
Aos 10 anos, Maya Fogliatto Bulé se prepara para um momento decisivo na trajetória de uma jovem bailarina. Natural de Cruz Alta, no noroeste do Estado, ela foi selecionada para estudar na prestigiada Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que fica em Joinville (SC).
O feito é notável: entre mais de 4 mil meninas inscritas de todo o país, apenas 18 foram aprovadas, e Maya está entre elas, garantindo uma vaga na única filial do tradicional Bolshoi de Moscou fora da Rússia.
O talento de Maya começou a se manifestar precocemente. Aos três anos, ela iniciou as aulas no estúdio da professora Júlia Duda, que rapidamente notou algo singular na postura e na dedicação da criança.
— Eu já notava que ela tinha capacidade de ir além do que trabalhávamos em sala. Comentei com a mãe que ficasse atenta às audições do Bolshoi quando chegasse a idade certa — conta.
Quando o momento chegou, a inscrição para a audição foi simples: um vídeo gravado em casa, sem qualquer produção.
— A gente só mandou o vídeo pensando: "é só um vídeo, não vai passar". E eu passei. Ficamos… nossa! — lembra Maya, com um sorriso no rosto.
— Ela sempre teve essa veia artística. Ou estava de cabeça para baixo, ou se alongando, ou criando alguma coisa. Nunca imaginamos Bolshoi, mas sabíamos que a dança era dela — afirma a mãe, Marília Fogliatto Bulé, que acompanhou de perto cada etapa da jornada.
O irmão Gael e o pai, Rodrigo Bulé, também testemunharam a determinação da jovem bailarina.
— Ela sempre buscou algo a mais. Pedia ajuda, inventava coreografias, queria aprender tudo. Chegou onde chegou por vontade e responsabilidade dela — diz sobre a filha.
Com a aprovação, a rotina da família passará por uma transformação completa. Em fevereiro, todos se mudarão para Joinville, onde Maya dará início a uma formação profissional que se estenderá até os 18 anos, com uma carga intensa de aulas e a disciplina rigorosa característica da escola.
— Minha expectativa é conseguir acompanhar o ritmo. Dizem que é tipo quartel. Quero ter experiência, ser uma bailarina muito boa e trazer orgulho para a minha família — projeta a menina.
Determinada, curiosa e cheia de energia, a jovem bailarina de Cruz Alta agora começa a trilhar um caminho que poucos alcançam, levando a simplicidade de seu vídeo caseiro, a confiança de suas professoras, o apoio incondicional dos pais e o imenso sonho de transformar a dança em seu futuro.




















