29 de Agosto, 2025 09h08mEducação Destaque por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Crianças viciadas em telas? Psicopedagoga alerta sobre prejuízos sérios no desenvolvimento infantil

O uso excessivo de telas na infância está atrasando a fala, aumentando casos de irritabilidade e prejudicando o rendimento escolar

Psicopedagoga Jaqueline Dorfey alerta para prejuízos neurológicos e comportamentais do uso excessivo de tecnologia entre crianças

Brincar, correr, esperar, frustrar-se, explorar o mundo real. Essas são experiências fundamentais na infância que, cada vez mais, têm sido substituídas pelo brilho hipnótico das telas. Em entrevista à Rádio Cidade, a psicopedagoga Jaqueline Camera de Mello  Dorfey, da Clínica Integrar, referência em atendimento infantil em Ibirubá e região, fez um alerta contundente sobre os impactos do uso excessivo de telas no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças.  "A gente fala de um tema que é infantil, mas a responsabilidade é do adulto", disse Jaqueline logo no início da conversa. A profissional destacou que o uso precoce e exagerado de celulares, tablets e televisores afeta diretamente a linguagem, o comportamento, o sono e até o desenvolvimento motor das crianças. “Quanto mais dopamina o cérebro recebe com aquele conteúdo que o agrada, mais difícil será desconectar. A criança entra num estado de vício, como acontece com substâncias químicas”, explicou.
Um dos pontos mais preocupantes é o impacto neurológico. Estudos recentes, citados pela especialista, mostram que crianças de até 3 anos expostas a mais de uma hora de tela por dia apresentam atrasos no desenvolvimento da linguagem, problemas de atenção e dificuldades emocionais. "Mesmo que a criança tenha um QI alto, se ela não tiver controle emocional, será um adulto disfuncional", alertou.Além disso, Jaqueline citou estudos que mostram que a exposição ao sol e a prática de atividades ao ar livre reduzem significativamente problemas como a miopia. “Crianças que brincam ao ar livre de 10 a 14 horas por semana reduzem em até 60% o risco de desenvolver miopia, mesmo com predisposição genética”, contou. Durante a conversa, pais participaram compartilhando experiências. Um pai relatou a diferença de comportamento entre seus filhos gêmeos: um mais passivo, que assiste longamente a desenhos, e outro mais agitado, que pula de vídeo em vídeo. “Ambos estão recebendo estímulos que dificultam a autorregulação”, afirmou a psicopedagoga. Ela também chamou atenção para o papel do exemplo familiar. “Os filhos nos observam o tempo todo. Não adianta pedir que larguem os celulares se os adultos não fazem o mesmo. Criança precisa de conexão real, de presença. Tempo de qualidade com os filhos não precisa ser longo, mas precisa ser inteiro.”

Sinais de alerta
Entre os sinais de que a criança pode estar sofrendo os efeitos negativos das telas estão a irritabilidade, agressividade, birras constantes ao desligar os dispositivos, atraso na fala, dificuldades de socialização e até problemas para se alimentar. “Tem criança que só come na frente da TV e não sabe nem o que está comendo. Isso é preocupante”, disse Jaqueline.
Ela ressalta que a transição deve ser gradual. “Não se tira as telas de forma abrupta. Usamos a técnica das aproximações sucessivas: diminuir cinco minutos por dia, fazer combinados, usar alarme para marcar o tempo. O ideal é que até os três anos a criança tenha, no máximo, 30 minutos de tela por dia — e mesmo assim, com supervisão e conteúdo adequado”, orientou.

Tecnologia como aliada — com moderação
A especialista reconhece que a tecnologia faz parte da realidade atual e pode ser útil, desde que bem dosada. "O problema está na livre demanda, quando a criança acessa o que quer, quando quer. O uso deve ser planejado, com horários e objetivos definidos", recomendou. Ela também indica o uso de aplicativos como o Family Link, que ajudam os pais a controlar o tempo de tela e os conteúdos acessados.
Por fim, Jaqueline defendeu o resgate de práticas como a leitura em família e o convívio presencial. “Ler 30 minutos por dia com a criança fortalece a memória de trabalho e as funções executivas do cérebro. A tela pode esperar, mas o desenvolvimento não.”

Publicidade

Notícias relacionadas

Voluntários realizam mutirão de limpeza no entorno do ginásio da Escola General Osório em Ibirubá

Mutirão reuniu pais e voluntários no dia 17 de fevereiro, preparando o espaço para o início do ano letivo

20 de Fevereiro, 2026

Schimitão relembra o rock em Ibirubá e a geração que fez história no interior

Carlos Henrique Schmidt, o Schimitão, é um dos personagens centrais da história do rock em Ibirubá.

23 de Janeiro, 2026

Viagens e diárias: confira quem mais gastou no Legislativo de Fortaleza dos Valos em 2025

Um levantamento com base em dados oficiais do Portal da Transparência revela os gastos com diárias pagas pela Câmara de Vereadores de Fortaleza dos Valos ao longo de 2025, evidenciando valores expr

16 de Janeiro, 2026