
O Sindicato dos Metalúrgicos de Ibirubá está erguendo uma nova sede com 3,5 mil metros quadrados, em um dos maiores investimentos da história da entidade. A obra, localizada ao fundo da transportadora Expresso São Miguel, está sendo realizada com recursos próprios e, segundo o presidente Jair Carlinhos Lauxen, representa um marco para os trabalhadores da região.
“Fizemos a aquisição do terreno com recursos próprios. Pagamos quase R$ 300 mil pelo terreno e o que já está construído passa de R$ 1 milhão. Não veio recurso de ninguém. É tudo do caixa do sindicato. Levantar três milhões não é fácil, mas nós começamos e vamos concluir”, afirmou.
A expectativa é que a estrutura esteja finalizada até o fim do ano. A mudança permitirá que o sindicato deixe o prédio alugado. “Esse aluguel que a gente paga todo mês dá dois mil tijolos. Fizemos levantamento técnico e decidimos investir na nossa casa própria. É um local amplo, com rua larga, que vai permitir estacionamento e melhores condições para a categoria”, destacou.
Hoje, o sindicato conta com 890 associados e atende trabalhadores de Ibirubá e de municípios como Cruz Alta, Salto do Jacuí, Campos Borges, Jacuizinho, Alto Alegre, Fortaleza dos Valos, Santa Bárbara do Sul e Saldanha Marinho. Lauxen ressaltou que a entidade se mantém ativa graças à contribuição voluntária dos sócios. “Depois que acabaram com a contribuição obrigatória, ficou difícil para todos os sindicatos do Brasil. Nós temos que agradecer a Deus por termos uma categoria unida, que contribui e permite que as coisas ainda aconteçam.”
Além da estrutura administrativa e social, a nova sede terá foco forte na qualificação profissional. “Vai ter leitura e interpretação de desenho, metrologia, torno mecânico, CNC, aparelhos de solda. O trabalhador que não é qualificado vai poder aprender uma profissão decente. Nós queremos preparar o nosso trabalhador para competir no mercado”, explicou.
Ele reforçou que os cursos serão oferecidos gratuitamente aos associados. “Quem contribui vai poder fazer os cursos sem custo. Não tem mais aluguel, não tem mais custo externo. A estrutura vai ser nossa.”
Ao fazer um balanço do setor, o presidente demonstrou preocupação com a formação das novas gerações. “A indústria está perdendo a nata da mão de obra, que é dos 12 aos 18 anos. Antes, o jovem começava cedo, aprendia uma profissão. Hoje é diferente. Se nós não investirmos em formação, daqui a dez anos o trabalhador vai perder espaço.”
Lauxen também relembrou o papel do sindicato na qualificação profissional ao longo das últimas décadas. “Os primeiros cursos de informática e desenho técnico que vieram para Ibirubá foram através do sindicato. Nós levávamos equipamento em caminhonete, botávamos cilindro de solda em cima e rodávamos mais de 100 quilômetros para dar curso. Fizemos isso em vários municípios da região.”
Ao falar da nova sede, ele enfatizou que o projeto é uma resposta concreta às dificuldades enfrentadas pelo movimento sindical no país. “Enquanto muitos sindicatos estão fechando porque não têm recurso, nós estamos construindo uma sede de 3.500 metros quadrados. Isso é resultado de organização e compromisso com o trabalhador.”
A estrutura ainda deverá contar com espaço social para a categoria, com salão para eventos e áreas de convivência. O sindicato é isso: é defesa de direitos, mas também é união.”
























