
Em tom descontraído e nostálgico, ele compartilhou histórias de infância, amizades formadas dentro das quadras e a forte tradição de sua família no esporte.
Nascido em Ibirubá em 1981, filho de Egídio e Marilene Greff, Cleber cresceu respirando futebol. Desde cedo acompanhava o pai e os tios nos vestiários e campeonatos, até ingressar nas categorias de base da ASIF, escolinha que revelou dezenas de atletas e é lembrada até hoje como berço do futsal ibirubense. Sob a orientação do professor Luiz Carlos de Oliveira, Cleber deu seus primeiros passos, numa época em que as categorias iam de fraldinha até o infantil. “A gente desde pequeno já estava no meio do campo. Comecei na fraldinha, com seis anos, e segui subindo as categorias. Sempre jogava, me destacava e o professor Luiz me puxava para compor times mais velhos também”, contou.
A lembrança mais marcante de sua infância esportiva foi o campeonato estadual de 1989, em Porto Alegre, quando a equipe da ASIF chegou ao hexagonal final e acabou entre os seis melhores do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, em Ibirubá, viveu o duelo inesquecível contra Ronaldinho Gaúcho, então chamado apenas de “irmão do Assis”. “Jogamos contra ele, o time do Procergs ficou campeão. Era um time fortíssimo. Foi uma época em que a gente tinha chance até de ser chamado para seleção gaúcha, mas acabei não indo por questões familiares e financeiras. O cavalo passou encilhado e não montamos”, recordou.
As lembranças atravessam campeonatos regionais, títulos conquistados, rivalidades acirradas e o prestígio da categoria de base da época. “Era muito disputado, os ginásios lotavam. Quem não ficava campeão, ficava vice. E o futsal era jogado com mais cadência, mais individualidade, diferente da correria de hoje”, comparou.
Cleber também viveu momentos no futebol de campo, com passagens pelo São José, Vila Nova e Estrela do Norte. “Na base, jogamos muito pelo Juventude, com a geração 2000 do Garrincha. Era uma safra boa, saiu muita gente de qualidade daquela época”, destacou. Entre os nomes que compunham seus times, citou colegas como Fabiano Souza, Leandro Marangon, Ortiz e o goleiro Beto Refatti, além de familiares e primos que carregaram o futebol como tradição.
Hoje, aos 44 anos, Cleber segue ativo no esporte, atuando nos veteranos da AVI e no time do Ananias, além de encontros semanais na ''Arena Betão Guedes'', no bairro Odila. “Ainda jogo, participo, mas o mais importante agora é a integração. Depois do jogo sempre tem a resenha, a cervejinha, a amizade. Somos veteranos, o melhor disso é estar junto”, disse, sorrindo.
Questionado sobre quem foi seu maior incentivador, não hesitou: “Foi meu pai. Sempre estava lá, gritando, apoiando. Ele não deixou que eu fosse para fora naquela época, mas nunca deixou de incentivar. E isso também é importante, porque era outro tempo, as condições eram mais difíceis.”
O bate-papo terminou com uma proposta simbólica: cada entrevistado do Baú do Esporte montar sua “seleção dos sonhos”. Cleber escalou Beto Refatti no gol; ele próprio na ala direita; Ortiz como fixo; Fabiano Souza na ala esquerda e Leandro Marangon completando o quinteto. “Era um baita time, dava para competir em qualquer lugar”, brincou.
Com risadas, recordações e emoção, a entrevista com Cleber Greff reforçou a importância de registrar a história esportiva de Ibirubá. São memórias que ultrapassam resultados, guardam a identidade de uma comunidade e mostram como a ASIF e o futsal moldaram gerações que seguem, até hoje, reunidas em torno da bola.