09 de Setembro, 2023 10h09mHistória por Redação Integrada Rádio Cidade de Ibirubá e Jornal O Alto Jacuí

A história da Olaria Alberto Grave é relembrada por Sérgio Grave em entrevista

A Olaria Alberto Grave fez parte de um momento de crescimento e expansão da região do Alto Jacuí, ostentando seu icônico chaminé com as iniciais AG.

Filho do fundador relembra os desafios e momentos marcantes da olaria que foi parte da história de Ibirubá
Filho do fundador relembra os desafios e momentos marcantes da olaria que foi parte da história de Ibirubá

A Olaria Alberto Grave fez parte de um momento de crescimento e expansão da região do Alto Jacuí, ostentando seu icônico chaminé com as iniciais AG. Sérgio Grave compartilha suas memórias sobre a olaria que enfrentou desafios únicos e momentos de grande prosperidade. 

Uma empresa familiar com uma contribuição enorme para a economia, arquitetura e para a cultura de Ibirubá foi resgatada através dos relatos de um de seus protagonistas, Sérgio Grave.  A Olaria Alberto Grave localizada na Linha Pulador Sul, no 'barro preto' funcionou por décadas fornecendo tijolos e telhas para as construções.

Lembranças do frio intenso
Sérgio Grave começa relembrando os invernos rigorosos que eram uma constante nas Olarias da região. Os funcionários enfrentavam a árdua tarefa de fazer fogo durante as noites gélidas para proteger os tijolos e telhas da agressão do frio. A fumaça gerada pelo fogo era usada para espantar o frio e proteger o material. Lonas plásticas também foram utilizadas para proteger os produtos do inverno rigoroso. Filho de Alberto Grave, Sérgio relembrou os desafios da produção: "Era contínuo, realmente. Às vezes, se passava três, quatro, cinco dias, ou até mesmo uma semana, ou 15 dias fazendo fogo pequeno. Tínhamos que manter o fogo durante o dia, ou só acendíamos à noite. De dia, a gente tirava para os lados para continuar a fabricação do material, ou suspedia, dependendo do tempo. Tínhamos uma ideia do que vinha: bastante frio por três, quatro, cinco dias, ou dava uma chuvinha fina. Daí, sabíamos que no outro dia ia cair uma geada e tudo. Limpava o tempo. A gente não fabricava, fazia outro tipo de serviço. Carregávamos e buscávamos barro na barreira, trazíamos para cima nos galpões e botávamos debaixo, deixávamos ele curando. Fazíamos outros serviços, desenformando o forno e entregando material. Procurávamos fazer muito material no verão, em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, para ter um estoque para o mês de abril, maio, junho, julho e agosto. Tínhamos que ter bastante material para venda, porque o pessoal vinha procurar muito, e não tínhamos um estoque suficiente." relembra.


O processo de cura dos tijolos

Sérgio detalha o processo de cura dos tijolos, que podia levar de 5 a 15 dias, dependendo da estação. A umidade precisava ser retirada antes da queima, e os tijolos eram colocados na fornalha para secagem antes da queima final. Os fornos tinham capacidade para até 10 mil tijolos e a queima era um processo delicado que durava de 12 a 18 horas.

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Diversificação de  produtos e modernização
A Olaria Alberto Grave diversificou seus produtos ao longo dos anos, produzindo tanto tijolos maciços quanto tijolos furados com quatro ou seis furos. Essa diversificação permitiu atender a uma gama mais ampla de clientes. Além disso, a olaria passou por um processo de modernização nos anos 80 e 90, adquirindo novos equipamentos para melhorar a qualidade e a eficiência da produção.


A importância da olaria para a economia local
Sérgio destaca a relevância da Olaria Alberto Grave para a economia local, empregando muitas pessoas e fornecendo materiais essenciais para construção. A olaria era uma parte vital da comunidade de Ibirubá, contribuindo para seu crescimento e desenvolvimento. A empresa oferecia casas para os funcionários, e uma pequena mercearia foi instalada para que as famílias pudessem abastecer a despensa de casa com itens básicos como arroz, feijão, açúcar e massa. Um biodigestor, o primeiro instalado na região, na década de 80, fornecia gás gerado através do esterco do gado para os fogões. Esse equipamento foi matéria do OAJ em 1984.

Desafios e Recordações
Ao longo da conversa, Sérgio também menciona os desafios enfrentados pela olaria, como a concorrência de olarias de Santa Catarina e a retração do mercado nos anos 90, que eventualmente levou ao fechamento da olaria em 2004. Ele destaca momentos de grande movimento, como o contrato com a Madesat para fornecer 500 mil telhas para serem utilizadas nas casas dos empregados que estavam construíndo a hidrelétrica Passo Real, em Salto do Jacuí, e mais recentemente o fornecimento de todos os tijolos da casa do Promotor de Justiça aposentado José Diogo Ribeiro. Ele também lembrou momentos de crise que fazem parte da trajetória da olaria, como a escassez de mão-de-obra, que acabou inviabilizando a atividade.


As memórias de Sérgio Grave nos levam a uma época em que a Olaria Alberto Grave desempenhou um papel vital na vida de Ibirubá, deixando um legado que é lembrado até hoje. 

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