
Quase cinco anos após o início da mobilização regional para viabilizar a pavimentação da ERS-451, ERS-510 e RS-506, as obras seguem avançando em meio a uma série de desafios considerados inéditos pelos gestores envolvidos. Em entrevista ao Jornal O Alto Jacuí, a secretária executiva do Comaja, Márcia Rossato Fredi, detalhou os impactos causados pela alta dos insumos, mudanças de planejamento e adequações técnicas que prolongaram os prazos, mas garantiu que os projetos permanecem em execução, com previsão de entrega até 2027.
Quando os prefeitos da região, reunidos no Comaja, iniciaram a mobilização para viabilizar a pavimentação da ERS-451, ERS-510 e ERS-506, a expectativa era de que o processo fosse mais rápido. Passados quase cinco anos desde a aprovação do projeto, as obras acumulam atrasos, mudanças de planejamento e desafios que não estavam no horizonte quando o acordo foi firmado.
Em entrevista ao Jornal O Alto Jacuí, a secretária executiva do Comaja, Márcia Rossato Fredi, relembrou os principais acontecimentos que impactaram o cronograma e afirmou que o projeto continua avançando, apesar das dificuldades enfrentadas.
Segundo ela, a iniciativa representou um modelo inédito no Rio Grande do Sul. O projeto foi estruturado por meio do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), modalidade em que a mesma empresa é responsável pela elaboração do projeto executivo e pela execução da obra.
"Era uma experiência nova para todos. Foi a primeira vez que o Estado realizou um projeto dessa natureza em parceria com um consórcio de municípios", destacou.
A situação começou a mudar logo após a assinatura dos contratos, em dezembro de 2021. Poucos meses depois, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou uma disparada nos preços do petróleo e, consequentemente, dos insumos utilizados na pavimentação.
"O momento mais difícil foi quando os preços explodiram. Achei que teríamos de desistir da obra porque os recursos não seriam suficientes", recorda Márcia.
506 SAIU DO PROJETO
O projeto original previa investimentos próximos de R$ 68 milhões para as três rodovias. Diante da inflação dos custos, foi necessário rediscutir a proposta junto ao Governo do Estado. A solução encontrada foi retirar a RS-506 do pacote financiado pelo Comaja. O Estado assumiu integralmente essa rodovia, enquanto o consórcio passou a concentrar os recursos na ERS-451 e na ERS-510.
Mesmo assim, os trechos inicialmente projetados em 20 quilômetros precisaram ser reduzidos para cerca de 15 quilômetros em cada rodovia.
PEDREIRA
Outro fator que contribuiu para os atrasos foi a troca da pedreira fornecedora de materiais para a obra. A alteração, proposta pela empresa responsável pela execução, precisou passar por uma longa tramitação administrativa envolvendo o Daer, a Procuradoria-Geral do Estado e a Casa Civil.
Segundo Márcia, somente esse processo consumiu aproximadamente seis meses.
"Como são recursos públicos, tudo precisa seguir uma série de análises e aprovações. Não é uma decisão que possa ser tomada de forma imediata", explicou.
A secretária também rebate a ideia de que o Daer tenha sido um obstáculo para o projeto. Na avaliação dela, o órgão foi parceiro da iniciativa, embora os procedimentos burocráticos tenham contribuído para ampliar os prazos.
TROCA DO MATERIAL
Atualmente, outro debate técnico está em andamento. Um estudo de tráfego apontou a possibilidade de substituir o revestimento originalmente previsto, o Tratamento Superficial Duplo (TSS), pelo Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), considerado mais resistente e durável.
A mudança, porém, ainda depende de análises técnicas e financeiras. O reajuste necessário ultrapassa R$ 10 milhões e exigiria aporte adicional do Estado.
Apesar disso, Márcia ressalta que o revestimento inicialmente contratado não representa risco à qualidade da obra.
"É o mesmo tipo de pavimento utilizado na ligação entre Ibirubá e Fortaleza dos Valos há cerca de 40 anos. O CBUQ teria uma vida útil maior, mas isso não significa que o projeto atual seja de baixa qualidade", afirmou.
A execução física das obras alcança atualmente 34,1% na ERS-451 e 25,4% na ERS-510. A previsão é que os primeiros trechos com revestimento comecem a aparecer ainda neste ano.
"A expectativa é que os primeiros segmentos asfaltados estejam visíveis entre outubro e novembro", projeta a secretária.
Os prazos finais permanecem previstos para fevereiro de 2027 na ERS-451 e abril de 2027 na ERS-510.
Além dessas obras, o Comaja já trabalha na elaboração de projetos para concluir os quilômetros que ficaram de fora do atual contrato. Segundo Márcia, os estudos preliminares já foram entregues ao Governo do Estado, mas ainda não há garantia de execução desses novos trechos.
Para a dirigente, o mais importante é que, após décadas de espera, as rodovias finalmente saíram do papel.
"Se essas estradas são aguardadas há mais de 50 anos, podemos dizer que já avançamos bastante nesses últimos cinco anos. O importante é que a obra está acontecendo e vai ser concluída", finalizou.





















