07 de Fevereiro, 2025 09h02mEstiagem por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Quinze de Novembro decreta situação de emergência devido à estiagem

Prejuízos superiores a R$ 100 milhões, atinge principalmente a produção de soja e milho, além da bacia leiteira

 A região enfrenta uma das piores estiagens dos últimos anos, com impactos severos na produção agrícola e pecuária. Após um período crítico de chuvas insuficientes, Quinze de Novembro decidiu decretar Situação de Emergência, visando mobilizar recursos e ações para minimizar os danos causados pela falta de precipitação. A decisão foi tomada na manhã do dia 3 de fevereiro, com a participação do prefeito Marcos Petri (MDB) e do Conselho Agropecuário, onde foram debatidos os prejuízos sociais e econômicos provocados pela estiagem.

Os números demonstram a gravidade da situação. A precipitação média registrada pelo pluviômetro da Emater foi de 128 mm em dezembro de 2024 e apenas 43 mm em janeiro de 2025, totalizando 171 mm no período. Esse volume de chuva é insuficiente para sustentar a produção agrícola e manter a estabilidade das lavouras, resultando em perdas significativas, especialmente na soja, milho silagem e produção de leite.
"Já vínhamos acompanhando a situação desde o início de janeiro, quando percebemos que as chuvas estavam muito abaixo da média. O impacto foi aumentando e, em poucas semanas, ficou evidente que a estiagem traria prejuízos severos para nossa economia agrícola", destacou Décio R. Rauch Júnior, Secretário de Agricultura, Pecuária, Indústria, Comércio e Meio Ambiente de Quinze de Novembro.
De acordo com o levantamento oficial, a cultura da soja foi a mais afetada. A produtividade média histórica do município gira em torno de 63 sacas por hectare, mas, devido à estiagem, a expectativa inicial de 38 sacas por hectare caiu ainda mais, chegando a 25 sacas por hectare.
"A soja é a principal cultura de grãos do Município, ocupando cerca de 12.100 hectares no município. Infelizmente, tivemos uma perda de 70%, o que reduziu nossa expectativa de colheita de 45.980 toneladas para apenas 13.794 toneladas. O impacto financeiro é devastador, ultrapassando os R$ 65 milhões", explicou Décio.
A situação do milho silagem também preocupa. A estimativa inicial era de 45.000 toneladas colhidas, mas a seca reduziu esse número para 30.000 toneladas, gerando um prejuízo de R$ 24 milhões.
"No caso do milho silagem, a perda foi menor, mas ainda assim significativa. A produção esperada já foi drasticamente reduzida, o que afeta diretamente os produtores de leite e gado de corte que dependem dessa silagem para alimentar seus rebanhos", comentou o coordenador.
Outro setor fortemente impactado foi a bovinocultura de leite, que registrou uma queda de 10% na produção. A redução no volume  foi de 2.466.519 litros para 2.219.879 litros, resultando em uma perda financeira de R$ 246.651,90.
"A seca não afeta apenas as lavouras, mas também o gado. Com pastagens comprometidas, os produtores precisaram recorrer a mais ração e silagem, aumentando os custos de produção. Além disso, o estresse térmico das vacas reduziu a produção de leite, agravando ainda mais a situação", explicou Décio.
Processo de formalização do decreto e ações emergenciais
A decisão de decretar Situação de Emergência foi tomada com base em dados técnicos levantados pela Emater, que comprovam os danos econômicos causados pela estiagem.

"Nos reunimos com as cooperativas, sindicatos e especialistas para avaliar o cenário e verificar se os critérios técnicos para o decreto eram atendidos. A gravidade da situação foi confirmada e, no dia 3 de fevereiro, oficializamos o decreto", afirmou Décio.

Com a oficialização da medida, a expectativa agora é que o governo estadual reconheça a Situação de Emergência
"O decreto é fundamental para que os produtores possam acionar seguros agrícolas, renegociar dívidas com os bancos e buscar auxílio emergencial. Além disso, ele permite que o município tenha mais flexibilidade para tomar medidas rápidas e eficazes", explicou o coordenador de Agricultura.


O impacto estimado para a arrecadação e circulação de recursos na cidade ultrapassa R$ 100 milhões, o que pode comprometer não apenas o setor agropecuário, mas também o comércio e os serviços locais.

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"Quando o produtor rural perde, toda a economia sente. O comércio e os prestadores de serviços já estão relatando queda no movimento, pois o agricultor, diante das perdas, reduz investimentos e corta gastos", destacou Décio.
Para minimizar os impactos, a administração municipal já iniciou algumas ações emergenciais, como a disponibilização de máquinas para escavação de microaçudes, garantindo água para os animais nas propriedades mais afetadas.
"Já registramos mais de 30 açudes completamente secos e pelo menos dois poços artesianos municipais que não estão mais operando. Por isso, estamos priorizando a construção de microaçudes para dessedentação animal, um suporte essencial para os produtores", afirmou o coordenador.
Além disso, campanhas de conscientização para o uso racional da água foram lançadas, tanto para a população urbana quanto rural.
"Estamos pedindo que a comunidade economize água, evitando desperdícios como irrigação excessiva, troca frequente da água de piscinas e lavagem de calçadas. Se não houver um uso consciente, podemos ter problemas ainda mais sérios no abastecimento", alertou.

As previsões indicam pouca chuva nas próximas semanas. A expectativa para as lavouras plantadas no início do ciclo é pessimista.
"Se as chuvas vierem, algumas áreas ainda podem atingir entre 35 e 40 sacas por hectare, mas muitas lavouras já estão comprometidas de forma irreversível. Caso a seca persista, os prejuízos serão ainda maiores", pontuou o coordenador.
Diante desse cenário, o município já estuda formas de reduzir os impactos de estiagens futuras.

"Precisamos pensar a longo prazo. A irrigação não é viável para todos os produtores, então é essencial que busquemos alternativas, como o incremento do Sistema Plantio Direto, que se bem estruturado, junto com a rotação de culturas pode mitigar muito esses efeitos. O evento dos 30 anos do plantio direto na palha, realizado recentemente, mostrou que produtores que adotaram essas práticas tiveram perdas muito menores", explicou Décio.

A expectativa agora é que o governo do estado reconheça o decreto e libere os recursos emergenciais para auxiliar os produtores afetados.

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