
Moradores relatam aumento nas contas, demora nas leituras e dificuldade de atendimento; iniciativa busca reunir consumidores para questionar serviços da concessionária
A insatisfação de moradores de Ibirubá com os serviços prestados pela Corsan Aegea começa a ganhar forma de mobilização coletiva. A iniciativa é liderada pelo jornalista Ingo Driemeyer, que está incentivando consumidores a procurarem a Defensoria Pública para reunir documentos e ingressar com uma ação judicial coletiva contra a concessionária responsável pelo abastecimento de água no município.
A ideia surgiu após Driemeyer perceber problemas na própria conta de água e ouvir relatos semelhantes de outros moradores da cidade. “Minha irmã comentou que há três meses não recebia a conta. Quando o funcionário passou fazendo a leitura, disseram que o hidrômetro dela nem constava no sistema. Aquilo já chamou a atenção”, relatou.
Situação semelhante ocorreu na residência do próprio jornalista. “Eu tenho dois hidrômetros no terreno. O funcionário fez a leitura de um e simplesmente passou reto pelo outro. Quando questionei, ele disse que aquele não aparecia no sistema. Foi aí que percebi que algo estava errado”, afirmou.
Ao buscar esclarecimentos, Driemeyer descobriu que a organização das rotas de leitura estaria sendo feita por sistemas automatizados, o que, segundo ele, pode estar provocando atrasos no cronograma. “O próprio funcionário explicou que agora a inteligência artificial define o roteiro. Ele disse que muitas vezes precisa pular várias ruas e depois voltar, ficando completamente perdido no trajeto”, contou.
Outro fator que preocupa é a falta de pessoal para realizar o serviço. Conforme relatado, um único profissional seria responsável pelas leituras em três municípios da região. “Ele faz Tapera, Selbach e Ibirubá. Não tem como uma pessoa só dar conta de três cidades. Isso acaba atrasando tudo”, destacou.
Entre as reclamações que chegaram até o jornalista estão contas consideradas muito acima do consumo habitual. “Tem gente que recebeu uma conta e logo depois veio outra. Tem casos de valores de até R$ 850. Para um casal de idosos, por exemplo, é um impacto enorme”, afirmou.
Diante da situação, Ingo procurou a Defensoria Pública, que confirmou a possibilidade de reunir consumidores para uma ação coletiva pedindo esclarecimentos da concessionária. “O defensor explicou que precisamos reunir mais pessoas com problemas semelhantes para fortalecer a ação. Por isso estou pedindo que quem tiver contas com valores elevados ou leituras fora do padrão leve os documentos até a Defensoria”, explicou.
Segundo ele, a mobilização também busca incentivar a participação da comunidade. “Quando publiquei sobre o problema, muita gente reclamou nas redes sociais. Mas agora precisamos que essas pessoas participem de verdade. Não adianta reclamar só no WhatsApp”, afirmou.
Ele reforça que a intenção não é deixar de pagar a conta de água, mas exigir transparência e regularidade no serviço. “Eu não estou dizendo que não devemos pagar. A água é um serviço essencial e precisa ser pago. O que queremos é que as cobranças sejam justas e que o atendimento funcione”, concluiu.
Como participar da ação coletiva em Ibirubá
Moradores de Ibirubá que tiveram problemas com a cobrança de água, valores considerados elevados nas faturas ou irregularidades na leitura do hidrômetro podem participar da mobilização que busca ingressar com uma ação coletiva contra a Corsan Aegea.
A orientação é que os consumidores procurem diretamente a Defensoria Pública do Estado no município e apresentem a documentação relacionada às contas de água.
O que levar:
• Cópias de três ou quatro contas de água recentes
• Documento de identificação
• Relato do problema enfrentado (aumento de valor, atraso na leitura, cobrança acumulada, entre outros)
Onde procurar:
Defensoria Pública do Estado – atendimento em Ibirubá
A documentação deve ser entregue à equipe da Defensoria, que fará a análise dos casos e poderá anexar as informações ao processo coletivo em preparação.
A recomendação é que participem principalmente consumidores que tenham identificado aumento expressivo nas contas ou mudanças no período de leitura e faturamento. Quanto maior o número de moradores envolvidos, maior será o volume de informações reunidas para a ação judicial que pretende solicitar explicações da concessionária sobre o modelo de cobrança adotado no município.
Entenda o caso
A Corsan implementou recentemente um novo modelo de faturamento em municípios do Rio Grande do Sul, alterando o ciclo de leitura e cobrança do consumo de água. Em vez da leitura mensal tradicional, as contas passaram a ser emitidas em períodos que podem chegar a cerca de 45 dias, concentrando em uma única fatura o consumo de um intervalo maior.
Com essa mudança, o valor final da conta tende a ser mais alto, já que a cobrança reúne aproximadamente um mês e meio de utilização. Além disso, o sistema tarifário por faixas pode aumentar ainda mais o valor quando o consumo ultrapassa determinados limites, elevando o preço por metro cúbico. Consumidores também relatam problemas relacionados ao novo sistema de leitura. Há casos em que hidrômetros não aparecem no sistema utilizado pelos leituristas ou ficam fora das rotas programadas, o que pode provocar atrasos na leitura e gerar faturamentos acumulados em um único período. A mudança no modelo de faturamento e na organização das leituras tem provocado críticas em diferentes cidades do estado. Muitos usuários afirmam que foram surpreendidos pela nova metodologia de cobrança e apontam falta de informações claras sobre as alterações no sistema.





















