
Pilotos do Brasil e exterior movimentaram a Sociedade Hípica de Ibirubá, na pista Jardel Pires
Ibirubá foi palco no final de semana dos dias 21 e 22 de maio da 2º etapa do Brasileiro de Motocross. Pilotos de diferentes cidades do Brasil e exterior, crianças, homens e mulheres, cruzaram a pista Jardel Pires, na Sociedade Hípica de Ibirubá.
Uma estrutura que surpreendeu quem visitava o município pela primeira vez, e que orgulhou os organizadores e patrocinadores. Com praça de alimentação, conexão de água, energia elétrica e internet, os motoqueiros se sentiram em casa com suas estruturas.
De MotorHome com camas, banheiros, salas, até vans que transportavam uma só pessoa. De grande a médio porte, todos percorreram grandes distâncias em busca de um objetivo, vivenciar e sentir o que só o motocross oferece.
Entre um dos visitantes estava o pequeno Júnior, que com apenas três anos veio com o pai e com o treinador pela segunda vez ao município. “Hoje no Brasil o motocross é pelo reconhecimento, pelo amor, pois infelizmente ainda não tem tanta valorização. Não vivemos disso, mas conseguimos patrocínios para os equipamentos. Ibirubá apresentou uma estrutura muito boa, tem lugares maiores, mas aqui se mostrou muito eficiente”, destacou um dos participantes.
Honda com uma das maiores equipes
Para o piloto equatoriano Jetro Salazar, os quilômetros foram ainda maiores para chegar até Ibirubá. Com uma equipe com três pilotos, onde cada um tem seu mecânico, ele concorreu na categoria 450 e já havia disputado o campeonato o ano passado em Ibirubá.
Com quatro títulos brasileiros, sete latinoamericados ele elogiou a estrutura de Ibirubá.
“É uma pista que tem a parte de baixo mais travada e mais rápida, achamos melhor. Somos uma equipe oficial da Honda, uma das maiores que nos oferece uma estrutura melhor em meio as competições”, contou.
O chefe de equipe da Honda, mostrou à equipe da Rádio Cidade e ao Jornal O Alto Jacuí a estrutura interna do motorhome do grupo.
Segundo ele, foi o primeiro veículo a conhecer o espaço que conta com uma cozinha, onde um cozinheiro profissional prepara as refeições, seis camas, ar condicionado e sala de fisioterapia. E também, um box para concentrar motos e pilotos.
“Quando colocaram Ibirubá no calendário do campeonato lembramos que é uma cidade onde as pessoas gostam de assistir. Hoje disputamos com a CRFS 450 S, que são motos de competições da Honda, vendidas em todo o mundo”, explicou.
O Brasileiro de Motocross não só movimentou o comércio local, rede de hotelaria e supermercados, mas também exibiu toda a rede que a modalidade influencia, como por exemplo as marcas que expõem nos eventos vendendo capacetes, equipamentos. Um capacete dependendo do modelo chega a custar dois mil reais.
Na equipe Husqvarna, uma das que participou da competição, estava o uruguaio Cheva, Franco Levecchia, da moto 222. Outro destaque foi para o menino de apenas nove anos, Heitor Matos, campeão brasileiro na categoria 50 cc.
Do nordeste ao sul
Os nordestinos, acostumados com as altas temperaturas do norte do país, estranharam os 4º que fez em Ibirubá no final de semana.
Representante da Associação de Pilotos do Ceara, Rosivaldo trouxe cinco pilotos, com estruturas que percorreram mais de 4.500 quilômetros. “É um esporte que só quem pratica sabe, é um mal que vicia e você não se cura”, contou.
Transmissão com milhões de visualizações
E para que tudo seja eternizado a imprensa também tem seu espaço garantido nas competições. A Sportbay TV, é o canal oficial de transmissões do campeonato. Mais de 30 profissionais trabalham envolvidos em toda a produção de imagem, vídeo e som.
Para o responsável Eduardo Appel, é um desafio muito grande, tendo em vista a extensão da pista. Em Ibirubá eles trabalharam com seis câmeras fixas, duas móveis e um drone.
“Na primeira etapa tivemos uma série de problemas de conexão, mas aqui percebemos o engajamento da organização, estamos positivos que ultrapasse mais de dois milhões de visualizações nos dois dias”, explicou Eduardo. O grupo conta com o patrocínio de grandes empresas, como Honda, Yamaha e Kawasaki.
Jovens e mulheres foram destaque
Aos 17 anos, Marcello Leodorico ainda não tem nem carteira de habilitação, mas já coleciona troféus. Começou a andar de moto aos três anos e há dez anos corre profissionalmente.
Uma escolha de vida que exige foco, dedicação e renúncias. A grande maioria dos pilotos possuem uma rotina regrada, com uma dieta restrita e sem consumo de álcool.
“A gente representa um pouco da nossa família e da nossa equipe quando estamos na pista, já tive acidentes mas mesmo assim nunca abri mão”, conta o jovem que possui cinco títulos americanos e oito títulos goianos.
Número um na carenagem da moto, Fábio Santos guarda boas lembranças da pista Jardel Doneda Pires. Colecionador de títulos, com quatro títulos brasileiros e regionais, disputou com 14 pilotos de alto nível.
E para quem pensou que só os homens se fizeram presente, as mulheres também deixaram seu nome. Lucarini, veio de Manaus para competir em Ibirubá em sua moto 107.
“Sempre corri estadual e esse ano vim realizar o sonho de participar do Brasileiro. Mais de 10 anos nesse esporte, uma paixão que veio de pai para filha e quem experimenta essa modalidade nunca mais quer sair”, contou.
Categoria de veterano reúne a experiência dos pilotos
De crianças até veteranos, todos tiveram espaço na pista. Um dos campeões mundiais de veteranos, ficou na terceira colocação na categoria e aos 51 anos não pensa em parar as disputas.
“Meu medo é envelhecer no sofá, comecei a competir aos 28 anos de idade e nunca mais parei, esporte é vida, é saúde”, relembrou o Piloto que carrega na bagagem viagens para a Califórnia, e diferentes países dos EUA. Foi durante essas caminhadas que conheceu um amigo ibirubense.
A pista Jardel Pires também fez o campeão voltar às competições. Wellington Garcia é onze vezes campeão brasileiro e atualmente compartilha sua experiência no próprio canal do YouTube.
Natural de Goiana, é piloto há 28 anos, escolheu parar com as competições e passar o seus aprendizados e técnicas através do seu canal. Teve a ideia de fazer uma série mostrando toda a rotina de um piloto e para isso, precisou voltar à realidade.
Mais de 15 mil pessoas foram esperadas no parque, para Maiquel Schiefelbein, um dos organizadores, o evento foi motivo de orgulho e mostrou a força que Ibirubá tem para ser palco de grandes competições.
“Essa etapa foi bem diferente, não tivemos tantas dificuldades como a primeira. Uma estrutura toda montada, sem problemas. Antes era uma aposta e agora somos uma certeza e estamos dando luz para o campeonato brasileiro”, afirmou.


















