13 de Março, 2026 09h03mCOMBUSTÍVEIS por REDAÇÃO INTEGRADA

Risco de desabastecimento de óleo diesel preocupa produtores e motoristas no Alto Jacuí

Enquanto a situação é monitorada pelos órgãos reguladores, a orientação para os produtores e consumidores é planejar o abastecimento

Filas em postos e limitação de abastecimento em Ibirubá refletem tensão na cadeia de distribuição, enquanto ANP afirma que não há falta de combustível no Estado.

A corrida por óleo diesel em Ibirubá e em outros municípios do Alto Jacuí ganhou força nos últimos dias, provocando filas em postos, apreensão entre consumidores e preocupação entre produtores rurais justamente em um período decisivo para o campo. A colheita da safra de verão intensifica o consumo do combustível, essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas, caminhões e toda a logística de transporte da produção.
Em diversos pontos da região, motoristas relataram dificuldades para encontrar o produto ou temores de que o combustível pudesse faltar, o que acabou gerando uma procura ainda maior nos postos de abastecimento. O aumento repentino da demanda contribuiu para a formação de filas e ampliou o debate sobre o cenário de abastecimento.
Um dos estabelecimentos que se manifestou publicamente sobre a situação foi o Posto Jacaré, em Ibirubá. Em comunicado divulgado aos clientes, o posto explicou que o momento exige equilíbrio e cautela por parte dos consumidores. Segundo o estabelecimento, parte da pressão observada nos últimos dias está relacionada à antecipação de abastecimentos motivada por receio de falta do produto.

O empresário Robson Paloschi explicou que a situação envolve fatores da cadeia de distribuição, mas também a própria reação do mercado. “A crise de desabastecimento se agrava em partes devido a uma corrida demasiada aos postos. Os postos trabalham com cotas nas companhias, então essa busca antecipada, às vezes sem necessidade, torna a situação mais grave”, afirmou.
Ele destacou que o abastecimento pode permanecer equilibrado caso o consumo ocorra de forma normal. “Se mantermos a calma e abastecermos de modo normal e contínuo, não irá faltar ao próximo. Os carregamentos estão quase normais. O problema são as cotas diárias de cada posto, mas logo deve normalizar”, explicou.

Outra instituição que também alertou seus associados foi a Cooperativa Tritícola Taperense - Cotrisoja. Em comunicado divulgado pela direção executiva, a cooperativa informou que adotou medidas para priorizar o abastecimento das máquinas agrícolas durante a colheita.
Segundo a cooperativa, todos os esforços e estoques disponíveis estão sendo concentrados para garantir o fornecimento aos produtores associados neste período crítico do calendário agrícola e segundo a Cotrisoja, restrições impostas pelas companhias distribuidoras estão impactando diretamente o volume disponível nas unidades da cooperativa. A cooperativa informou que, diante desse cenário, o fornecimento poderá sofrer interrupções pontuais ou limitação de litragem por veículo em algumas situações. As orientações valem para unidades localizadas em municípios como, Tapera, Selbach e demais filiais da cooperativa na região.

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A situação tem reverberado  em nível estadual após manifestação da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A entidade informou ter recebido reclamações de produtores rurais sobre dificuldades para adquirir diesel diretamente nas propriedades.
Segundo a federação, há registros de não entrega de combustíveis por transportadores revendedores retalhistas, conhecidos como TRRs. A eventual falha nessa etapa da cadeia logística preocupa o setor agropecuário, especialmente porque ocorre em um momento de grande demanda no campo.
Diante das denúncias, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que iniciou uma investigação para apurar as dificuldades relatadas pelos produtores e possíveis aumentos considerados injustificados no preço do combustível.

De acordo com a agência reguladora, o Rio Grande do Sul possui estoque suficiente de diesel e, até o momento, não há indicativos de problemas na produção. A ANP também informou que entrou em contato com os principais fornecedores e verificou que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, segue operando normalmente.
Equipes técnicas da agência estão realizando fiscalizações na cadeia de distribuição para entender onde podem estar ocorrendo eventuais gargalos. As empresas envolvidas poderão ser notificadas para prestar esclarecimentos sobre volumes em estoque, pedidos recebidos e entregas efetivamente realizadas.

Para produtores do Alto Jacuí, qualquer dificuldade no abastecimento neste momento é vista com preocupação. O diesel é considerado um insumo indispensável para garantir o funcionamento das colheitadeiras, tratores e caminhões responsáveis pelo transporte da safra.

Enquanto a situação segue sendo monitorada por órgãos reguladores e entidades do setor, cooperativas e postos da região reforçam o apelo para que produtores e consumidores planejem o abastecimento e evitem compras acima da necessidade, contribuindo para manter o equilíbrio no fornecimento até a normalização completa da cadeia logística.

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