20 de Fevereiro, 2026 10h02msaúde por ANDREI GRAVE

Hospital aguarda aval federal para ativar leitos de retaguarda enquanto enfrenta pressão financeira

Demora na habilitação impede novo convênio com a União e trava avanço no atendimento hospitalar

Enquanto enfrenta dificuldades de fluxo de caixa e depende de antecipações para pagar folha, o Hospital Annes Dias aguarda a liberação dos leitos de retaguarda — estrutura já preparada que poderia garantir equilíbrio financeiro e ampliar internações.

Manter um hospital de portas abertas todos os dias é um desafio que vai muito além do atendimento médico. Envolve planilhas apertadas, busca constante por recursos e articulação política. Em Ibirubá, o Hospital Annes Dias vive essa realidade enquanto tenta equilibrar as contas e ampliar sua capacidade de atendimento.
De acordo com o administrador Odair Funk, 2025 refletiu diretamente o cenário econômico regional. “Foi um ano difícil não só para o hospital, mas para o município como um todo. Somos uma região agrícola e as frustrações de safra impactam toda a cadeia econômica”, afirmou.
Historicamente, o hospital opera com déficit anual em torno de R$ 2 milhões, equilibrado por meio de emendas parlamentares e recursos extraordinários. Em 2024, a instituição fechou com superávit de R$ 324 mil. Já em 2025, o resultado oficial ainda está sendo fechado, mas a projeção é encerrar “muito próximo do zero”.
“O Annes Dias talvez esteja entre 5% e 10% dos hospitais do Brasil que conseguiram fechar com resultado positivo nos últimos anos. Isso é fruto do envolvimento da comunidade, das entidades e dos agentes políticos”, destacou Odair.
Hoje, o contrato com a União é de R$ 695 mil mensais. Segundo o administrador, o valor é insuficiente. “Se dependêssemos apenas desse recurso, o hospital funcionaria uma semana”, alertou.
Além disso, as mudanças nas regras de emendas parlamentares reduziram a flexibilidade financeira. “Hoje praticamente todo recurso vem carimbado para compra de serviços. Antes tínhamos mais liberdade para aplicar no custeio”, explicou.
A principal aposta para 2026 é a habilitação dos leitos de retaguarda clínica. O novo convênio pode representar um aporte anual de R$ 2,076 milhões. “Estamos falando em quadruplicar o valor atual do convênio federal. Isso criaria equilíbrio operacional”, afirmou.
A estrutura dos leitos está praticamente pronta, mas ainda faltam recursos para mobiliário e adequações técnicas. Projetos que somam cerca de R$ 850 mil foram protocolados junto ao governo estadual, incluindo melhorias na central de energia e a adequação da sala para instalação do novo aparelho de raio-X.
“Estamos com o raio-X comprado há quase um ano, mas precisamos adequar o sistema elétrico. Só essa melhoria custa em torno de R$ 500 mil”, detalhou.
Entre os investimentos já realizados, estão R$ 403 mil destinados à compra de autoclave, modernização do setor de esterilização, melhorias em tecnologia da informação e adequações na cozinha. Outro projeto, de R$ 343 mil, está viabilizando a substituição do telhado da fachada principal.
“É uma melhoria que projeta o hospital para os próximos 15 ou 20 anos”, ressaltou.
O hospital também enfrenta desafios de fluxo de caixa, principalmente nos primeiros meses do ano. “Todo dia 5 e dia 20 estamos brigando para pagar folha. Em fevereiro, tivemos que pedir antecipação de recursos à Prefeitura para não atrasar salários”, revelou.
Em 2025, o repasse médio mensal do município foi de R$ 211 mil, sendo cerca de R$ 103 mil destinados ao pagamento de plantões médicos. A instituição trabalha na construção de um novo modelo contratual com o Executivo, por meio de subvenção fixa mensal.
“É uma ferramenta mais moderna, que define metas e traz segurança jurídica. Se não cumprir metas, há redução de repasse. Se cumprir, mantém”, explicou Odair.
Outra estratégia é a revisão do teto financeiro junto ao SUS. O hospital passou a registrar todos os atendimentos no sistema federal para formar uma série histórica e pleitear aumento no repasse.
“A expectativa é sair dos atuais R$ 690 mil para algo em torno de R$ 1,2 milhão. Isso também amplia a possibilidade de captar emendas parlamentares”, projetou.
Para o administrador, a prioridade é garantir recursos fixos de custeio. “Com previsibilidade financeira, conseguimos planejar melhor e investir na melhoria do atendimento à comunidade”, concluiu.

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