29 de Agosto, 2025 09h08mPolítica por JORNALISTA CRISTIANO LOPES

Fala na Câmara expõe desgaste no transporte de pacientes oncológicos que fazem tratamento fora

Esperas após sessões de químio e rádio: Liga Feminina confirma a dificuldade e Secretaria de Saúde reconhece limites para transporte

Uma fala na tribuna da Câmara de Vereadores de Ibirubá, na sessão da última segunda-feira (25), trouxe à tona uma situação delicada vivida por pacientes em tratamento contra o câncer: o tempo de espera no transporte público de saúde. 

O vereador André Ferreira (Progressistas) apontou que pacientes oncológicos, após sessões de quimioterapia ou radioterapia, frequentemente precisam aguardar por horas até o retorno para casa, pois dividem o mesmo veículo com pessoas em outros tratamentos, como hemodiálise.
“Não se trata de privilégio, mas de sensibilidade. Um paciente de radioterapia, por exemplo, realiza o procedimento em poucos minutos e depois tem que esperar por muito tempo até que todos os outros também terminem. Isso compromete a qualidade de vida de quem já está fragilizado”, declarou o vereador.

Sonho para o futuro, diz LFCC

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A Redação Integrada procurou a presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer, Nair Marangon, que confirmou a situação e reforçou o apelo por melhorias. “Cada pessoa reage de forma diferente à químio e à rádio. Algumas passam bem, mas outras têm reações imediatas. Ficar horas esperando dentro de uma van não é fácil. Já levamos essa demanda outras vezes ao poder público. Sonhamos com um transporte mais humanizado, mesmo sabendo das dificuldades operacionais”, destacou.
Segundo Nair, o problema ocorre em diversas cidades, que buscam “otimizar” recursos de transporte. No entanto, ela ressalta que o impacto sobre os pacientes com câncer é maior. “Muitos saem em jejum, fragilizados, e enfrentam uma jornada exaustiva. Alguns chegam a nos dizer que pensam em desistir do tratamento por causa desse desgaste todo”, relata.
A Liga atende hoje cerca de 100 pacientes oncológicos, entre homens, mulheres e crianças. “Talvez um carro exclusivo pareça um sonho grande, mas é um sonho justo. Quem sabe Ibirubá possa ser referência nesse cuidado?”, sugere Nair.

Secretária reconhece dificuldade e explica limites

A reportagem também entrou em contato com a secretária municipal de Saúde, Ana Daniela Lauxen, que reconheceu a gravidade do tema, mas explicou que, no momento, não há viabilidade para um transporte exclusivo para pacientes oncológicos, seja por questão de logística, frota ou falta de pessoal.
“Como gestora e como pessoa, eu tenho a maior admiração e preocupação com os pacientes, especialmente os oncológicos. Eu sei mais do que ninguém como é essa rotina, porque a minha mãe é paciente. A gente faz tudo que está ao nosso alcance, com liberação de exames, auxílios e acompanhamento. Mas hoje, infelizmente, não temos como atender esse transporte individualizado”, explicou.
De acordo com a secretária, os horários das sessões de rádio e químio são muito variados, dificultando a organização de um único turno. “Tem paciente que faz às 6h da manhã, outro às 9h da noite. Mesmo que eu separasse só para os oncológicos, não teria como agrupar todos num mesmo horário, como ocorre na hemodiálise, em que todos fazem no mesmo turno e são liberados juntos”, disse.
Ana Daniela também mencionou a limitação de motoristas. “Mesmo se eu tivesse mais carros, falta mão de obra. A gente trabalha no limite com a equipe atual. Agregamos o máximo de pacientes possível por viagem, para atender todos. Não é falta de sensibilidade, é realidade. E eu falo isso com toda a sinceridade que sempre tive”, afirmou.
Por fim, a secretária reconheceu a necessidade de buscar soluções de médio prazo. “Talvez seja o caso de analisar o que outras cidades maiores estão fazendo. Hoje, na nossa região, não conheço nenhum município que consiga oferecer esse serviço individualizado. É um desafio, sim, mas precisa ser tratado com responsabilidade”, concluiu a secretária.

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