
Trabalho filantrópico desenvolvido pelo casal teve origem em Ibirubá, ganhou alcance nacional e chegou a áreas de extrema vulnerabilidade social, como a Ilha do Marajó
O casal Abner Paixão e Paula Milena Paixão construiu uma trajetória marcada pela solidariedade e pelo compromisso social por meio da atuação junto à ONG Minha Missão, entidade filantrópica de padrão internacional com base em Goiânia. O trabalho, desenvolvido de forma voluntária, alcançou diferentes regiões do Brasil, com ações emergenciais em enchentes e missões humanitárias em áreas de extrema vulnerabilidade social.
A história do casal começou em Ibirubá, ainda na infância, quando se conheceram na escola e fortaleceram os laços dentro da Igreja Assembleia de Deus.
“A nossa trajetória como casal e também servindo a comunidade começa aqui em Ibirubá. É uma cidade que faz parte da nossa história e da nossa identidade”, afirmou Abner. Filho de pastor, ele destacou que o envolvimento com ações sociais já fazia parte da família há gerações.
Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, Abner e Paula integraram uma grande mobilização da ONG, que reuniu cerca de 100 voluntários vindos de diversas regiões do país. “O que nós presenciamos lá foi muito além do que apareceu na imprensa. Entramos em lugares onde o cheiro era de morte, vimos cidades completamente devastadas”, relatou Abner. Segundo ele, o trabalho envolveu limpeza de casas, retirada de lama e apoio direto às famílias atingidas.
Paula destacou o impacto emocional da experiência.
“Foi o maior choque da minha vida. A gente ajuda, mas também volta transformado. Ver famílias que perderam tudo muda a forma como a gente enxerga a vida”, afirmou.
Nos últimos três anos, o casal passou a atuar de forma contínua na Ilha do Marajó, no Pará. A região, formada por um extenso arquipélago, apresenta dificuldades de acesso, pobreza extrema e carência de serviços básicos. “A realidade do Marajó é muito mais dura do que aquilo que se fala. Existem comunidades onde não há energia, não há alimento suficiente e o acesso só é possível por horas de barco”, explicou Abner.
Paula relatou situações que marcaram as missões. “Visitamos casas onde as famílias estavam há mais de um dia sem comida. Não havia móveis, apenas redes. Crianças e adolescentes vivem expostas a uma realidade muito dura”, contou. Segundo ela, além da entrega de cestas básicas, o trabalho envolve visitas, reformas de moradias e ações de conscientização.
Como resultado das missões, a ONG iniciou a construção da primeira escola cristã em uma das ilhas do arquipélago. “A escola nasce para oferecer dignidade, cuidado e esperança para essas crianças”, afirmou Abner.
Todo o trabalho é mantido por doações e recursos próprios dos voluntários. “Não temos apoio governamental. Cada voluntário investe do próprio bolso e pessoas de todo o Brasil ajudam como podem. Com cerca de R$ 70 já é possível montar uma cesta básica e alimentar uma família”, destacou Paula.
Segundo o casal, a missão vai além da ajuda material. “A gente leva alimento, mas leva também cuidado, presença e esperança. É isso que dá sentido a tudo”, concluiu Abner.























