
Ingo é neto de imigrantes alemães, morou de 1961 até 1971 na Alemanha e contou detalhes sobre os impactos da Segunda Guerra e do nazismo na região
A história que permeia a existencia de túneis nazistas em Ibirubá sempre está em pauta. Um assunto que é analisado, debatido e que divide opiniões. Darcy Hingo Meinen Spengler, neto de imigrantes alemães e que acompanha o desenrolar dessa história, morou de 1961 até 1971 na Alemanha.
Em entrevista a Rádio Cidade e ao Jornal o Alto Jacuí ele contou alguns detalhes relacionados ao passado. Na visão de Ingo, tentou-se provar que em Ibirubá o nazismo era organizado, que houve a construção de túneis para abrigar supostos nazistas e que na região havia uma célula nazista.
A possível vinda do DOPS em Ibirubá e cidades próximas é dada como verídica, tendo em vista que eles visitavam cidades que tinham imigração alemã.
“Isso é dito como se fosse um grande acontecimento, como se tivesse saído a procura de nazistas. Mas era comum, eles tinham que ir em todas as cidades”, conta.
Em relação aos túneis existentes nas ruas centrais de Ibirubá, que dariam acesso para o Hospital Santa Helena, Ingo reforça que se mostrou nas investigações e escavações que não tinha nada.
“O nazismo era uma teoria extremamente nacionalista, Hitler dizia que os alemães eram superiores, que estavam destinado a mandar no mundo”, relembra. A época comandada por Hitler impulsionou o desenvolvimento da Alemanha, na geração de empregos e renda, o que fez com que o povo abraçasse o nazismo. “O Hitler recebeu o apoio de indústrias, de milionários, os EUA apoiou, permitiu negociações. Fizeram isso com medo do comunismo”, contou Ingo.
Túmulo da SS em Ibirubá
Outro fator que chama a atenção dos ibirubenses é um túmulo da SS no cemitério local. Ingo conta que o túmulo é de um menino que foi lutar na guerra. A família tinha vindo da Alemanha, tinham dois filhos, eram donos do Hospital Santa Helena.
Um dos filhos cresceu no Brasil e quando completou 18 anos estava no auge da SS, que era um grupo preparado para ataques. Esse menino se impressionou e desejou ir para a Alemanha, se alistou e logo depois desapareceu em combate. A família então resolveu construir o túmulo e colocou na lápide a foto e o nome para ter uma lembrança física dele.
Outro ator desse enredo era Franz Hummler, o conhecido Padre Chico. Segundo Ingo não foi provado que o sobrenome era o mesmo da Alemanha. Ele destaca que para Ibirubá o padre contribuiu para muitos avanços, como a construção da igreja católica.
Presença de oficiais na região
Ingo Spengler relembra que durante a guerra, quando os oficiais perceberam que haviam perdido força, buscaram matar Hitler, que sofreu 42 atentados. A Operação Valquíria é uma das principais ações lembradas. Com o desejo de fuga os oficiais passaram a saquear e fuzilar líderes.
Nessa dispersão dos oficiais da Alemanha, muitos podem ter vindo para a região por turismo.
“É nesse contexto que entra a história do Martin Bormann. Um dia antes do Hitler se matar ele disse para todos que fugissem para o ocidente. Artur Axmann e Bormann saíram juntos e Bormann deu um tiro na cabeça e morreu, Artur foi preso e contou para a família de Bormann o que aconteceu”, explicou Spengler..
Outro autor de toda essa história é Josef Mengele. Segundo Ingo, ele fazia experiências no campo de concentração e produzia gêmeos em laboratórios, escolhendo a cor dos olhos, uma relação com a região que justifica hoje o município de Cândido Godói ser considerado o lugar que mais nascem gêmeos do Brasil.
A participação do Doutor Braun na guerra pode ser por duas hipóteses, como observa Ingo: por ser simpatizante do nazismo ou pelo sobrenome. “São duas hipóteses, os nazistas queriam investir dinheiro e teriam dado dinheiro a Braun pelo fato que no Brasil tinha terras baratas, ele teria pego o dinheiro e ficado encarregado de comprar as terras”, observou.
Pós-guerra
Quando Ingo foi morar na Alemanha em 1961 o país já estava reconstruido. Ele conta que o único vestígio que pegou da guerra, foi um muro com uma marca de uma rajada de metralhadora na cidade de Düsseldorf
“Após a derrota da segunda guerra teve uma pessoa que disse: não vamos fazer com a Alemanha o que fizemos na primeira guerra, de puni-los, vamos investir no país. O alemão é um povo trabalhador, tem tecnologia, assim investiram em capital para as empresas ficarem ricas”, relembra. Entre diversas hipóteses e linhas de pensamento um aspecto que Ingo julga importante no que representou o nazismo para Ibirubá, é o povo do interior escutar a voz da Alemanha e a construção de transmissores potentes. “Os alemães podiam se ouvir, uma rádio naquela época nunca ia dizer que os judeus estavam sendo perseguidos, mas que a Alemanha estava se recuperando, era isso que os colonos escutavam”, conta.
Quando tinha 18 anos, Ingo falou com pessoas de Ibirubá e ouviu a opinião de quatro nazistas fanáticos, o que faz ele afirmar que nunca houve uma organização comunista por aqui.
“Túneis que abrigaram nazistas não existem. Perguntei para o Ernesto Fredrich sobre os túneis na casa dele, ele disse que não tem, que se quisesse eu podia ver”, finalizou.


















