
Lideranças da comunidade negra e das religiões de matriz africana unem forças para combater a intolerância, promover políticas públicas e consolidar ações permanentes de valorização da população negra no município
Um espaço de organização, representatividade e fortalecimento da identidade negra. Com esse propósito, foi criado o Movimento Unificado Afro-Ibirubá, iniciativa que reúne lideranças da comunidade negra e das religiões de matriz africana em uma frente voltada ao combate ao racismo, à intolerância religiosa e à construção de políticas públicas.
Para a jornalista e liderança negra Agatha Nunes Duarte, um dos principais objetivos é fortalecer o sentimento de pertencimento entre as pessoas negras que vivem em Ibirubá.
"Não é sobre ocupar, de fato, um espaço, mas sobre se sentir bem aonde se vive. Ibirubá é uma cidade que eu gosto muito, mas a gente precisa criar um ambiente para a gente também se sentir bem, ver os iguais, principalmente", afirmou.
Além da pauta racial, o movimento também busca ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana e enfrentar episódios de intolerância religiosa. Pai Juliano de Xangô, que mantém um ilê em Ibirubá há 15 anos, relembrou as dificuldades enfrentadas desde sua chegada ao município.
Segundo ele, atos de preconceito eram frequentes, como o descarte de doces distribuídos em homenagem a Cosme e Damião. Para o religioso, o desconhecimento ainda alimenta a discriminação.
"Nossa religião sempre será amor ao próximo", resumiu.
A construção de políticas públicas também integra a agenda da nova organização. O movimento recebe apoio de Evandro Paes, coordenador de Políticas Setoriais de Cruz Alta e presidente do Conselho Municipal da Igualdade Racial daquele município. Durante a entrevista, ele apresentou a experiência desenvolvida em Cruz Alta, onde a criação de conselhos e legislação específica fortaleceu as ações de promoção da igualdade racial.
"É muito importante que os municípios tenham suas representatividades dentro do Executivo ou Legislativo para provocar políticas públicas", destacou.
Evandro também ressaltou a trajetória da estudante de Administração Vitória Santos, aprovada em primeiro lugar pelo sistema de cotas raciais em sua universidade, como exemplo das oportunidades geradas pelas políticas de inclusão e da importância de ampliar o acesso da juventude negra aos espaços de formação e liderança.
As primeiras atividades do Movimento Unificado Afro-Ibirubá já têm data definida. No dia 11 de julho será realizada a 1ª Feijoada Beneficente, em formato drive-thru, no Campo do Juventude. Os recursos arrecadados serão destinados à manutenção das ações do grupo.
Até novembro, a mobilização estará concentrada na organização da Semana da Consciência Negra.





















