
Confraria formada por jovens ibirubenses na década de 1960 transformou o esporte, a convivência e os encontros em um legado que permanece vivo seis décadas depois.
Sessenta anos depois de surgir entre partidas de futebol de salão, bailes e reuniões de jovens, o Grupo Sem Nome continua escrevendo uma das mais bonitas histórias de amizade de Ibirubá. Na noite de quarta-feira (15), integrantes de diversas cidades reuniram-se na sede do Balneário Beco do Sol, às margens da Barragem do Passo Real, em Quinze de Novembro, para celebrar as seis décadas da confraria. O encontro, organizado por Orlando de Moura Nogueira, Silvio Luft e Paulo CervierI, foi marcado por churrasco, bolo comemorativo, homenagens e uma sucessão de depoimentos que emocionaram os presentes.
Ao abrir a cerimônia, Orlando de Moura Nogueira destacou que o maior patrimônio do grupo sempre foi a amizade construída desde a juventude. "Ao longo desses 60 anos a gente manteve esse contato, manteve essa amizade e esse relacionamento muito bom com vocês e com suas famílias. Isso deixa muita saudade daqueles tempos", afirmou. Mais adiante, resumiu o significado da data: "Sessenta anos não são sessenta dias. É muito tempo. O amigo não precisa falar contigo todo dia. Basta saber que ele existe e que continua valorizando essa amizade."
Um dos fundadores, Gilberto Thomé, lembrou que a comemoração foi resultado da vontade coletiva de manter viva essa história. "Para mim é uma alegria demais estar aqui. Eu não sou natural de Ibirubá, mas me considero um filho adotivo. O amor por aquela terra continua", declarou, agradecendo aos organizadores pela iniciativa.
Responsável pela organização do encontro ao lado de Nogueira, Silvio Luft ressaltou que a celebração também foi um momento de homenagear quem ajudou a construir a trajetória do grupo. "Temos que ficar felizes por ainda podermos nos reunir, nos rever e recordar esses bons tempos. Também precisamos lembrar dos amigos que já partiram e daqueles que hoje enfrentam problemas de saúde", disse, convidando todos a fazerem uma reflexão silenciosa em memória dos companheiros ausentes.
Um dos depoimentos mais emocionantes da noite foi o de Nelson Bohrz. Com a voz embargada, ele recordou o impacto que o Sem Nome teve em sua vida. "O Sem Nome me deu um início de vida muito bom. O abraço que vocês dão na gente vocês não imaginam como é bom. Isso me deixa feliz. A vida é boa, pena que é curta, mas vamos aproveitar porque os anos vêm ligeiro", afirmou, sendo aplaudido pelos amigos. Em outro momento, completou: "Vamos recordar. Isso nos deixa faceiros. Eu posso olhar todo mundo no olho e dizer que fui feliz."
Representando os antigos rivais das quadras, o ex-jogador do Cometa Antônio Carlos Urnau destacou que a disputa esportiva jamais superou o respeito entre os grupos. "Nós éramos adversários, mas nos tornamos grandes amigos. Eu admiro vocês por conseguirem manter essa união durante tanto tempo. É um exemplo que merece ser preservado", afirmou.
Ao final da noite, todos se reuniram em torno do bolo dos 60 anos para cantar os parabéns. Mais do que celebrar uma data, o encontro confirmou que o Grupo Sem Nome permanece como um símbolo da convivência, da amizade e da memória afetiva de Ibirubá, preservando histórias que continuam emocionando quem teve o privilégio de vivê-las.





















