Estudar, conhecer, amadurecer: o que um intercâmbio pode proporcionar
Quando ainda era criança, Ana Springer já repetia em casa que um dia estudaria fora do Brasil.

Essa autonomia talvez tenha sido uma das partes mais importantes da experiência. Aos poucos, aquela jovem que nas primeiras semanas pensou em antecipar a passagem começou a resolver sozinha problemas que até então nunca precisara enfrentar.
Direito sob uma perspectiva internacional
Na Universidade de Coimbra, Ana decidiu aproveitar a oportunidade para estudar áreas que dificilmente vivenciaria da mesma maneira no Brasil. Escolheu disciplinas voltadas especialmente ao Direito Internacional, entre elas Direito Internacional Público e Direitos Humanos, Processo Civil Internacional, Conflito de Leis e Cooperação Internacional em matéria penal.
“Eu resolvi focar mais nos direitos internacionais”, explica. A formação permitiu contato mais aprofundado com o Direito da União Europeia, direitos humanos, documentos das Nações Unidas e outros temas ligados às relações jurídicas entre diferentes países.
Para Ana, o Direito continua sendo uma formação que ultrapassa a futura profissão. “É uma faculdade que todo mundo deveria fazer. A gente aprende coisas básicas que todo mundo deveria saber”, avalia.
Mas o aprendizado acadêmico foi apenas uma parte daqueles seis meses.
Coimbra e uma vida construída ao redor da universidade
Ana encontrou em Coimbra uma cidade profundamente ligada à vida universitária. A Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa, atrai estudantes de diferentes partes do continente e do mundo, fazendo com que a população e a própria dinâmica da cidade se modifiquem ao longo do calendário acadêmico.
“A experiência como um todo foi muito transformadora. Eu aprendi muito sobre mim e sobre o país em que estava”, afirma.
Ana se apaixonou por Coimbra. A presença constante de intercambistas fazia com que, brinca, “a cada semestre mudasse o elenco da série”. Ao mesmo tempo, essa característica fez com que percebesse que, apesar do encantamento, não gostaria necessariamente de construir sua vida definitiva ali.
A estudante também decidiu viver as tradições universitárias portuguesas. Uma das experiências mais marcantes foi a Queima das Fitas, tradicional celebração acadêmica realizada ao final do ano letivo, com cortejos e intensa participação dos estudantes.
Para Ana, aproveitar esses momentos também fazia parte da formação. “O intercâmbio é sobre viver as experiências e as tradições de lá. Se eu não tivesse vivido as tradições de Coimbra, eu não teria me apaixonado tanto pela cidade”, conta.
Da neve à realização do sonho de conhecer Paris
Estar na Europa abriu ainda a possibilidade de conhecer outros países e culturas. Logo no começo da experiência, Ana foi até a Serra da Estrela, em Portugal, onde viu neve pela primeira vez.
Nas férias de Páscoa, viajou com amigas para Dublin, na Irlanda; Belfast, na Irlanda do Norte; Edimburgo, na Escócia; e Londres, na Inglaterra. Depois vieram Salamanca, na Espanha, Paris e a Itália.
Paris ocupava um lugar especial entre seus desejos. “Era o meu sonho. Queria muito ter ido para Paris. Eu sou muito feliz e muito grata por ter ido”, afirma.
As viagens complementaram aquilo que acontecia dentro da universidade. Em seis meses, Ana não conheceu somente novas legislações ou métodos de ensino. Precisou lidar com idiomas, costumes, transportes, dinheiro, documentação, diferenças culturais e pessoas que carregavam histórias completamente diferentes da sua.
Foi preciso sair para descobrir que queria voltar
Curiosamente, realizar o antigo sonho de morar fora também trouxe uma descoberta inesperada.
Ana passou boa parte da vida imaginando a possibilidade de construir seu futuro em outro país. Depois de seis meses em Portugal, retornou com uma percepção diferente.
“Eu sempre quis morar fora, então me sinto muito realizada por ter conseguido fazer isso em seis meses, mas acho que o meu lugar é o Brasil”, afirma.
Isso não significa abandonar as experiências internacionais. Ana considera a possibilidade de futuramente realizar um mestrado ou outra etapa da formação acadêmica no exterior. A diferença é que agora consegue separar o desejo de conhecer o mundo da ideia de necessariamente deixar o Brasil definitivamente.
Suporte para quem decide atravessar fronteiras
Deise Aline Bellini explica que intercâmbios acadêmicos como o realizado por Ana não são o foco principal da Giru's pelo Mundo, mas fazem parte das situações em que a empresa pode auxiliar o viajante com organização, passagens, seguros e orientações.
A experiência de Ana, segundo ela, mostra a diferença entre simplesmente comprar uma passagem e preparar uma permanência prolongada em outro país. “Muito mais do que só vender, a gente se preocupa com o passageiro que está no destino”, destaca.
A própria Deise já viveu uma experiência de intercâmbio no Canadá e conta que isso ajudou na aproximação com Ana durante os preparativos. Além das questões técnicas, havia a necessidade de transmitir segurança para uma estudante que faria sua primeira grande experiência longe de casa.
Verônica também destaca esse acompanhamento. Para ela, ter alguém a quem recorrer diante das dúvidas sobre seguro, passagem e viagem tornou o processo menos angustiante. A mãe acompanhou a filha à distância durante todo o período, mantendo contato frequente enquanto Ana construía sua própria rotina do outro lado do Atlântico.
“Eu achava que era impossível”
Depois de seis meses, a jovem que chegou a perguntar quanto custaria antecipar a passagem voltou ao Brasil tendo concluído aquilo que começou a sonhar ainda criança.
Agora, os planos passam novamente pela graduação. Ana pretende concluir o curso de Direito, buscar experiência profissional e não descarta retornar ao exterior para estudar. Mas carrega uma perspectiva que dificilmente teria adquirido apenas dentro de uma sala de aula.
Para Verônica, há orgulho na formação acadêmica, mas também na independência conquistada pela filha. Para Deise, a história demonstra a importância da coragem para transformar um projeto em realidade. Para Ana, fica uma mensagem principalmente aos jovens que olham para uma experiência internacional como algo inalcançável.
“Eu achava que era impossível e, no fim, consegui”, resume.
E é justamente para quem ainda enxerga esse sonho como distante que Ana deixa o aprendizado mais importante dos seis meses em Portugal: “Para qualquer jovem que sonha em fazer um intercâmbio, fique sabendo que não é tão distante. O mundo está esperando por vocês e tem que ir atrás. Vocês conseguem, têm capacidade.”
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