24 de Julho, 2026 09h07mESPECIAL COLONO E MOTORISTA por Jardel Schemmer- Repórter Rádio Cidade 104.9

Escolheu o campo em vez dos hospitais: a trajetória de Arnildo Carboni entre a enfermagem e a agronomia

Enquanto muitos sonhavam em construir uma carreira na área da saúde, Arnildo Carboni tomou um caminho diferente.

Enquanto muitos sonhavam em construir uma carreira na área da saúde, Arnildo Carboni tomou um caminho diferente. Formado como técnico em enfermagem e com experiência no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, ele tinha todas as condições para seguir a profissão e até ingressar na Medicina. Hoje, após quase três décadas atuando como engenheiro agrônomo em Ibirubá, afirma que jamais se arrependeu da decisão de trocar os corredores do hospital pelas lavouras.
Natural de David Canabarro, Arnildo cresceu em uma pequena propriedade rural, cercado pelo trabalho no campo. Aos 17 anos deixou a casa dos pais para concluir os estudos em Passo Fundo. Sem condições financeiras para custear a faculdade, precisou conciliar trabalho e estudo desde muito cedo.
Primeiro formou-se técnico em enfermagem. Ainda durante o estágio, foi contratado pelo Hospital São Vicente devido à carência de profissionais na época. Mais tarde, já cursando Agronomia, enfrentou uma rotina exaustiva para conseguir pagar a graduação.
"Eu dormia 12 horas e ficava 36 horas acordado. Trabalhava uma noite inteira, passava o dia seguinte acordado, ia para a faculdade e só depois conseguia dormir. Quando a gente tem um objetivo, faz o que for preciso para chegar lá."
O contato diário com a natureza, a liberdade de estar na lavoura e a convivência com os agricultores acabaram definindo o rumo da carreira.
"Eu gostava do serviço de enfermagem, mas o que me chamava era o interior. Eu gosto da liberdade, de estar para fora, conversando com o pessoal, olhando a lavoura. Eu me criei no meio da terra e até hoje continuo assim."
Essa ligação com o meio rural também influenciou a forma como Arnildo exerce a profissão. No dia a dia, ele prefere estar ao lado dos produtores, acompanhando as lavouras, discutindo soluções e enfrentando, junto com eles, os desafios do campo. Para o engenheiro agrônomo, a atividade vai além da assistência técnica: é uma oportunidade de contribuir para que as famílias rurais permaneçam produzindo com sustentabilidade, preservando o solo e mantendo viva a vocação agrícola da região.
A escolha pela Agronomia também representou um retorno às origens. Filho de agricultores, Arnildo cresceu vendo os pais produzirem tudo o que a família consumia. Nos fins de semana, quando não está acompanhando produtores, dedica-se à chácara da família.
Há 28 anos vivendo em Ibirubá, construiu uma trajetória reconhecida entre os agricultores da região. Casado com Mara Carboni, enfermeira do trabalho, é pai de Nicole, acadêmica de Medicina em Passo Fundo. A coincidência faz parte das brincadeiras da família: enquanto a filha segue o caminho da saúde, o pai costuma dizer, em tom descontraído, que só não foi médico porque escolheu permanecer fiel à sua verdadeira vocação.
"Eu brinco até hoje que não fui médico porque não quis. O que realmente me fazia feliz era estar no campo. Foi essa escolha que deu sentido à minha vida profissional."

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