
Depois do forte aquecimento registrado no pós-pandemia, o setor entrou em uma fase de equilíbrio, com crescimento na disponibilidade de salas comerciais e unidades residenciais, especialmente compactas.
Nos últimos dois anos, a cidade registrou aumento na construção de imóveis voltados especificamente para locação. Parte desse movimento foi impulsionada pelo crescimento das indústrias locais, pelo Instituto Federal e pela expectativa de retorno financeiro em um cenário de juros elevados.
Conforme o corretor de imóveis Deilson Bertoldo, o momento é diferente daquele vivido logo após a pandemia. “O pós-pandemia foi fenomenal. Houve muita troca de imóvel, aumento na procura por terrenos para lazer e gente ampliando espaço. Agora o mercado está girando, mas em um ritmo mais moderado”, avalia.
No segmento de aluguéis, o Índice Geral de Preços (IGP-M), tradicional indexador dos contratos, acumulou resultado negativo no período recente, o que impactou diretamente os reajustes. “Como cresceu a oferta, o proprietário prefere manter o inquilino do que reajustar e correr o risco de perder”, explica.
Apesar da maior disponibilidade, os valores continuam considerados elevados por parte dos locatários. Hoje, um imóvel compacto de um dormitório pode alcançar cerca de R$ 950 mensais. Segundo Bertoldo, o custo da construção impede reduções mais expressivas. “Não conseguimos chegar naquele aluguel de R$ 700 ou R$ 800, porque o valor investido na obra subiu muito nos últimos anos”, pontua.
Ibirubá segue, inclusive, com valores de metro quadrado superiores a municípios vizinhos de porte semelhante, como Panambi e Marau, especialmente em áreas centrais. “Pegando localização equivalente e padrão semelhante, Ibirubá continua acima”, afirma o corretor. Ele ressalta, no entanto, que a comparação exige cautela. “O acabamento altera o custo final. Não dá para analisar apenas o preço por metro quadrado.”
No mercado de compra e venda, a diferença entre expectativa do proprietário e valor real de negociação também tem sido um desafio. “Na maioria das vezes, a expectativa de quem vende é maior do que a avaliação de mercado. E, no fim, o negócio acaba fechando um pouco abaixo do valor inicial”, observa.
Outro ponto que chama atenção é o crescimento da oferta de salas comerciais. Novos empreendimentos ampliaram o número de unidades disponíveis no centro e em regiões estratégicas da cidade. Para investidores, o retorno é avaliado de forma mais criteriosa. “Se tu comparar o valor aplicado com o retorno mensal, muitos acham que está baixo. Mas também existe a valorização patrimonial no longo prazo”, destaca.
O cenário atual exige planejamento e análise de perfil. Com a taxa básica de juros elevada, parte dos investidores passou a comparar o rendimento imobiliário com aplicações financeiras. Ainda assim, o imóvel segue sendo visto como ativo de segurança. “É preciso avaliar objetivo, idade e prazo. Não existe uma fórmula única para todo mundo”, ressalta Bertoldo.






















