
Moradores da orla se mobilizam em defesa do lago, que sofre com recuo da água e ameaça ao turismo e meio ambiente
O rebaixamento temporário do nível do reservatório da Usina Hidrelétrica Leonel de Moura Brizola (UHE Jacuí), em Salto do Jacuí, previsto para ocorrer entre os dias 11 de agosto e 6 de outubro de 2025, está gerando forte apreensão nas comunidades que vivem às margens da Barragem de Passo Real. A Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica (CEEE-G) anunciou que a medida é necessária para realização de obras de manutenção na barragem Maia Filho, com o objetivo de garantir a segurança energética do Estado. A redução gradual levará o nível da água à cota de 273,37 metros.
Apesar da justificativa técnica e dos acompanhamentos da FEPAM e do Operador Nacional do Sistema (ONS), o anúncio repercutiu negativamente entre moradores de municípios como Quinze de Novembro, Fortaleza dos Valos e Salto do Jacuí, que já vinham observando o recuo acelerado da água nos últimos dias. Em 5 de agosto, o nível da represa chegou a 322,27 metros, representando apenas 71% do volume útil, com perda de 12 cm em 24 horas, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Em um período de 30 dias, a represa sofreu variação negativa de 14,46%.
A situação gerou uma mobilização popular. Moradores da orla da barragem iniciaram um abaixo-assinado cobrando providências das autoridades para conter o rebaixamento e preservar o ecossistema. No texto da petição, o grupo destaca que o lago é mais do que um corpo d’água: trata-se de um símbolo de identidade, lazer, turismo e moradia para milhares de pessoas. “Para nós, esse lugar não é apenas nossa casa, mas também um símbolo de beleza natural e diversidade. Queremos garantir que essa área, de grande importância turística, de lazer e de moradia, seja preservada para as gerações futuras”, afirmam.
A proposta central dos moradores é a criação de um plano de manejo sustentável para a Barragem de Passo Real, capaz de conciliar o uso do reservatório com conservação ambiental e fomento ao turismo. “É imperativo que haja investimento na construção de estruturas para apoiar um turismo responsável e sustentável. Isso não só fomentaria o crescimento econômico da região, mas também melhoraria a qualidade de vida de todos os moradores locais”, ressalta o documento.
A comunidade alerta para a necessidade de regulamentar a pesca e coibir práticas predatórias, além de proteger a fauna e flora do entorno do lago. “Precisamos da colaboração do governo local e estadual, além de apoio de entidades não governamentais, para implementar soluções que beneficiem todos nós”, dizem.
Enquanto isso, os sinais visíveis do recuo já preocupam. “Isso dá 54 metros abaixo do nível, 40 metros abaixo da última vez que baixou. É muito baixo. Vamos ver até a antiga ponte que ligava Sede Aurora com Fortaleza dos Valos”, relatou um morador. A população teme que o verão chegue com o lago seco, inviabilizando o turismo náutico, a pesca e até o abastecimento rural. “Podemos ter um verão sem água e sem turismo”, alertou.
A geração média de energia na usina, conforme o ONS, foi de 65,97 megawatts por hora no dia 5 de agosto, totalizando 1.583,28 MWh no dia — um desempenho abaixo da média histórica da unidade. Gráficos de geração mostram que o ano de 2025 registra volumes menores do que 2024, mesmo com o cenário anterior afetado por eventos climáticos extremos.
O movimento é uma tentativa de equilibrar interesses energéticos com a realidade das famílias que vivem em torno da represa. “Assine esta petição para ajudar a salvar nosso lar e patrimônio natural”, citam os autores.























