
O embate político em torno das obras de pavimentação da rodovia RS-510 subiu de tom na Câmara Municipal de Fortaleza dos Valos. Durante a sessão ordinária da última segunda-feira, 18, a vereadora Eduarda da Silva Soares (Republicanos) subiu à tribuna para manifestar sua forte insatisfação com a resposta enviada pelo prefeito Paulo Cezar Marangon (Progressistas) ao seu Pedido de Informação nº 1/2026. Classificando o documento do Executivo como uma "tentativa de intimidação" e uma postura "deselegante", a parlamentar afirmou que o município recebeu um ofício oficial, mas não as respostas de fato sobre os custos e o cronograma da obra.
A manifestação da vereadora foi uma resposta direta ao Ofício nº 81/2026 do Executivo , no qual o prefeito alegou "incompetência administrativa" para detalhar o andamento da obra, sustentando que a fiscalização e a execução competem exclusivamente ao Governo do Estado (via DAER-RS) e ao Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal dos Municípios do Alto Jacuí e Alto da Serra do Botucaraí (COMAJA).
Na tribuna, Eduarda Soares rebateu o argumento da prefeitura de que não possui ingerência sobre os dados. "O município é membro ativo do consórcio COMAJA e não posso acreditar que o Executivo não saiba o montante de investimento local em uma obra dentro do nosso território", disparou a vereadora, lembrando ainda que o projeto foi "amplamente utilizado como marketing governamental" pela atual gestão.
Um dos pontos centrais do pronunciamento da parlamentar foi a menção implícita à violência política de gênero nas entrelinhas do documento do Executivo, que havia sugerido que suas cobranças geravam "desinformação" na comunidade. Eduarda destacou o peso de ser a "única mulher a fazer questionamentos" naquela Casa e criticou o fato de perguntas simples sobre o erário público serem recebidas com hostilidade.
"O que me causa estranheza é que perguntas simples sejam vistas como ataque para causar tensão entre os poderes. Eu respondo que não, não quero criar picuinha política. Estou fazendo o meu trabalho, que é fiscalizar. Trata-se de zelar pelo dinheiro público",
declarou, assegurando que não levará o embate para o lado pessoal e que não se desvencilhará do foco por vaidades partidárias.
A vereadora também ironizou a postura minuciosa do prefeito ao gastar páginas do ofício para justificar que estava respondendo rigidamente dentro do prazo legal. Marangon havia alegado que, embora o pedido tenha sido redigido em 06 de abril , o protocolo na prefeitura só ocorreu em 14 de abril , empurrando o limite da resposta para o dia 15 de maio — data em que o Executivo de fato enviou o documento. Eduarda alfinetou a "necessidade [do prefeito] de responder no último minuto do prazo final".
A pavimentação da RS-510 é considerada uma das obras de infraestrutura mais estratégicas para a região do Alto Jacuí, essencial para o escoamento da produção agrícola e para a segurança do tráfego local. A fiscalização do Legislativo intensificou-se após recentes mudanças operacionais na via, que incluíram a substituição da empresa terceirizada responsável pela execução dos serviços na rodovia.





















