08 de Agosto, 2025 10h08mBáu do Esporte por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

A trajetória de Neto Ferraz, o zagueiro que marcou época no futebol amador de Ibirubá

De apelido herdado do craque corintiano ao legado nos campos municipais

Com mais de 30 anos dedicados ao futebol local, ele revela os bastidores de confrontos históricos, os treinadores que marcaram sua carreira e o amor pela camisa. Hoje, o ex-jogador segue no agronegócio, mas mantém viva a paixão pelo esporte.

O Baú do Esporte trouxa, uma história que mistura futebol, comunidade e memória afetiva. Diórgenes Ferraz, conhecido por todos como "Neto", contou sua trajetória de mais de três décadas no esporte amador de Ibirubá, numa conversa marcada pela emoção, companheirismo e lembranças de uma geração considerada de ouro do futebol local.
Filho de Eron Ferraz e Marli Dierings, Neto cresceu no bairro Planalto, onde começou sua paixão pelo futebol. “Era todos os dias no campinho de areia, onde hoje é o Acisão”, recorda. Desde pequeno, o esporte foi sua principal brincadeira, dividindo o tempo com os estudos nos colégios Edison Quintana e Edmundo Roewer.
Seu apelido surgiu cedo, nas escolinhas da ASIF, ainda na categoria fraldinha, quando era chamado de "Neto" em referência ao ex-jogador do Corinthians, por seu chute forte e físico mais robusto. “Até hoje muitos nem sabem meu nome de verdade. O apelido ficou e me acompanha até no trabalho”, brinca.
Neto passou por quase todos os clubes do município: Bangú, São José, São João da Várzea, Vila Nova, Estrela do Norte, Palmeiras, Revelação e Hermany. “Faltou só jogar no Florestal, que era nosso principal rival na época”, comenta. No amador jogou pelo Grêmio Ibirubá.
Destaque em diversas equipes, formou grandes parcerias ao longo da carreira, especialmente com o zagueiro Régis. “A gente tinha entrosamento. Ele pegava a esquerda, eu a direita. Quando o centroavante caía de um lado, o outro já sabia o que fazer. Isso foi essencial para termos defesas menos vazadas nos campeonatos”, explica.
Entre as lembranças marcantes está a participação no Campeonato Estadual de Bases, jogando pelo Juventude  (SAJO) contra clubes como Grêmio e Internacional. “Na época, enfrentamos um Grêmio fortíssimo aqui no estádio do Juventude. Joguei também contra o Inter, no Beira-Rio, no suplementar. Nosso time era muito respeitado”, relembra.
Mesmo sem conquistar um título municipal no campo, Neto coleciona finais, vice-campeonatos e vitórias emblemáticas. Uma delas foi com o Vila Nova contra o Florestal, num dos maiores clássicos da cidade. “Nosso time era mais humilde, mas vencemos duas vezes de forma expressiva”, destaca.
O ex-zagueiro enfatiza a importância das categorias de base, lembrando que sua geração (1981–1985) teve continuidade no esporte graças a uma estrutura sólida. “Hoje vejo meu filho, Lorenzo, querendo ser goleiro. É bonito ver o trabalho que o Juventude está fazendo com a base. Tomara que a gurizada de hoje possa contar suas histórias no futuro”, afirma.
Profissionalmente, Neto construiu uma carreira sólida no ramo do agronegócio, atuando há mais de 20 anos como representante comercial da Augustin, concessionária Massey Ferguson. “O Jorge Scapini foi quem me abriu as portas. Trabalhei em Guarani das Missões e depois voltei para Ibirubá”, conta.
Ao encerrar, Neto destacou a importância da família e dos amigos em sua trajetória. “Minha esposa, Dani, está comigo há mais de 20 anos. Sempre foi minha maior incentivadora, mesmo quando o corpo já não ajudava tanto a continuar jogando. Hoje somos história. Mas é essa história que vale a pena contar”, conclui.

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