
Nova estrutura foi lançada em evento no Agosto Lilás e promete ser ponto de apoio essencial para mulheres do município
O mês de agosto, conhecido como Agosto Lilás, ganhou um significado ainda mais simbólico para o município de Quinze de Novembro. Na noite da última segunda-feira, a Câmara de Vereadores oficializou a instalação da Procuradoria Especial da Mulher, uma iniciativa voltada ao acolhimento, orientação e encaminhamento de casos de violência contra mulheres na cidade.
A Procuradoria será presidida pela vereadora e atual presidente da Câmara, Tamara Dressler, e terá como procuradora adjunta a vereadora e ex-prefeita Nilva Lopes Maldaner. Ambas destacaram, durante o evento de inauguração, que a criação do espaço foi pensada com base em demandas reais da comunidade.
“Mesmo sendo um município pequeno, temos relatos de casos de violência. Muitas vezes a mulher tem medo de ir à delegacia. Agora ela pode vir até nós, conversar, ser ouvida”, afirmou Tamara.
Durante a cerimônia de lançamento, foi realizada uma mesa redonda com autoridades locais, profissionais do Judiciário, da segurança pública e da saúde, além de membros da comunidade. A iniciativa buscou promover um espaço de escuta e esclarecimento, com falas emocionadas e um apelo claro por mais empatia e atuação conjunta.
“Às vezes as pessoas não querem uma palestra, querem conversar. E essa roda de conversa foi essencial. A gente viu que fez a diferença”, reforçou Tamara.
A ideia da Procuradoria surgiu após representantes da Câmara de Quinze de Novembro participarem de ações semelhantes em Ibirubá. Inspiradas pelo projeto local, as vereadoras decidiram adaptar a proposta para a realidade do município. O resultado, segundo Nilva, foi positivo e mostra que é possível fazer a diferença com atitudes simples, porém significativas.
“As segundas-feiras estaremos à disposição aqui na Câmara. Quando a Tamara não estiver, eu ou outras vereadoras estaremos para acolher. Também temos uma equipe e assessoria jurídica preparada para orientar e encaminhar cada caso com seriedade e sensibilidade”, explicou Nilva.
A Procuradoria não tem caráter investigativo, mas sim de acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento para os órgãos competentes, como Secretaria de Saúde, assistência social, psicólogos e a rede de proteção local.
“Aprendemos a ouvir. Quando eu trabalhava na saúde, tive contato com muitas histórias. Isso nos dá preparo. Além disso, estamos cercadas de profissionais que nos orientam juridicamente. Queremos que nenhuma mulher se sinta sozinha”, destacou Tamara.
Educação como ferramenta de prevenção
Uma das bandeiras das vereadoras é levar o debate sobre a Lei Maria da Penha para dentro das escolas. O projeto “Maria da Penha vai à escola” já foi proposto na Câmara e pretende conscientizar desde cedo sobre o respeito, o fim da violência de gênero e o papel da sociedade na prevenção.
“Precisamos trabalhar com as crianças, os adolescentes, os adultos. Tem gente que ainda não entende que agressão psicológica também é violência. A educação é a base”, defendeu Nilve
Tamara relembrou o recente caso de feminicídio em Fortaleza dos Valos, que abalou a região. “Levei dias para conseguir dormir novamente. Isso só reforça a importância do que estamos fazendo aqui”, disse, visivelmente emocionada.
‘Vamos meter a colher, sim’
Em uma mensagem direta às mulheres, Tamara e Nilva deixaram claro que a Procuradoria está aberta, acessível e pronta para acolher.
“Se tiver algo errado acontecendo na sua casa, avise. Nós vamos lá meter a colher, sim. Lugar de mulher é onde ela quiser. Eu escolhi a política. Você escolhe o que te faz feliz”,
afirmou Tamara, reforçando o da mulher na sociedade.