01 de março, 2024 10h03m iibirubá por Redação Integrada Rádio Cidade de Ibirubá e Jornal O Alto Jacuí

A Comissão Pró-Emancipação de Ibirubá (1953-1954)

Ibirubá completou este ano 69 anos, porém, pouco se sabe sobre o processo de emancipação do município. Neste breve texto, buscarei abordar a respeito da Comissão Pró-Emancipação de Ibirubá. As informações utilizadas estão disponíveis no dossiê “Cria

Para emancipar e criar um município não basta vontade de um pequeno grupo, necessita atender a critérios estabelecidos pelo Governo Estadual e Federal, além da vontade popular. Para emancipar Ibirubá, foi fundada uma Comissão Pró-Emancipação, cujos “mentores” do movimento eram: Arry Ruy Ritter (Presidente), Arthur Kanitz, Willy Bohrz, Theobaldo Becker, Flavio Goelzer Lima, Guilherme Gustavo Sommer, Edgar Ricardo Wommer, Norberto Ziebell, Lindolfo Jandrey e Henrique Roetger.
Em documento enviado ao Presidente e Deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul em 22 de setembro de 1953, foi descrito a área a ser emancipada: “Ibirubá, juntamente com Quinze de Novembro e Alfredo Brenner, mais as duas zonas de Campinas e de Pinheirinho, Rincão Seco e São Lucas, respectivamente, sexto, nono e terceiro, e partes do quinto e do quarto distritos, todos do município de Cruz Alta”. A população destas áreas e zonas somava mais de dezesseis mil habitantes, correspondendo a um quinto dos eleitores de Cruz Alta. A Comissão Pró-Emancipação destacou as grandes possibilidades de desenvolvimento do novo município, o qual contaria com “população densa, solo fértil, adiantada mecanização da lavoura, pecuária promissora, energia elétrica, escolas, hospitais, comércio florescente, meios de transporte abundantes e comunicações rápidas, por telefonia e por telefone”.
O movimento emancipacionista deve ter causado grande dor de cabeça no Prefeito de Cruz Alta, à época, Aristides Basilio de Campos, que era abertamente contrário à emancipação de Ibirubá e procurava inutilizar o trabalho da Comissão Pró-Emancipação. Através dos Subprefeitos, promoveu propagandas contra o movimento. O Prefeito publicou, em 02 de setembro de 1953, um “Esclarecimento ao público – especial para os moradores de Ibirubá, Alfredo Brenner, Quinze de Novembro e Zonas adjacentes visadas pelos emancipacionistas”. Na nota, o Prefeito acusava o movimento de atuar fora da lei, e seus mentores emancipacionistas de assediar os moradores das localidades, especialmente de Quinze de Novembro. Em sua visão, a emancipação seria um “suicídio econômico” para a população das zonas, e aconselhava a estes a não se deixarem levar por “contos bem forjados de modernos sonhos, irrealizáveis e vãos”. Em outra matéria, publicada no Diário Serrano, em 15 de outubro de 1953, o Prefeito voltou a frisar o caráter inconstitucional do movimento, e que prezava pela integridade do município, “não me assusto de bainha de espada ou bulha de lata”, escreveu. Os mentores da Comissão, em sua visão, estariam decretando a falência das zonas e da própria população. Em ofício ao Presidente da Comissão Revisora da Divisão Territorial do Estado, de 22 de outubro de 1953, o Prefeito de Cruz Alta acusou os mentores da Comissão Pró-Emancipação de importunar os “pacatos colonos” de Quinze de Novembro e Alfredo Brenner, desacreditando da Administração municipal. Inclusive, informou que os emancipacionistas coagiam os moradores, estacionando “seus automóveis, em número de cinco ou seis, deixando-se ficar à porta da casa até que o colono resolvesse assinar a lista”.
Uma medida adotada para frear o movimento foi a organização de abaixo-assinados junto aos moradores dos distritos e das zonas, em que estes declaravam que queriam permanecer no município de Cruz Alta, ou seja, eram contrários à emancipação de Ibirubá e demais áreas. Em Quinze de Novembro, dos 879 eleitores, 201 eram favoráveis à emancipação e 63 eram contrários. Em Santa Clara do Ingaí, de 283 eleitores, 108 assinaram contrários à emancipação.
Em 09 de novembro de 1953, a Comissão Revisora de Divisão Territorial do Governo do Estado do Rio Grande do Sul verificou os seguintes dados apresentados:
a) População superior a 12.000 habitantes;
b) Renda anual acima de C$600.000,00;
c) Continuidade territorial plena e perfeitamente delimitada;
d) Comprovação das atividades comerciais, industriais, educacionais, de produção agropecuária, assistência hospitalar, esportivas e sociais, comprovadas por certidões fornecidas por repartições públicas e farta documentação fotográfica;
e) Área servida por estradas rodoviárias do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem.
Assim, a Comissão atestou que a área a ser emancipada atendia aos requisitos exigidos pela lei, emitindo parecer favorável à emancipação de Ibirubá. Pela Lei Estadual nº 2.528, de 15 de dezembro de 1954, o Município de Ibirubá foi criado, sendo instalado no dia 28 de fevereiro de 1955.
O processo de emancipação e criação de Ibirubá não foi tão simples quanto aparenta. Procurei neste breve texto apresentar uma pequena fração deste processo, focando principalmente nas reações do Prefeito de Cruz Alta e na tentativa de frear o movimento. O documento utilizado traz muitas informações da região, como as empresas existentes, dados das produções agrícolas, número de escolas e alunos, número de igrejas e fiéis, além de fotografias da época.
Feliz Aniversário e vida longa e próspera para Ibirubá!
 

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