Sérgio Perdigão da Rocha revela momentos importantes da sua trajetória
Anestesista relembra a infância no Rio de Janeiro, a escolha pela medicina, a chegada a Ibirubá e os desafios de quase cinco décadas dedicadas à profissão

Quase cinco décadas de medicina, milhares de anestesias e uma vida construída em Ibirubá. Em entrevista ao Momento Estrela Guia, o médico anestesiologista Sérgio Perdigão da Rocha abriu espaço para as lembranças e revelou momentos que ajudaram a definir sua trajetória profissional e pessoal. Nascido no Rio de Janeiro, em 1951, ele contou que o interesse pela medicina surgiu ainda na infância, influenciado também pelo pai, que era ginecologista e obstetra.
A primeira intenção era tornar-se pediatra. Durante a formação, entretanto, uma experiência no Exército mudou seus planos. Um major o convidou a trabalhar com anestesia e Perdigão começou a conhecer uma área que, até então, pouco fazia parte de seus projetos. Mais tarde, decidiu aprofundar a formação e realizou residência no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. A anestesiologia acabaria se tornando a especialidade de toda uma vida.
A trajetória também foi marcada por uma experiência pessoal dolorosa. Sua primeira esposa, Rita, foi diagnosticada com um raro tumor primário de células gigantes na coluna. O tratamento levou o casal à Alemanha, onde ela passou por cirurgia. Segundo Perdigão, na época tratava-se de um caso extremamente raro. Rita acabou falecendo no país europeu. Ele retornou ao Rio de Janeiro, mas decidiu posteriormente voltar a Ibirubá. “Se eu for para a Lua, vou sentir saudade”, recordou ao falar daquele período de luto.
Em Ibirubá, a vida ganhou novos capítulos. Ao lado de Rose, com quem construiu uma relação de mais de quatro décadas, formou sua família. A filha Karina e, posteriormente, os netos Lourenzo, Valentim e Pérola passaram a ocupar lugar central nessa história. Durante a entrevista, Perdigão destacou especialmente a importância da família e o aprendizado acumulado ao longo dos anos.
Na medicina, sua ligação com a região começou em 1979. Durante muitos anos, o anestesiologista não ficou restrito a Ibirubá. Também atendia em Santa Bárbara do Sul, Selbach, Tapera e Quinze de Novembro. Em determinados períodos, calcula ter realizado entre 100 e 150 anestesias por mês. “É muita anestesia”, resumiu ao tentar dimensionar uma carreira atravessada por milhares de procedimentos.
Permanecer praticamente sozinho na especialidade, porém, tornou-se um dos principais desafios. Perdigão explicou que a dificuldade não está apenas na estrutura disponível. Segundo ele, o hospital de Ibirubá dispõe de equipamentos para o trabalho, mas anestesiologistas mais jovens encontram nos grandes centros a possibilidade de atuar em equipes, dividindo responsabilidades diante de situações complexas. “Se eu não resolver, ninguém resolve”, afirmou ao descrever o peso de trabalhar sem outros especialistas da mesma área por perto.
Ao comparar o início da carreira com a medicina atual, ele também destacou a transformação tecnológica. Quando chegou à região, recorda, muitos procedimentos dependiam basicamente da avaliação clínica, do acompanhamento do pulso e do tensiômetro. Hoje, monitores e equipamentos permitem acompanhar diversos parâmetros do paciente em tempo real. Para Perdigão, a tecnologia trouxe avanços importantes, embora considere fundamental preservar o contato humano e a capacidade clínica do médico.
Aos anos de experiência profissional somam-se convicções pessoais e espirituais que também ocuparam parte importante da conversa. Perdigão falou sobre fé, família, erros e aprendizados acumulados durante a vida. Reconheceu que mudaria escolhas do passado e afirmou que amadurecer também significa reconhecer os próprios erros. “Me equivoquei muito”, disse, acrescentando que o fundamental é aprender e não repetir aquilo que se reconhece como errado.
Mesmo depois de tantos anos de trabalho, ele não fala apenas em passado. Ao contrário, defende a necessidade de continuar criando projetos. Entre viagens, família e planos pessoais, Perdigão afirma que estabelecer novos objetivos ajuda a manter a disposição para seguir adiante.
“A pessoa tem que ter metas na vida”, resumiu.
É dessa forma que Sérgio Perdigão da Rocha observa a própria caminhada: uma trajetória iniciada muito longe de Ibirubá, mas que encontrou no município o cenário para quase meio século de medicina, família e experiências. Entre as mudanças da profissão e as transformações pessoais, permanece a ideia de continuar projetando o próximo passo enquanto houver caminho pela frente.






