
Com 47 integrantes, motogrupo de Ibirubá amplia atuação social e ambiental, prepara projeto de segurança nas escolas e organiza para outubro a segunda edição do Motofest
Muito além das viagens, dos encontros e da paixão pelas motocicletas, o Motogrupo Parceiros do Asfalto vem construindo em Ibirubá uma trajetória marcada também pela participação comunitária. Com 47 integrantes e uma lista de espera que, segundo seus representantes, reúne entre 30 e 40 interessados, o grupo mantém ações solidárias e ambientais, prepara um projeto de conscientização sobre segurança no trânsito e já trabalha na organização da segunda edição do Motofest Ibirubá, marcada para 17 de outubro.
Eliseu Machado e Isaac Ruschel contam que o crescimento do grupo trouxe inclusive a necessidade de limitar temporariamente a entrada de novos integrantes. Como ainda não possui sede própria e utiliza um espaço emprestado para reuniões e confraternizações, o Parceiros do Asfalto optou por preservar uma estrutura que permita manter a integração entre seus membros. Apesar disso, participar das atividades não depende de estar oficialmente associado. “Quem quiser participar nas viagens, nos encontros, até mesmo nas nossas reuniões e jantas, pode ir como convidado”, explicou Eliseu.
Os encontros e passeios fazem parte da rotina, mas foi na solidariedade que o grupo encontrou uma segunda razão para permanecer unido. Eliseu lembra que essa característica apareceu praticamente junto com a formação do Parceiros do Asfalto. “A gente não é apenas um motoclube para passeio, para janta, para festa. A gente foi criado pensando em ajudar o próximo. As nossas ações são sempre pensando no próximo”, afirmou.
Uma das experiências que ajudou a definir esse caminho foi o primeiro Natal Solidário. Na época, o grupo não dispunha de recursos em caixa. A solução foi começar entre os próprios motociclistas. Os integrantes fizeram uma contribuição, colocaram dinheiro do próprio bolso e mobilizaram outras pessoas até conseguir mais de 300 cestas natalinas. Para Eliseu, o resultado daquela primeira mobilização mostrou que o grupo poderia fazer muito mais do que reunir pessoas em torno das motocicletas. “Foi tão gratificante para nós que a gente pegou gosto pela coisa. Olha como é bonito fazer o bem sem ver a quem”, recordou.
Isaac Ruschel reforça que as iniciativas não são desenvolvidas para promover individualmente os integrantes, mas para aproveitar a capacidade de mobilização de um grupo numeroso. “Não é para ninguém estar se mostrando, mas eu acho que, se cada um na sociedade fizer sua parte, as coisas ficam bem melhores”, disse. Para ele, reunir 47 pessoas em torno de uma mesma proposta facilita a realização das campanhas. “É uma maneira da gente poder também ajudar no município. É o lugar que a gente vive, é o lugar que a gente quer ver bem.”
Essa mobilização apareceu novamente na recente Campanha do Agasalho. Foram instalados três pontos de arrecadação em Ibirubá e a resposta da comunidade surpreendeu os organizadores. Conforme Eliseu, foi recolhida uma grande quantidade de roupas, cobertores e outros itens. Parte das doações foi encaminhada para a Secretaria de Assistência Social e outra parcela teve como destino o Lar do Idoso.
A entrega no Lar do Idoso, porém, não ficou restrita aos donativos. Os integrantes decidiram levar também música. Isaac participou com a gaita, Cristiano Marques com o trombone e outros membros acompanharam a visita. O que seria uma entrega de agasalhos acabou se transformando em um pequeno baile. “A gente viu a felicidade dos nossos vovozinhos. A gente chegando lá, entregando aqueles agasalhos e já proporcionando um bailinho para eles também”, contou Eliseu. A recepção foi tamanha que os músicos foram convidados a retornar para uma nova apresentação. “Foi muito gratificante aquilo ali. E a gente pretende não parar por aí”, acrescentou.
Do lixo retirado do rio ao plantio de 600 árvores
A atuação comunitária também passou a incorporar a preservação ambiental. Uma das ações levou os integrantes até as margens do Rio Pulador, onde realizaram uma limpeza e retiraram mais de uma carga de resíduos. Durante o trabalho, a situação da vegetação chamou a atenção do grupo e fez surgir uma nova proposta.
“A gente viu que as nossas margens, nosso rio, estão meio degradados, a vegetação, o mato, as árvores. Então a gente fez uma parceria com o Sicoob e vai fazer um reflorestamento nessas margens”, explicou Eliseu. A previsão apresentada é de aproximadamente 600 mudas de espécies nativas. O grupo também buscou o setor de Meio Ambiente da Prefeitura para definir tecnicamente os locais onde deverá ocorrer o plantio.
