
Além do caráter religioso, a edição deste ano teve como eixo central o fortalecimento institucional das comunidades de terreiro. Segundo Pai Evandro de Xapanã, presidente do Conselho Municipal dos Povos de Terreiro e coordenador de políticas setoriais da Prefeitura, o censo deverá levantar informações inéditas sobre a realidade do segmento.
"A realização do censo religioso em todas as casas de religião do município será um grande passo para conhecer o tamanho e a demanda das religiões de matriz africana em Cruz Alta", afirmou.
De acordo com ele, o levantamento permitirá identificar demandas concretas das comunidades, subsidiando ações do Poder Público em áreas como reconhecimento institucional, promoção da igualdade religiosa e enfrentamento à discriminação.
A proposta é considerada estratégica por lideranças do setor por oferecer, pela primeira vez, um diagnóstico estruturado da presença dos terreiros no município. A expectativa é de que os dados sirvam como base para políticas setoriais mais precisas.
A procissão contou ainda com a participação da prefeita Paula Facco Librelotto, que reiterou apoio à diversidade religiosa e à valorização das diferentes tradições presentes na cidade.
Um dos momentos de maior mobilização popular ocorreu no encerramento, com a interpretação da canção “Ogum”, de Zeca Pagodinho, pelo músico João di Lima, seguida pela oração de São Jorge





















