
Além do retorno à Delegacia de Polícia de Ibirubá, a delegada Diná Rosa Aroldi também abordou, em entrevista, temas que hoje concentram grande parte das ocorrências atendidas pela Polícia Civil: a violência doméstica, os crimes virtuais e o crescimento dos golpes digitais. Segundo ela, esses delitos representam desafios permanentes para as forças de segurança e exigem não apenas investigação policial, mas também prevenção e conscientização da sociedade.
Ao falar sobre violência doméstica, a delegada classificou o assunto como um problema complexo e muitas vezes silencioso dentro das famílias. “É um tema atual, é um tema doloroso e é um tema que as pessoas não gostam de conversar”, afirmou. Para ela, o primeiro passo para romper o ciclo da violência é que a vítima procure ajuda. “Primeiro a mulher precisa pedir ajuda, precisa querer ser ajudada. A partir disso nós temos a medida protetiva, temos o inquérito policial e todo o processo que pode levar até à prisão do agressor”, explicou.
Diná destacou que, apesar das medidas legais disponíveis, ainda existe um grande desafio na prevenção e na mudança de comportamento dos agressores. Segundo ela, muitas políticas públicas são voltadas às vítimas, mas ainda são insuficientes para trabalhar a reeducação dos homens envolvidos nesses casos. “Nós temos vários programas voltados às mulheres, mas muito poucos programas para trabalhar os homens. E nós precisamos trabalhar o agressor”, alertou. Na avaliação da delegada, muitos agressores repetem o mesmo comportamento em diferentes relacionamentos. “Ele sai de um relacionamento porque brigou ou por causa de uma medida protetiva e depois repete tudo em outro relacionamento”, observou.
A delegada também chamou atenção para a influência das redes sociais e de conteúdos violentos consumidos por adolescentes, algo que, segundo ela, pode influenciar comportamentos agressivos. Para Diná, a educação e o diálogo dentro das famílias são essenciais para enfrentar o problema desde cedo. “Nós precisamos trabalhar os nossos meninos, mostrar que o homem tem o seu papel, mas que a mulher também tem o papel dela e isso precisa ser respeitado”, afirmou.
Outro tema que preocupa a Polícia Civil é o crescimento dos crimes virtuais, especialmente os golpes financeiros. Diná relatou que estelionatos digitais se tornaram uma das principais demandas investigativas das delegacias atualmente. “Os estelionatos, esses golpes, são um problema que nos preocupa muito”, disse. Em muitos casos, os criminosos utilizam estratégias simples para enganar as vítimas, explorando a promessa de vantagens financeiras ou situações que parecem urgentes.
A delegada relatou exemplos recentes de golpes que chegaram à polícia. Em um dos casos citados por ela, um homem recebeu uma ligação de criminosos que se passaram por funcionários de segurança de um banco. Durante a conversa, os golpistas convenceram a vítima a pagar um boleto de R$ 25 mil que na verdade não existia. “Ele pagou os R$ 25 mil e depois percebeu que não devia nada”, relatou.
Diná explicou que esse tipo de crime é difícil de investigar porque os criminosos agem rapidamente para retirar o dinheiro das contas utilizadas na fraude. “Eles já têm alguém esperando no caixa para sacar o dinheiro. Quando a gente consegue identificar a conta, o valor já foi retirado”, afirmou. Muitas vezes, as investigações acabam levando a outros estados do país, o que torna o processo ainda mais complexo.
O crescimento desses crimes acompanha uma tendência nacional. No Brasil, mais de 2,17 milhões de ocorrências de estelionato foram registradas em 2024, sendo cerca de 281 mil praticadas por meios eletrônicos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Além disso, pesquisas indicam que os golpes digitais já atingiram cerca de 24% dos brasileiros adultos, o equivalente a mais de 40 milhões de pessoas vítimas de fraudes financeiras ou invasões de contas nos últimos anos.
Diante desse cenário, a delegada reforça a importância da desconfiança e da verificação de informações antes de realizar pagamentos ou transferências. “As pessoas precisam parar e pensar um pouco. Se algo parece bom demais ou muito barato, pode ter algum problema”, alertou. Segundo ela, a orientação é nunca fazer pagamentos imediatos sem confirmar a origem da cobrança ou a veracidade da situação.
Ao abordar os desafios da segurança pública, Diná afirmou que crimes como tráfico de drogas, violência doméstica e estelionatos virtuais acabam exigindo uma atuação constante das equipes policiais. Mesmo assim, ela reforçou que o trabalho policial depende também da participação da sociedade. “Nós temos que continuar trabalhando, mesmo que muitas vezes pareça que estamos secando gelo”, concluiu, ressaltando que o combate ao crime exige persistência, investigação e cooperação entre polícia e comunidade.
No contexto nacional, o debate sobre violência contra a mulher também continua preocupando autoridades e especialistas. Dados recentes indicam que milhões de brasileiras ainda sofrem violência doméstica todos os anos e que o país registra milhares de casos de feminicídio e tentativas de feminicídio anualmente.
Para a delegada, enfrentar esse cenário passa por três caminhos principais: denúncia, educação e conscientização social. Segundo ela, somente com o envolvimento das famílias, das escolas e das instituições será possível reduzir os índices de violência e construir relações mais respeitosas na sociedade.




