A Prefeitura também colaborou com a ação de limpeza. Segundo os integrantes, foram disponibilizados equipamentos e máquinas para auxiliar na retirada do material recolhido. Eliseu citou o apoio recebido das secretarias municipais e destacou que iniciativas dessa dimensão dependem da participação de parceiros. “O que vocês dependerem de nós, de máquina, contem conosco”, relatou ao recordar a resposta recebida quando o grupo apresentou a proposta ao Município. No dia marcado para a limpeza, conforme ele, os equipamentos já estavam no local.
Próximo projeto quer chegar às escolas
Para 2027, o grupo pretende tirar do papel o projeto “Futuro Motociclista Seguro”, direcionado principalmente a crianças e adolescentes. A ideia é visitar escolas e conversar sobre segurança, uso adequado do capacete, comportamento no trânsito e responsabilidade ao conduzir uma motocicleta. O Parceiros do Asfalto possui entre seus integrantes profissionais ligados à formação de condutores, que poderão participar das atividades.
Eliseu explica que o objetivo é conversar com os jovens antes mesmo de eles começarem a pilotar. “A gente quer visitar todas as escolas e fazer isso aí. Hoje a gente vê que a maioria dos acidentes de moto envolve jovens”, afirmou. Na avaliação do grupo, nem todos têm dentro de casa alguém com experiência no motociclismo que possa orientar sobre os riscos. “A moto é um troço legal, mas tem que saber usá-la”, resumiu.
Essa preocupação com segurança também aparece na maneira como os integrantes descrevem o próprio motociclismo. Para eles, a cilindrada ou o valor da motocicleta não definem quem pertence a esse universo. “Não vale a moto, vale o espírito. Se tu tens uma Biz e tens o espírito de motoqueiro, tu és motoqueiro”, afirmou Eliseu.
Isaac destaca ainda outro aspecto: a motocicleta como espaço de convivência e uma forma de aliviar a rotina. Nem todas as viagens precisam envolver grandes distâncias. Muitas vezes, um sábado de tempo bom é suficiente para que os integrantes combinem uma saída rápida pela região. “Cada um tem que ter um hobby, uma válvula de escape. O dia da gente é corrido, a semana é corrida. Então a gente tem uma válvula de escape ali para dar uma voltinha, se juntar com os amigos”, explicou.
Motofest quer superar as mais de 430 motos da primeira edição
Em outubro de 2025, o Parceiros do Asfalto realizou seu primeiro Motofest. O encontro representou a retomada desse tipo de programação em Ibirubá depois de aproximadamente 12 anos e surpreendeu até os próprios organizadores.
Segundo Eliseu, havia expectativa de uma boa participação porque o grupo vinha prestigiando encontros em outros municípios e convidando motociclistas de diferentes regiões. Ainda assim, por se tratar da primeira edição, havia cautela. O resultado superou as projeções: mais de 430 motocicletas passaram pelo controle realizado na entrada.
“Surpreendeu até nós mesmos”, afirmou Eliseu. Para este ano, a expectativa é crescer. “A gente já começou a participar de mais eventos para divulgar o nosso encontro. Eu acho que vamos ter um bom encontro e queremos superar o primeiro.”
O 2º Motofest Ibirubá está marcado para 17 de outubro
A realização do encontro também está diretamente ligada ao trabalho social do Parceiros do Asfalto. O grupo não cobra ingresso e, conforme seus representantes, a principal receita obtida durante o evento vem da copa. O dinheiro, porém, não permanece como lucro entre os integrantes.
Eliseu explicou que o resultado é direcionado para a ação de Natal. Na última edição, aproximadamente 600 cestas foram distribuídas. “Se a gente juntar um valor que dê para comprar 800 cestinhas, a gente termina o ano zerado. O nosso lucro a gente devolve tudo para a comunidade na ação do Natal”, afirmou.
É justamente essa dinâmica que ajuda a explicar o espaço conquistado pelo Parceiros do Asfalto em seus seis anos de existência. A motocicleta continua sendo o ponto de encontro: está nas viagens, nas conversas, nas confraternizações e no Motofest. Mas, ao redor dela, o grupo construiu outra rede — formada pelas campanhas, pelo trabalho voluntário, pela preocupação ambiental e pela intenção de compartilhar com as novas gerações aquilo que aprendeu nas estradas.
Como definiu Eliseu ao recordar a primeira campanha realizada pelo grupo, foi ao descobrir a satisfação de ajudar que os integrantes decidiram continuar: “A gente pegou gosto pela coisa.”






















