
Luiz Flavio Alves de Oliveira, o eterno ponteiro do Clube Atlético Bangú, conta sua trajetória: gols, glórias, títulos e a paixão pelo futebol de Ibirubá
Nascido em 1956 no distrito de Mundo Novo, então pertencente a Espumoso, Flavinho cresceu entre as dificuldades do campo e o calor das disputas futebolísticas. “A gente era que nem avestruz, mexia no ninho e voava”, brinca ao lembrar da infância modesta ao lado de seus 11 irmãos. Desde cedo, encontrou no esporte uma forma de expressão e superação. “Vendia fruta, cortava grama de tesoura, sempre correndo atrás. O futebol era a válvula de escape”, recorda.
Sua iniciação nos gramados foi no Ipiranga, no campo da família Kuffel, onde jogava no segundinho com a gurizada do bairro. Mas foi no Bangú que consolidou sua trajetória. “Já fazem mais de 45 anos que estou ligado ao clube. Fiz parte de praticamente todas as fases. Joguei, fui técnico, presidente, dirigente... de tudo, menos tesoureiro. Nunca quis mexer com dinheiro”, conta com orgulho.
Flavinho relembra com carinho os tempos de glória, como o título invicto de 1985.
“Tínhamos um grupo barato, sem estrelismo. Ganhamos tudo naquele ano: principal, aspirante, goleador e melhor goleiro. Fiz até gol olímpico no São Paulo Pontão, com a ajuda do vento”, diverte-se.
Conhecido pelos cruzamentos de trivela — jogada que executava com perfeição apesar de sua baixa estatura —, ele virou referência técnica e emocional. “Era minha marca. Chegava na linha de fundo e cruzava com o pé trocado. Fazia isso com naturalidade. No vestiário, motivava os guris até fazerem chorar. Era tudo no grito. E funcionava.”
Além das vitórias, Flavinho destaca a importância do trabalho coletivo. “Quem vence é o grupo. E tivemos nomes que deixaram história, como Leandro Marangon, maestro em campo, e o Baggio, treinador com quem ganhamos quatro campeonatos.”
Fora das quatro linhas, foi figura central na construção da sede e no desenvolvimento da estrutura do Bangú. “Vendemos a antiga sede e investimos tudo no campo. O alambrado, a topografia, … tudo com dinheiro arrecadado pelo clube. Perdi muita coisa pessoal, mas valeu cada fio de cabelo branco.”
Também coleciona histórias como treinador em outras equipes da região. “Fui técnico no Cacique de Arroio Grande. Em 2006, vencemos o campeonato após 11 anos de fila. Foi uma festa. Também a AVI (vetereranos), onde fiquei invicto em 47 jogos.”
Ao longo da entrevista, dezenas de amigos e ex-companheiros mandaram mensagens. Chamado de "patrimônio histórico do Bangu", recebeu homenagens de jogadores, torcedores e dirigentes. Marcos Voigt, Ercio Greff e Airton Bucker resumiram o sentimento geral: “Flavinho é responsável por muitas conquistas. Sempre muito dedicado.”
Questionado sobre quem foi melhor — ele ou seu irmão Onei Oliveira —, Flavinho não perdeu o bom humor: “Fui eu, porque eu entrava no rio para buscar a bola. Ele, não.”
Com o futebol local enfrentando desafios após a pandemia, Flavinho faz um apelo:
“Precisamos renovar, trazer sangue novo, recuperar o brilho do esporte em Ibirubá. Futebol não pode parar.”
Hoje, mesmo com a agenda cheia como eletricista, segue ativo. E sonha com uma grande festa para homenagear todos os que fizeram parte da história do Bangu. “Cada taça tem um pedaço da gente. A gente precisa lembrar disso e agradecer.”





















